5 Melhores Momentos de Bleach – Weslley de Sousa

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Quando eu olho para trás na tentativa de buscar momentos que me impactaram em qualquer um dos animes que eu tenha acompanhado ou até mesmo nas suas muitas vezes obras originais, mangás, eu sempre tento chegar a uma realização se esses momentos foram realmente significativos e não somente momentâneos onde o impacto surte o seu efeito narrativo para me fazer prosseguir em sua leitura. Existiram muitos desses momentos infelizes onde seus efeitos realmente surtiam suas realizações, mas que no fundo, após um devido tempo ser dado, eles acabavam por ser esquecíveis e que eu me pegava pensando: “Esse anime tinha boas cenas.” e quando eu pensava mais profundamente “Mas quais eram, mesmo?” e uma coisa que inegavelmente eu posso admitir apesar do meu constante ódio contra essa obra, é a minha incapacidade de citar em uma lista o número de momentos impactantes que Tite Kubo me fez sentir e que ainda nos dias atuais eu consigo lembrar do porque essas cenas são muito bem-feitas, tanto nos mangás quanto nos animes.

Bleach não é muito bem uma obra que conseguiu gerar uma fama pós-término, mas é inegável o tamanho da sua força que conseguiu competir em igual tamanho com nomes grandes da Shonen Jump durante muito tempo até começar a decair em um ponto que seus próprios editores forçaram seu encerramento, impedindo a realização completa e idealizada do autor de terminar a sua obra como ele bem desejava – isso você consegue ver claramente lendo os últimos capítulos que não tem cara de climax. Mas apesar disso, todas as confusões e muitos erros além da conta imaginável após o término do arco da Rukia lá na primeira vez que vemos a Soul Society, não podemos ignorar todas as coisas boas e seus momentos que surgiram a partir dali que devemos dar os devidos méritos para Tite Kubo. Por isso hoje, discutiremos um pouco sobre os meus cinco melhores momentos em Bleach e eu espero poder convencer vocês desses momentos e enxergar o potencial narrativo que eles possuem e porque eu sinto que eles foram bem executados – apesar de todo o resto.

Um dos momentos que mais me impactaram em Bleach está, obviamente se for seguir a sua cronologia, acontece antes mas a partir daquele ponto em diante as escolhas narrativas de Tite Kubo colocadas na história me deixaram um pouco triste, o que justifica os pontos de os momentos anteriores estarem em suas devidas posições porque narrativamente, nunca mais depois um ponto da história conseguiu me deixar emotivo ou sentido pelos personagens como aconteceu no passado, porém é justamente por esse espaço de tempo e por acontecer o que acontece que eu coloco nessa minha quinta posição, a personagem Orihime se despedindo de Kurosaki Ichigo, o protagonista. Eu não quero dar spoilers explicando o contexto dessa cena e espero de coração que aqueles que uma vez assistiram ou leram sejam capazes de lembrar dessa cena, o que aconteceu antes e o que procede para efeitos de eu não ter que acabar com a experiência – seja positiva ou negativamente do leitor ao explicar aqui.

Esse momento ele me trouxe algo que eu considero ser como “O Kubo em Alta”. Isolando os fatores de que a personagem raramente vai ser desenvolvida de uma maneira igualmente tão boa no futuro ou que em invariáveis momentos anteriores ela foi deixada de lado como se ela sequer existisse, Inoue Orihime protagonizou uma cena onde ela é forçada a se despedir de seus amigos e seguir em diante com um objetivo que ela foi forçada a tomar em conta de proteger a vida de alguém querido. No entanto, seus pensamentos estão desejando que ela possa realizar uma última demonstração de afeto a essa pessoa, mesmo ela estando atualmente inconsciente. Mas isso não é somente um momento entre alguém tentando deixar uma despedida para seu amado, mas sim a narração realizada pelos seus pensamentos e as suas falas onde ela se considera uma pessoa egoísta ao estar não somente tentando se aproveitar do contexto daquela situação, como também por não ter sido capaz de pedir ajuda daqueles que ela uma vez jurou sempre estar ao lado deles. Trazendo isso átona, torna esse um dos momentos emocionais de Bleach que conseguiu me fisgar, pelo quão longe ele acaba indo em uma simples cena de narração de uma personagem. Infelizmente isso não é levado adiante com a personagem e até mesmo ela própria quebra seus sentimentos para funções narrativas e que o roteiro requer dela no futuro, mas ainda sim, não é o suficiente – ao menos, pessoalmente falando, para destruir toda essa construção.

Essa foi literalmente a primeira vez em que uma cena de Bleach acabou me deixando bem destroçado, principalmente quando eu retornei ao mangá para ler como teria sido a verdadeira construção do Kubo dentro do seu quadrinho para essa cena e me deparei com versos extremamente filosóficos sobre a situação que Kurosaki Ichigo se encontrava naquele momento tão sensível e difícil para o personagem, deixando marcado em meu peito o meu amor gigantesco por esse começo dele e que me faz acreditar com todas as minhas forças que Bleach possuí o melhor começo de qualquer obra Shonen de todos os tempos, pessoalmente falando. A Maneira como a história progressivamente vai nos construindo uma figura que sente a falta daquele sentimento materno ao seu lado, cresceu com arrependimentos mas que são pincelados de maneira muito sútil entre conversas dos personagens dentro de sua casa até chegar enfim o episódio onde ele nos colocará para conhecer aquela família mais afundo pela perspectiva do protagonista, saber o que realmente aconteceu e recebemos uma tremenda facada.

Eu não sei quanto a vocês, mas a última coisa que eu estava esperando na minha época assistindo Bleach e que colidiu exatamente com o mesmo momento que eu comecei a criar um maior interesse por leitura de quadrinhos e mangás japoneses, era que a série fosse fazer o confronto que ela faz com o protagonista de uma maneira tão crua. Ainda é um Shonen de porradaria, porém os questionamentos e simbologias que ela realiza para fazer o personagem enfrentar seus medos naquele momento são de maneiras tão sublimes que ainda por cima, auxilia na conexão entre os personagens principais ao menos início da obra, Kurosaki Ichigo e Kuchuki Rukia. E não satisfeito, Kubo como de costume em seus lançamentos de volumes, ele sempre traz uma poesia que contextualiza não somente o sentimento dentro daqueles capítulos como o de alguns personagens. Em destaque, o volume nesse caso traz uma frase de Inoue Orihime mas que faz muito mais sentido quando colocada no sentido por trás tanto do passado, quanto do que Ichigo sente no presente ao ser confrontado por ele. “Se eu fosse a chuva, poderia unir meu coração de um outro alguém? Assim como ela une os eternamente distantes céu e terra.” essa frase não somente diz muito sobre as conexões de Ichigo e sua mãe no dia em que a própria faleceu, como também se correlaciona com o dia em que esse embate do passado e seu atual estado de pessoa ocorrem. A Chuva, como descrita na frase, pode ser interpretada – e foi assim que eu interpretei, como sendo uma ferramenta que uniu os personagens naquele momento para transportar o leitor dentro do sentimento triste e melancólico que o protagonista está passando e o quão significativo e pesado para ele aquilo é. É, sem sombra de dúvidas, um dos momentos que mais me marca em Bleach e é bom, ao menos no meu ponto de vista, que esse confronto tenha acontecido cedo na obra. É uma pena que, infelizmente, toda essa conexão não se torna absolutamente nada no futuro devido a perca de mão do autor.

Bleach: Memories of Nobody é o primeiro filme que saiu da série aos cinemas, trazendo uma história nova que se situava teoricamente após os eventos já concluídos do arco da Soul Society. Escrito por Masashi Sogo, nós temos a apresentação de uma personagem original chamada “Senna” – que por sinal, mesmo sendo uma personagem filler, é a minha personagem favorita de Bleach. E a cena que me impactou e me fez transportá-la para a terceira posição dos meus cinco melhores momentos de Bleach é justamente o seu final e pelo quão simbólico ele acaba sendo e até mesmo pena direção e a sua execução que, mesmo sendo um clichê já conhecido por conta da personagem feminina novamente precisar ser salva pelo protagonista masculino, eu senti uma honestidade e não-pudor de desenvolvimento entre os personagens Ichigo e Senna. Todo o processo do filme que eles estiveram juntos, observando coisas sob perspectivas diferentes de um mesmo ponto e a simbologia daquela figura calma e pacífica que quer se sentir livre dentro daquele mundo mesmo ainda buscando suas memórias, em contraste com aquela outra figura que já está estabelecida com aquilo mas que consegue encontrar um tipo de beleza naquilo ao seu redor, diante dos olhos daquela a sua frente.

Romance? Pelo contrário, sinto uma honestidade sendo descrita na construção de amizade que a narrativa do filme quer passar entre os dois. Justamente pelo tempo que eles passam juntos, compreendendo mais um do outro e pela primeira vez em muito tempo nós vermos o protagonista Ichigo tendo uma motivação que possa ser simpatizada já que o filme passada um bom tempo unindo os personagens para depois nos presentear com a batalha e o último momento deles dois no encerramento antes de subir os créditos: Eu achei genuinamente muito bons e algo que raramente Bleach conseguiu fazer que é a construção narrativa de relacionamentos acontecer de uma maneira natural e progressiva, onde com poucas palavras e apenas na maneira que aqueles personagens interagem entre si, você conseguir compreender como eles pensam e como funciona a dinâmica divertida entre eles e o porque deles terem se conectado tão facilmente.

Esse talvez vai ser o momento mais difícil de se explicar, pois está explícito a ser uma ferramenta de roteiro que eu talvez posso ser ousado o suficiente em dizer que nunca antes fora feito – ao menos eu não conheço, na história de qualquer mangá. E principalmente: De uma maneira original e condizente com o trabalho que esse autor já tenha feito antes. Eu, mais uma vez, optarei por não dar spoilers e acredito que todos que estão acompanhando ou decidiram acompanhar Bleach, devem ter chegado até esse momento icônico que é o resultado da morte de um personagem onde o seu encerramento ficou conhecido como somente uma folha em branco escrito: “Coração”. A Ideia não somente condiz com todos os questionamentos existenciais que esse personagem realiza invariavelmente ao longo da obra, tanto durante os momentos calmos e pacíficos, quanto em seus momentos de combate, mas ela também condiz com a última brincadeira narrativa executada com ele em seus últimos momentos de vida quando ele finalmente entende para si próprio, o conceito de “Coração”.

Durante alguns capítulos do mangá, após esse personagem ter sido o responsável pela captura de uma personagem importante para o nosso protagonista, ele é o responsável por ficar de olho nessa pessoa e em seus curtos momentos juntos ele realiza questionamentos sobre sentimentos, sobre pensamentos, questionamentos em si e qual a origem que se tira deles, qual a fonte para esses conceitos surgirem. E em dado momento, ele até mesmo questiona o que é o “Coração” – lembrando que em Português ou até mesmo em outras línguas, “Kokoro” não significa somente o “Órgão” coração, ele engloba muitos e diversos significados na cultura japonesa, incluindo “mente”, “espírito”, “alma” e variáveis, dependendo muito do contexto onde ela será utilizada. O que torna esse momento importante? É o quão bem executado ele seria, se fosse utilizado em um arco que fosse inteiramente desenvolvido para esse personagem e não dentro de um contexto que eu só posso descrever como sendo o início ou o meio de uma Guerra que está para acontecer e que não tem lugar para esse momento acontecer. É o único momento que eu consigo olhar para Tite Kubo e dizer: “Você QUASE foi um gênio. Chegou muito perto, só faltou contexto.” e é a falta de contexto em executar uma cena que pode tirar o seu impacto em geral. Algo que, inclusive…

… ele já fez antes, e que inclusive, é o meu momento preferido de toda a série Bleach e até mesmo o melhor momento de traição não somente para um personagem mas também para o leitor que eu já vi na minha vida em qualquer mangá, ultrapassando até mesmo o famoso momento de Berserk. Novamente, sem spoilers, mas temos um momento onde a situação de um personagem querido não somente para o público mas para aqueles que vieram o salvar, está correndo risco de vida e falta muito pouco tempo para que ele seja levado ao seu lugar de execução para que pagasse por crimes que aquela sociedade considerava como algo deveras alto. Problemas Políticos, Conspirações e outros problemas de fora, nós temos a apresentação de uma figura neutra para mal, onde não conseguimos decifrar corretamente quais são os pensamentos que cobrem sua mente, porque cada decisão que ele toma é nebulosa os objetivos. E passamos esse arco inteiro acreditando que ele desejava algo, quando na verdade um Plot Twist futuro acaba quebrando essas expectativas. Porém, ele já havia executado algo similar antes. Inclusive, contra o leitor/telespectador.

Não descreverei mais como ele executa esse momento de traição, mas para você que está lendo esse artigo e assistiu ou leu, sabe que Ichimaru Rin presenteou um dos momentos mais odiosos da história de Bleach, onde de um vilão, ele se torna a figura mais maléfica do mangá, pelo quão destrutivo suas palavras acabam sendo ao brincar com as expectativas de que aquela figura que nós queríamos ver viva a todo custo, talvez estivesse uma esperança. Ela talvez ainda pudesse ser capaz de se ver livre daquela prisão que o destino a colocou e ser, mais uma vez, livre para que pudesse voltar para seus amigos. Mas… não. Isso não acontece. E esse momento, o seu impacto – tanto no leitor quanto na personagem, é de alguém que já havia aceitado a sua morte, é levado ao pico das esperanças, para ser mais uma vez derrubado ao fundo do poço e sentir o agonizante medo mais uma vez. É, definitivamente, o meu momento FAVORITO de Bleach em disparado.

Espero que vocês tenham gostado e que eu tenha conseguido convencer vocês desses momentos que para mim são muito memoráveis e genuinamente muito bons em Bleach, seja no mangá quanto na produção do seu anime que ainda ganhará uma análise dedicada inteiramente envolvendo aos relacionados na produção, o processo de dublagem, a animação e o cuidado e carinho quanto a produção desse anime que, tirando os fatores que nos deixam triste em relação a essa obra que gradativamente foi caindo na opinião de muitos, eu incluso, é talvez uma das melhores produções de anime que eu já vi em toda a minha vida e que provavelmente, talvez nunca, encontraremos mais uma vez. Ficaremos no aguardo para que eu esteja mentindo e que eu possa encontrar diversos exemplos não somente passados, como principalmente atuais. Afinal de contas, por mais que eu odeie essa mídia de animes, eu adoraria ver ela seguindo os trilhos corretos e que eu possa ter orgulho de gostar dessa mídia em vez de apenas uma pequena porcentagem das suas produções. Mas, enfim leitores, se vocês não gostaram desses cinco momentos, por favor, deixe os seus nos comentários e se não tiver nenhum, vamos conversar sobre Bleach de uma maneira educada, por favor.

Até a Próxima!

Point Blank (PB)