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    Brasileiro detido duas vezes no Japão por contrabando de cocaína do Brasil

    Aumento de casos de contrabando de droga envolvendo brasileiros no Japão

    polici monster screenshot

    A polícia japonesa deteve novamente um empresário brasileiro de 50 anos suspeito de estar envolvido em dois casos distintos de contrabando de cocaína do Brasil para o Japão. Julio Henrique Date Miyahira, residente na cidade de Tsu, na província de Mie, enfrenta acusações de violação da Lei de Controlo de Narcóticos após autoridades alfandegárias terem descoberto aproximadamente 3 quilos de cocaína escondidos numa bagagem no Aeroporto Internacional de Kansai.

    Na terça-feira, 7 de janeiro, agentes da Delegacia de Polícia de Suzuka detiveram Miyahira. O suspeito é acusado de conspirar com um indivíduo não identificado para contrabandear a droga do Brasil para um cúmplice na cidade de Suzuka a 7 de novembro de 2025.

    A cocaína apreendida tem um valor de mercado estimado em 75 milhões de ienes, cerca de 460 mil euros, segundo informações policiais. As autoridades não revelaram se o suspeito admitiu as acusações.

    De acordo com a polícia, funcionários da alfândega inspecionaram a bagagem à chegada ao Aeroporto Internacional de Kansai, em Osaka, e descobriram a cocaína escondida num saco de proteína. Este método de ocultação tem sido cada vez mais utilizado por redes de tráfico que operam entre o Brasil e o Japão.

    Padrão repetido de contrabando

    Esta não é a primeira vez que Miyahira é detido por tráfico de droga. O suspeito tinha sido detido pela primeira vez em dezembro passado por contrabando de cocaína usando um método semelhante em outubro de 2025.

    A polícia acredita que o suspeito tem cúmplices tanto dentro como fora do Japão. As autoridades policiais e alfandegárias estão a investigar possíveis ligações a organizações de tráfico de droga mais amplas que operam entre a América do Sul e o arquipélago japonês.

    A alfândega e a polícia da província de Mie continuam a investigação, procurando identificar outros membros da rede de contrabando. A investigação encontra-se a cargo da divisão de controlo de narcóticos da polícia local, que trabalha em conjunto com as autoridades alfandegárias para desmantelar rotas de tráfico internacional.

    Brasil como hub estratégico de cocaína no Japão

    O caso de Miyahira insere-se num contexto mais amplo de tráfico de cocaína proveniente do Brasil. Segundo dados de organizações internacionais, apesar de não ser produtor, o Brasil mantém-se como um hub estratégico para o transbordo e tráfico de drogas ilícitas tanto a nível doméstico como através de fronteiras aéreas e marítimas para mercados consumidores ou intermediários na Europa, África e Ásia.

    Entre 2017 e 2022, o Brasil ficou atrás apenas da Colômbia como principal país de origem de cocaína intercetada pelas autoridades policiais em todo o mundo, embora apenas cerca de 5% da quantidade global tenha sido apreendida no país.

    Aumento de casos envolvendo brasileiros no Japão

    O Japão tem registado um aumento significativo de casos de contrabando de cocaína envolvendo cidadãos brasileiros. Em outubro de 2025, a polícia de Osaka deteve dois brasileiros por contrabando de cocaína após terem engolido mais de 150 cápsulas contendo a droga, num total de 1,5 quilos.

    No início de janeiro de 2025, a polícia metropolitana de Tóquio anunciou a detenção de dois homens brasileiros por alegado contrabando de grandes quantidades de cocaína dentro dos seus sistemas digestivos. Num dos casos, a apreensão foi a maior alguma vez registada em Tóquio, com 165 cápsulas de cocaína pesando um total de 1.320 gramas.

    Um dos suspeitos detidos em Tóquio descreveu às autoridades como foi forçado a engolir a droga. “Uma mulher apresentou-me a um trabalho. Então, segui-a. Num hotel em São Paulo, no Brasil, ela ameaçou matar-me, por isso engoli [a cocaína]. Ouvi gritos e choros de ‘estou a engolir [a cocaína], por isso não me batam’ dos quartos circundantes no mesmo hotel”, declarou o suspeito.

    Métodos variados de contrabando

    As autoridades japonesas têm identificado diversos métodos utilizados por redes de tráfico para introduzir cocaína no país. Para além da ingestão de cápsulas, que continua a ser um método comum, os contrabandistas recorrem cada vez mais à ocultação da droga em produtos alimentares, suplementos e bagagens.

    Em junho de 2025, funcionários da alfândega de Osaka detiveram uma brasileira de 35 anos por tentativa de contrabando de cocaína após ter engolido mais de 70 sacos de borracha contendo a droga. Um exame de raios-X numa instituição médica revelou um total de 74 sacos de borracha contendo em média 7,8 gramas de cocaína dentro do seu corpo.

    De acordo com a alfândega de Osaka, aquele foi o quinto caso desde dezembro anterior em que alguém foi detido por tentativa de contrabando de cocaína do Brasil dentro do sistema digestivo. Os funcionários alfandegários continuam a investigação, acreditando que uma organização internacional de contrabando está por detrás dos casos.

    Rotas marítimas e aéreas sob vigilância

    O contrabando de cocaína do Brasil tem-se intensificado nos últimos anos, com quantidades crescentes apreendidas dentro de navios e dos seus cascos, além de contentores marítimos. Informação da Japan P&I Club indica que todos os portos brasileiros são vulneráveis a ameaças de contrabando de droga em graus variados.

    A droga mais comum enviada de portos brasileiros é a cocaína. Os contentores permanecem o método preferido para transportar grandes quantidades de cocaína do Brasil, mas a droga tem sido descoberta em volumes crescentes dentro de navios, compartimentos de carga, espaços de convés ou fixada aos cascos e estruturas abaixo da linha de água.

    Entre janeiro de 2020 e dezembro de 2023, 12 toneladas de cocaína foram apreendidas de cofres marítimos de 70 navios de carga. Em 2023, foram apreendidas 143 toneladas de cocaína em operações diversas.

    As autoridades japonesas mantêm vigilância apertada nos principais pontos de entrada aérea, particularmente nos aeroportos internacionais de Kansai, Haneda e Narita, onde a maioria dos voos provenientes do Brasil aterra. A cooperação internacional entre polícias e alfândegas tem sido crucial para identificar e intercetar carregamentos suspeitos.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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