Quantas vezes já voltaste a ver o primeiro episódio de um anime só porque sim? Não por obrigação, não para refrescar a memória antes de começar uma nova temporada, mas porque aquele episódio específico tinha algo de especial.
10Oshi no Ko
Chamar a isto um “primeiro episódio” quase não faz justiça. São 82 minutos que adaptam o volume inteiro do mangá e funcionam como um filme completo. A história começa de forma bizarra, com reencarnação e comédia estranha, depois aquece com momentos familiares genuínos, e termina num registo completamente diferente que muda tudo o que achávamos saber sobre a série. Ai Hoshino é o centro emocional deste episódio gigante, e na segunda visualização começas a reparar em pequenos gestos, olhares e frases que ganham um peso completamente diferente. É daquelas experiências que podes revisitar como se fosse um filme independente, e funciona perfeitamente assim.
9Jujutsu Kaisen
O episódio de estreia, que chegou em outubro de 2020, tinha uma missão clara, fazer-nos gostar de Yuji Itadori em 24 minutos. E consegue. Começas a conhecer um miúdo normal que é bom em desporto mas não tem grande direção na vida, até que um dedo amaldiçoado vem baralhar tudo. O episódio salta entre momentos descontraídos de clube escolar e cenas de terror genuíno quando as maldições aparecem a sério. A animação do estúdio MAPPA já brilha aqui, com criaturas que se movem de formas perturbadoras mas hipnotizantes. É um equilíbrio perfeito entre humor, ação e drama que nunca envelhece, seja para recordar como tudo começou ou simplesmente para apreciar um primeiro episódio bem feito.
8Puella Magi Madoka Magica
À primeira vista, não acontece grande coisa neste episódio. Madoka tem um sonho estranho, vai à escola, conhece uma menina nova, vê uma criatura fofa chamada Kyubey. Tudo muito tranquilo, muito magical girl clássico. Mas é exatamente essa calma que torna a segunda visualização tão perturbadora. Quando já sabes o quão cruel este universo realmente é, cada cena inocente ganha uma camada de tensão. Os avisos de Homura deixam de parecer dramáticos e passam a fazer sentido total. Aquele sonho inicial transforma-se num prenúncio arrepiante. É como ver um filme de terror pela segunda vez e reparar em todos os sinais que estavam lá desde o início.
7Steins;Gate
Este primeiro episódio é propositadamente confuso. Okabe não para de falar sozinho sobre conspirações, arrasta a Mayuri para todo o lado, invade uma conferência, e de repente o dia parece… reiniciar? Na primeira vez que vês, pode parecer um bocado caótico e difícil de seguir. Mas é aí que está a genialidade, quando voltas a ver já sabendo o que se passa, tudo faz sentido. Consegues identificar exatamente quando é que o tempo mudou, quais as mensagens que importam, que detalhes eram pistas. O episódio transforma-se num puzzle satisfatório de resolver, e como passa muito tempo só a desenvolver as personagens em vez de explicar tudo ao pormenor, continua a ser divertido mesmo depois de conheceres todos os segredos.
6Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba
Poucos primeiros episódios conseguem ser tão devastadores quanto este. Tanjiro é um rapaz simpático que vende carvão para ajudar a família. E depois, em menos de meia hora, quase todos morrem e a irmã transforma-se num demónio. É brutal, é direto, e funciona porque as cenas iniciais fazem questão de mostrar como ele se preocupa com todos. Quando regressa a casa e encontra o massacre, dói mesmo. A aparição do Giyu e a decisão de poupar a Nezuko acontecem num ritmo certeiro. Este episódio, que estreou em abril de 2019, é um exemplo perfeito de como criar um gancho emocional forte logo no arranque. Funciona sozinho como uma história completa e como porta de entrada para tudo o que vem depois.
5Made in Abyss
Este episódio engana pela aparência. Parece uma aventura fofa sobre miúdos a explorar um mundo de fantasia, com cenários bonitos e personagens adoráveis. Riko e os amigos vivem numa cidade construída à volta de um buraco gigante chamado Abyss, e o episódio passa-se sobretudo a apresentar este sítio e as suas regras. Tudo muito tranquilo, tudo muito inocente. Mas há frases soltas, comentários de adultos, referências à “maldição” do Abyss que deixam um desconforto subtil no ar. Quando voltas a ver já sabendo o quão sombria a série se torna, percebes que os sinais estavam todos ali. É um episódio que parece uma coisa à primeira vista e revela-se outra completamente diferente à segunda.
4Cowboy Bebop
Asteroid Blues é provavelmente um dos episódios de anime mais cool alguma vez feitos. Spike e Jet perseguem um criminoso até uma colónia espacial cheia de pó e desespero, cruzam-se com a namorada dele, e tudo termina de forma inevitável. O episódio não perde tempo a explicar como funciona o mundo ou a tecnologia, simplesmente atira-te para dentro dele. A confiança na realização é impressionante, a música jazz, o ritmo da montagem, a forma como as personagens se movem e falam. É tudo tão atmosférico que consegues voltar a ver só para estar ali durante 20 minutos. Não precisas de enredo complicado quando tens estilo assim.
3Neon Genesis Evangelion
Angel Attack é daqueles episódios que já foi dissecado ao milímetro por fãs durante décadas. Atira-te para Tóquio-3 durante um ataque de um Anjo, apresenta-te ao Shinji e mete-o dentro de um Evangelion sem grande cerimónia. Há jargão militar, imagens estranhas, pessoas a gritar umas com as outras, e quase nenhuma explicação sobre o que se está a passar. Na primeira vez, a grande questão é se o miúdo vai entrar no robô ou não. Na segunda, começas a reparar noutras coisas, a linguagem corporal do Gendo, o estado da Rei no hospital, pequenos detalhes visuais que antecipam o que vem depois. É um episódio denso que recompensa atenção e múltiplas visualizações.
2Death Note
Em 20 minutos, este episódio conta uma história completa de como um bom aluno se transforma num assassino em série com complexo de deus. Light encontra o Death Note, testa-o, duvida, testa outra vez, e rapidamente convence-se de que pode “limpar” o mundo. O ritmo é apertado, o monólogo interno é calculado, e consegues ver exatamente quando é que ele cruza a linha. O mais interessante numa segunda visualização é reparar como ele já está a mentir à família e a si próprio logo no primeiro dia. O episódio funciona como origem de vilão, como thriller moral, e como preparação para o jogo de gato e rato que domina a série. Saber o final só torna mais satisfatório ver os primeiros passos da queda.
1Attack on Titan
Este é provavelmente dos episódios de estreia mais icónicos do anime moderno. A série apresenta-te um mundo aparentemente seguro dentro de muralhas gigantes, mostra-te três miúdos a sonhar com aventura, e depois destrói tudo quando o Titã Colossal aparece. A construção é lenta e deliberada, o que faz o impacto ser ainda maior. Numa segunda visualização, as cenas iniciais de Eren, Mikasa e Armin junto ao rio parecem quase dolorosas porque sabes o que vem a seguir. Cada momento de tranquilidade ganha um peso novo. É um episódio que equilibra perfeitamente apresentação, choque e desenvolvimento de personagens, e continua intenso do início ao fim não importa quantas vezes o vejas.










