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    YouTube permite aos pais bloquear completamente o acesso dos adolescentes aos Shorts

    YouTube introduz controlos parentais inéditos que dão aos encarregados de educação poder total sobre o tempo que os jovens passam em vídeos de formato curto

    YouTube logo HD

    O YouTube anunciou uma série de novos controlos parentais focados especificamente no tempo que crianças e adolescentes passam a ver Shorts, o equivalente do YouTube aos TikToks ou Instagram Reels. A funcionalidade mais significativa permite que pais e encarregados de educação definam limites temporais para o consumo deste tipo de conteúdo, incluindo a opção de bloquear completamente o acesso aos Shorts nas contas supervisionadas.

    Jennifer Flannery O’Connor, vice-presidente de gestão de produto do YouTube, descreveu a medida como pioneira na indústria: “Esta é uma funcionalidade inédita na indústria que coloca os pais firmemente no controlo da quantidade de conteúdo de formato curto que os seus filhos veem”.

    As mudanças chegam num momento em que plataformas de redes sociais enfrentam pressão crescente de famílias, grupos de defesa e legisladores preocupados com o impacto do tempo de ecrã na saúde mental dos jovens. A capacidade de deslizar infinitamente por vídeos curtos tem sido apontada como particularmente viciante para adolescentes, e o YouTube está agora a dar aos pais ferramentas concretas para intervir.

    Controlo granular sobre os Shorts

    A nova funcionalidade de temporizador para Shorts oferece flexibilidade significativa aos pais. Através das contas supervisionadas, os encarregados de educação poderão definir limites diários que variam entre duas horas e zero minutos, bloqueio total.

    Esta abordagem contextual reconhece que as necessidades variam consoante a situação. Durante períodos de estudo ou trabalhos escolares, os Shorts podem representar uma distração constante. Num cenário de viagem ou tempo livre, o mesmo conteúdo pode servir como entretenimento legítimo. O sistema permite que os pais ajustem estas definições conforme necessário, em vez de impor uma regra única e rígida.

    O que distingue verdadeiramente esta funcionalidade é a capacidade de a tornar não-dispensável. Ao contrário de sistemas anteriores onde os adolescentes podiam simplesmente ignorar lembretes ou avisos, os controlos parentais implementados pelos encarregados de educação não podem ser contornados pela criança. Quando o tempo termina, o acesso aos Shorts termina, sem negociações possíveis através da interface.

    Complementando os controlos sobre Shorts, o YouTube ativou por defeito os lembretes de pausa e hora de deitar para todos os utilizadores entre os 13 e os 17 anos. Estas funcionalidades já existiam anteriormente mas eram opcionais; agora tornaram-se padrão para contas de adolescentes.

    Os pais de contas supervisionadas terão ainda a capacidade de personalizar estes lembretes, adaptando-os aos horários e rotinas específicas de cada família. Estas funcionalidades também estão disponíveis para adultos que optem por definir os seus próprios limites e lembretes, reconhecendo que a gestão saudável do tempo de ecrã não é apenas uma questão pediátrica.

    A ativação por defeito é significativa. Em vez de exigir que os pais ou adolescentes procurem ativamente estas opções nas definições, o YouTube assume uma postura proativa ao implementá-las universalmente para o grupo etário vulnerável. Esta mudança reflete uma evolução na filosofia da plataforma sobre responsabilidade corporativa.

    Recomendações focadas em conteúdo educativo

    Paralelamente aos controlos técnicos, o YouTube está a implementar novos princípios de recomendação destinados a direcionar adolescentes para conteúdo “mais apropriado à idade e enriquecedor”, nas palavras da empresa.

    Concretamente, a plataforma irá sugerir com maior frequência vídeos de criadores educativos. Esta mudança algorítmica pretende inclinar o tipo de conteúdo que os adolescentes encontram na sua página inicial e recomendações automáticas.

    O YouTube desenvolveu estes princípios em colaboração com o seu comité consultivo juvenil, o Center for Scholars and Storytellers na UCLA, a Associação Psicológica Americana, o Digital Wellness Lab no Boston Children’s Hospital e outras organizações especializadas. A empresa também criou um guia para criadores de conteúdo sobre como produzir vídeos apropriados para adolescentes.

    Esta abordagem multi-stakeholder procura equilibrar os interesses comerciais da plataforma, que depende de visualizações e engagement, com responsabilidades éticas sobre o desenvolvimento saudável dos jovens. Resta saber quão eficaz será esta recalibração algorítmica quando confrontada com a realidade de que conteúdo sensacionalista tipicamente gera mais cliques do que vídeos educativos.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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