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    Nintendo vigia de perto explosão dos preços da RAM e impacto das tarifas na Switch 2

    Shuntaro Furukawa admite volatilidade do mercado de memórias mas garante que não há impacto imediato nos lucros da empresa

    Nintendo Switch 2 - Box

    A crise global de RAM provocada pela fome de inteligência artificial está no radar da Nintendo. O presidente da empresa, Shuntaro Furukawa, confirmou numa entrevista ao jornal japonês Kyoto Shimbun que a companhia acompanha atentamente a escalada dos preços das memórias e o impacto das tarifas comerciais, embora recuse comentar eventuais aumentos de preço da Switch 2.

    A entrevista abordou os desafios que a Nintendo enfrenta com margens de lucro mais reduzidas na Switch 2 em comparação com a consola original, lançada em 2017.

    Quando questionado sobre as dificuldades em manter a rentabilidade da Switch 2, Furukawa explicou que múltiplos fatores influenciam os resultados financais do hardware.

    A rentabilidade do hardware depende de fatores como condições de aquisição de componentes, reduções de custos através da produção em massa e o impacto das taxas de câmbio e tarifas. É difícil generalizar. Fundamentalmente, pretendemos abordar isto avançando com a aquisição de componentes a médio e longo prazo“.

    O presidente da Nintendo reconheceu que o aumento rápido do custo da RAM, principalmente atribuído aos centros de dados de IA que compram quantidades massivas deste componente e criam escassez no mercado, representa uma preocupação caso a tendência se mantenha. A empresa Micron, um dos principais fabricantes de memórias, abandonou completamente o mercado de consumo no final de 2025 para se dedicar exclusivamente ao setor de inteligência artificial.

    “Adquirimos componentes aos fornecedores com base nos nossos planos de negócio a médio e longo prazo, mas o mercado de memória atual está muito volátil”, explicou Furukawa. “Não há impacto imediato nos lucros, mas é algo que devemos monitorizar de perto”.

    Esta abordagem de planeamento a longo prazo coloca a Nintendo numa posição mais favorável do que muitos concorrentes. A estratégia de aquisição da empresa permitiu-lhe acumular stocks de segurança suficientes para resistir à tempestade atual. No entanto, se a crise se prolongar além de 2026 como prevê a Micron, essa proteção pode revelar-se insuficiente.

    Tarifas já provocaram perdas de dezenas de milhares de milhões de ienes

    Para lá da questão da RAM, as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Japão representam outro obstáculo significativo. Furukawa revelou que no início do ano fiscal a Nintendo projetou um impacto negativo de várias dezenas de milhares de milhões de ienes como resultado das tarifas, confirmando que esse impacto se verificou efetivamente na primeira metade do ano.

    A política da empresa quanto a este tema não deixa margem para dúvidas. “Embora seja difícil avaliar com precisão o impacto futuro, a nossa política básica é reconhecer as tarifas como um custo e transferi-las para os preços tanto quanto possível, não apenas nos EUA”, afirmou o presidente.

    Furukawa temperou esta declaração com uma nota estratégica: “Por outro lado, este é um período crucial para o nosso negócio de jogos à medida que promovemos a adoção de novo hardware e mantemos o momentum das nossas plataformas. Estamos a trabalhar nisto enquanto consideramos cuidadosamente a situação”.

    Aumentos históricos na Switch original

    A estratégia de proteção da Switch 2 teve um custo: em agosto de 2025, a Nintendo subiu os preços da Switch original nos Estados Unidos, invocando condições de mercado. O modelo OLED passou de 349 para 399 dólares, a Switch standard de 299 para 339 dólares e a Switch Lite de 199 para 229 dólares.

    Esta decisão surpreendeu a indústria. Tradicionalmente, consolas no final do ciclo de vida tornam-se mais baratas, não mais caras. A PlayStation 3 e a Nintendo 3DS são exemplos de como as empresas costumam baixar preços para aumentar vendas antes da descontinuação. Ver a Switch original a subir de preço oito anos após o lançamento representa um fenómeno sem precedentes.

    A Nintendo parece ter antecipado a escassez de componentes e tomou medidas preventivas, à semelhança do que também foi relatado sobre a Sony. Esta preparação explica por que razão, ao contrário de muitos fabricantes de PC, a Nintendo consegue manter preços estáveis a curto prazo.

    Nintendo Switch 2 - Visual

    Cenário futuro permanece incerto

    Apesar das garantias sobre o impacto imediato, Furukawa recusou-se a comentar a possibilidade de aumentos futuros no preço da Switch 2. Quando pressionado sobre se a empresa poderia subir preços dependendo dos custos de aquisição futuros, o presidente respondeu que tal era hipotético e não podia comentar.

    A cautela é compreensível. A indústria de semicondutores enfrenta um momento de transformação profunda. A Samsung, SK Hynix e Micron redirecionaram volumes enormes de produção para centros de dados de IA, provocando escassez no mercado de consumo. Analistas da indústria preveem que a crise pode prolongar-se até 2028, período durante o qual os stocks de segurança da Nintendo se podem esgotar.

    O contexto geopolítico adiciona outra camada de incerteza. As tarifas impostas pela administração Trump sobre o Japão atingiram 15% em alguns produtos, forçando a Nintendo a repensar a estrutura de preços. A empresa transferiu a maior parte da produção de hardware para o Vietname, mas esse país também foi alvo de tarifas de 20%.

    A Switch 2 vendeu mais de 6 milhões de unidades nas primeiras sete semanas após o lançamento em junho de 2025, com procura a exceder a oferta em algumas regiões. Manter este momentum sem aumentar preços representa um desafio delicado que a Nintendo terá de gerir nos próximos meses, equilibrando pressões económicas externas com a necessidade de não afastar consumidores numa fase crítica de adoção da nova consola.

    O silêncio estratégico de Furukawa sobre aumentos futuros sugere que todas as opções permanecem em cima da mesa, dependendo da evolução do mercado de memórias e das tarifas.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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