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    InícioAnime20 animes modernos que tens de ver antes de morrer

    20 animes modernos que tens de ver antes de morrer

    O Otakomu publicou um ranking com as produções consideradas “divinas” da era Reiwa, período que começou em 2019 e marca uma nova fase na indústria de animação japonesa.

    20
    Dandadan

    Dandadan EVIL EYE visual

    O mais recente a entrar nesta lista é também um dos mais vibrantes. Produzido pelo estúdio Science Saru e estreado em outubro de 2024, Dandadan rapidamente conquistou uma base de fãs dedicada através da sua energia frenética e premissa absolutamente louca. A história segue Momo, uma jovem que acredita em fantasmas mas não em alienígenas, e Okarun, um rapaz com crenças exatamente opostas. Quando ambos decidem provar quem tem razão, acabam mergulhados num mundo onde tanto espíritos como extraterrestres são reais.

    O que torna este anime especial é a forma como mistura géneros sem qualquer pudor. Num momento estás a rir com situações absurdas e piadas completamente descaradas, no seguinte estás no meio de uma sequência de ação visualmente impressionante. O estúdio Science Saru, responsável por Scott Pilgrim Takes Off, trouxe toda a sua artilharia pesada para este projeto, com animação fluida, cores néon vibrantes e um estilo visual que salta constantemente entre técnicas diferentes. A química entre os protagonistas adolescentes é genuína, mostrando inseguranças e crescimento emocional de forma natural, enquanto lutam contra yokai e alienígenas com poderes sobrenaturais recém-adquiridos.

    19
    Villainess Level 99 

    Villainess Level 99 anime 1st visual

    Este isekai de comédia vira o género de pernas para o ar de forma absolutamente hilariante. A premissa é simples mas brilhante: e se a vilã do jogo fosse tão absurdamente poderosa que ninguém a conseguisse incomodar? A protagonista, que reencarna como a antagonista de um jogo otome, decide simplesmente tornar-se tão forte que pode viver em paz sem precisar de seguir o enredo original.

    O resultado é uma desconstrução deliciosa dos tropos habituais de isekai e vilãs. Enquanto a maioria das histórias do género tenta evitar o destino trágico através de manipulação política ou romance, esta série opta pelo caminho mais direto: poder absoluto. A comédia surge naturalmente das situações em que personagens tentam intimidá-la ou enfrentá-la, sem fazerem ideia do fosso de poder que os separa. É refrescante ver um isekai que não se leva demasiado a sério e que encontra humor nas convenções que outras obras seguem religiosamente.

    18
    Dungeon Meshi 

    Dungeon Meshi anime visual 2

    Imagina pegar no género de fantasia e masmorra e perguntar: mas o que é que estes aventureiros comem enquanto exploram? A resposta é Dungeon Meshi, ou Delicious in Dungeon, uma série que transforma monstros de RPG em ingredientes culinários. O grupo de aventureiros, numa corrida contra o tempo para salvar a irmã do protagonista, decide poupar dinheiro e tempo ao cozinhar as criaturas que encontram pelo caminho.

    O que poderia ser apenas uma piada estendida revela-se uma produção meticulosamente construída. Cada monstro é abordado como um ingrediente legítimo, com explicações sobre a sua biologia, preparação adequada e valor nutricional. As receitas são apresentadas com um nível de detalhe que faria qualquer programa de culinária ter inveja. Mas além da gastronomia fantástica, a série destaca-se pela construção de mundo excecional e pela dinâmica entre os personagens. O mangá original já tinha uma base de fãs dedicada, e a adaptação anime fez jus à obra, trazendo as receitas e criaturas à vida com animação cuidadosa e design de produção imaginativo.

    17
    Bocchi the Rock!

    Uma história sobre ansiedade social extrema nunca pareceu tão vibrante e cheia de vida. Bocchi the Rock! acompanha Hitori Gotoh, uma jovem com fobia social tão severa que ela pratica guitarra sozinha no quarto durante anos, sonhando tornar-se numa estrela de rock sem nunca ter interagido com uma banda. Quando finalmente é convidada para tocar num grupo, começa uma jornada tanto musical como pessoal.

    O que eleva esta série acima de outras histórias de “cute girls doing cute things” é a honestidade brutal com que retrata ansiedade. As representações visuais dos pensamentos ansiosos de Bocchi são simultaneamente hilariantes e dolorosamente relacionáveis. O anime não tem medo de mostrar a protagonista em situações genuinamente desconfortáveis, transformando cada pequena vitória social numa conquista monumental.

    A parte musical é tratada com o mesmo cuidado. As performances da banda são animadas com detalhe impressionante, capturando a energia de concertos ao vivo. As músicas originais são genuinamente boas, não apenas bandas sonoras de fundo mas peças que funcionariam por si só. A combinação de comédia relatable, música de qualidade e animação criativa que constantemente experimenta com estilos visuais diferentes tornou Bocchi num fenómeno inesperado de 2022.

    16
    Spy x Family

    Uma família falsa nunca foi tão adorável. Estreado em abril de 2022, Spy x Family conquistou o mundo com a sua premissa única e execução impecável. Twilight, o melhor espião de Westalis, precisa de construir uma família falsa para se infiltrar numa escola de elite e aproximar-se de um político perigoso. O que ele não sabe é que a “esposa” que contrata é na verdade uma assassina profissional, e a filha adotiva é uma telepata que consegue ler mentes.

    A genialidade da série está no contraste entre a missão séria e os momentos quotidianos desta família disfuncional. Loid tenta desesperadamente manter as aparências enquanto Yor se esforça para parecer uma mãe normal apesar de nunca ter tido experiência familiar. Anya, conhecendo os segredos de ambos, tenta ajudar à sua maneira infantil, criando situações simultaneamente tensas e hilariantes.

    A produção conjunta entre Wit Studio e CloverWorks trouxe qualidade visual consistente, com sequências de ação fluidas quando necessário e animação expressiva nos momentos de comédia. Anya tornou-se rapidamente num ícone cultural, com as suas expressões faciais exageradas a gerarem inúmeros memes. Mas além da comédia, a série tem coração genuíno, mostrando como esta família artificial desenvolve laços verdadeiros apesar das mentiras que a fundaram.

    15
    Skip and Loafer

    Skip and Loafer imagem promocional 1º ano anime (1)

    Numa época dominada por anime de fantasia e ação, Skip and Loafer lembra-nos do poder das histórias simples bem contadas. Esta série de slice of life segue Mitsumi, uma menina do campo que se muda para Tóquio para frequentar uma escola de elite. A sua personalidade genuína e ligeiramente desajeitada contrasta com o ambiente urbano competitivo, criando momentos tanto de comédia como de crescimento pessoal.

    O que torna Skip and Loafer especial é a autenticidade. Não há poderes mágicos, não há dramas exagerados, apenas adolescentes a navegar amizades, inseguranças e aspirações. Mitsumi não é perfeita, comete erros sociais, perde-se em Tóquio, luta para se adaptar, mas a sua determinação e bondade natural vão conquistando as pessoas à sua volta.

    A série também se destaca por retratar amizades femininas de forma realista e positiva, sem os ciúmes e dramas artificiais comuns noutras obras. Os personagens secundários são tão bem desenvolvidos como a protagonista, cada um com as suas próprias inseguranças e objetivos. A animação pode não ser a mais espetacular tecnicamente, mas compensa com timing cómico perfeito e expressões faciais que capturam perfeitamente as emoções subtis dos momentos quotidianos.

    14
    Ousama Ranking

    Trailer do 1º episódio de Ousama Ranking

    A primeira impressão engana completamente. Ousama Ranking apresenta um estilo visual que parece saído de um livro infantil, com personagens de design simples e cores vibrantes. Mas esta aparência esconde uma das histórias mais emocionalmente impactantes dos últimos anos. A série segue Bojji, um príncipe surdo e fisicamente fraco que sonha tornar-se o maior rei do mundo, apesar de todos à sua volta o considerarem inadequado para o trono.

    O poder da série está em como subverte expectativas constantemente. Personagens que parecem vilões revelam motivações complexas, e aqueles que aparentam ser aliados escondem agendas próprias. Bojji, apesar das suas limitações físicas, demonstra uma força de caráter e compaixão que lentamente vai conquistando aliados improváveis. A forma como a série trata a sua surdez é respeitosa e integral à narrativa, nunca tratada como algo que precisa de ser “curado”.

    As cenas de ação, quando surgem, são coreografadas de forma criativa, aproveitando as limitações de Bojji para criar estratégias únicas de combate. Mas são os momentos emocionais que verdadeiramente brilham, a série não tem medo de abordar temas pesados como abuso, traição e preconceito. A combinação de estética aparentemente infantil com temas maduros cria um contraste que torna os momentos emocionais ainda mais impactantes.

    13
    To Your Eternity

    To Your Eternity 3 anime visual

    Poucas séries conseguem explorar temas existenciais com a profundidade e impacto emocional de To Your Eternity. A história começa com um ser imortal sem forma que aterra na Terra, capaz de assumir a aparência de coisas e seres que deixam impressões fortes nele. O que se segue é uma jornada através de séculos de história humana, cada arco explorando diferentes períodos, culturas e personagens.

    A premissa permite à série fazer perguntas fundamentais sobre o que significa ser humano. O protagonista, inicialmente sem consciência ou compreensão, vai lentamente aprendendo sobre emoções, relações e mortalidade através das pessoas que encontra. E porque é imortal, é forçado a testemunhar a morte de todos que conhece e estima, criando uma narrativa profundamente melancólica sobre perda e memória.

    A série não poupa os espectadores emocionalmente. Personagens cativantes são introduzidos apenas para terem destinos trágicos, cada morte servindo como lição dolorosa para o protagonista sobre o valor e fragilidade da vida humana. A animação do estúdio Brain’s Base captura tanto momentos de beleza tranquila como cenas de brutalidade visceral. É uma experiência que permanece muito depois dos créditos finais, questionando a natureza da existência e o preço da imortalidade.

    12
    The Quintessential Quintuplets

    The Quintessential Quintuplets visual

    No género de comédia romântica harem, onde um protagonista é cercado por múltiplas pretendentes, a maioria das séries segue fórmulas previsíveis. The Quintessential Quintuplets destaca-se ao introduzir um elemento de mistério genuíno: sabemos desde o início que o protagonista vai casar com uma das cinco irmãs gémeas, mas não qual delas. Esta estrutura transforma o que poderia ser mais uma história genérica numa narrativa envolvente que mantém o suspense até ao final.

    Fuutarou, um estudante brilhante mas socialmente desajeitado, é contratado para ser tutor de cinco irmãs quintuplas que estão em risco de reprovar. Cada uma tem personalidade distinta, a séria, a rebelde, a tímida, a maternal e a infantil, mas todas partilham uma característica: péssimas notas. O desafio de Fuutarou não é apenas académico, mas também emocional, à medida que desenvolve relações únicas com cada irmã.

    O que torna a série refrescante é como trata as cinco irmãs como personagens completas em vez de arquétipos vazios. Cada uma tem inseguranças, sonhos e desenvolvimento próprio que não gira apenas à volta do protagonista. A dinâmica entre as irmãs é tão importante quanto o romance, explorando rivalidade fraterna, apoio mútuo e a pressão de ser sempre comparada com as tuas irmãs idênticas. A animação pode ser inconsistente em alguns momentos, mas a força dos personagens e o mistério central mantêm os espectadores investidos.

    11
    Summer Time Rendering

    Summer Time Rendering volume 1 cover

    Loops temporais são um conceito explorado até à exaustão em anime, mas Summer Time Rendering consegue trazer algo novo à mesa. A história começa quando Shinpei regressa à sua ilha natal para o funeral da sua amiga de infância, apenas para descobrir que a morte dela pode não ter sido acidental. Quando ele próprio morre misteriosamente, acorda no momento em que voltou à ilha, dando início a um ciclo de morte e renascimento.

    O que separa esta série de outras histórias de loop temporal é a forma como usa cada ciclo. Não é apenas o protagonista a tentar evitar mortes ou alterar eventos, há forças activamente a tentar impedir que ele descubra a verdade. A tensão aumenta com cada iteração, com Shinpei a reunir informação fragmentada enquanto entidades sobrenaturais se tornam conscientes das suas tentativas de mudar o destino.

    A série também se destaca pela atmosfera. A ilha aparentemente idílica esconde segredos antigos e ameaças genuinamente perturbadoras. O design das entidades que se fazem passar por humanos é propositadamente inquietante, criando uma sensação constante de paranoia. O mistério é construído em camadas, com revelações que recontextualizam eventos anteriores. A animação consegue capturar tanto a beleza veraneante da ilha como os momentos de horror psicológico, criando uma das experiências de suspense mais intensas do anime recente.

    10
    Jujutsu Kaisen

    Jujutsu Kaisen 3 main visual part 1

    Quando Yuji Itadori engole um dedo amaldiçoado para salvar os seus amigos, não imagina que acabou de se tornar o hospedeiro do Rei das Maldições, Sukuna. Produzido pelo estúdio MAPPA e estreado em outubro de 2020, Jujutsu Kaisen rapidamente se estabeleceu como uma das séries de ação mais intensas da nova geração de shonen. O conceito é relativamente simples: emoções negativas geram maldições, e feiticeiros especializados combatem estas entidades para proteger a humanidade.

    O que eleva Jujutsu Kaisen acima de outros shonen de ação é a execução brutal. As lutas não são apenas espetaculares visualmente, mas têm peso e consequências reais. Personagens morrem, sofrem traumas permanentes e enfrentam derrotas devastadoras. O sistema de poder baseado em energia amaldiçoada e técnicas únicas permite combates táticos onde inteligência importa tanto quanto força bruta. Cada personagem tem habilidades específicas que precisam de ser usadas criativamente, criando batalhas que são verdadeiros puzzles violentos.

    O estúdio MAPPA trouxe toda a sua experiência em sequências de ação para este projeto. As coreografias de combate são fluidas e dinâmicas, com câmara constantemente em movimento e impactos que se sentem através do ecrã. A direção de Sunghoo Park consegue tornar cada luta única, alternando entre estilos visuais e técnicas de animação conforme necessário. Mas além da ação frenética, a série também explora temas mais sombrios sobre o valor da vida, o peso de salvar pessoas e o custo emocional de lutar constantemente contra ameaças sobrenaturais.

    9
    Lycoris Recoil

    Lycoris Recoil teaser visual

    Numa versão alternativa do Japão, a paz é mantida por agentes secretas conhecidas como Lycoris, meninas treinadas desde jovens para eliminar ameaças antes que causem problemas. Chisato e Takina são duas destas agentes que acabam a trabalhar juntas numa cafetaria que serve de fachada para operações. Estreado em julho de 2022, este anime original do estúdio A-1 Pictures tornou-se num sucesso completamente inesperado.

    Chisato é uma anomalia entre as Lycoris, apesar de ser a agente mais habilidosa, ela recusa-se a matar, usando apenas balas de borracha e dependendo de reflexos sobre-humanos para esquivar-se de tiros. Takina, por outro lado, é uma agente modelo seguindo ordens sem questionar até ser transferida para a cafeteria após um incidente. O choque entre estas duas filosofias cria tanto momentos de comédia como reflexões genuínas sobre moralidade e o custo da paz.

    A série equilibra perfeitamente géneros aparentemente incompatíveis. Num momento estás a assistir sequências de ação ao estilo “Gun-Fu” com coreografias impressionantes e tiroteios intensos, no seguinte estás a ver as protagonistas a servir café e a lidarem com clientes excêntricos. Esta alternância poderia ser desconexa, mas funciona porque ambas as facetas servem para desenvolver os personagens. A química entre Chisato e Takina é o coração da série, mostrando como duas pessoas completamente diferentes se complementam e crescem juntas. A animação da A-1 Pictures brilha tanto nas sequências de ação como nos momentos mais calmos, criando uma das produções originais mais memoráveis dos últimos anos.

    8
    The First Slam Dunk

    The First Slam Dunk poster

    Hanamichi Sakuragi e a equipa Shohoku regressam em grande estilo neste filme estreado em dezembro de 2022. O que poderia ter sido apenas nostalgia para fãs da série original de 1990 revelou-se uma obra-prima técnica que redefiniu como anime de desporto pode ser produzido. Takehiko Inoue, criador do mangá original, assumiu total controlo criativo como realizador e argumentista, trazendo uma visão pessoal e madura ao material.

    A decisão mais controversa foi o uso extensivo de CGI para as cenas de jogo. Mas ao contrário de muitas produções que usam animação por computador como atalho, aqui foi uma escolha artística deliberada. O CGI permite capturar a velocidade, fisicalidade e fluidez do basquetebol de uma forma que animação tradicional dificilmente conseguiria. Cada movimento, cada drible, cada salto sente-se pesado e real. As expressões faciais dos jogadores durante momentos de tensão são capturadas com detalhe impressionante.

    A narrativa também toma uma direção inesperada ao focar-se em Ryota Miyagi em vez de Sakuragi. Através de flashbacks emotivos, conhecemos o passado trágico de Miyagi e a motivação por trás da sua paixão pelo basquetebol. Esta escolha dá ao filme uma profundidade emocional que complementa a ação frenética no campo. Para quem nunca viu a série original, funciona como uma história completa sobre superação e trabalho de equipa. Para fãs de longa data, é uma carta de amor ao que tornou Slam Dunk tão especial, provando que clássicos podem ser revisitados com respeito e inovação.

    7
    Mobile Suit Gundam: The Witch from Mercury

    Gundam The Witch From Mercury visual 2

    Pela primeira vez em décadas de história televisiva de Gundam, uma protagonista feminina assume o centro do palco. Suletta Mercury chega à escola Asticassia numa era onde corporações dominam o espaço e duelos de mechas decidem negócios e destinos pessoais. Produzido pelo estúdio Sunrise e estreado em outubro de 2022, The Witch from Mercury prova que a franquia Gundam ainda tem histórias relevantes para contar.

    A série funciona em múltiplas camadas. Na superfície, temos duelos de mechas espetaculares com coreografias que aproveitam o ambiente de gravidade zero para criar batalhas tridimensionais únicas. Mas por baixo está uma história de intriga corporativa, com famílias poderosas a manipularem eventos para ganhar vantagem política e económica. Suletta, inicialmente ingénua e socialmente desajeitada, vai-se apercebendo lentamente das forças que a estão a usar como peão.

    O que torna a série fascinante é como equilibra elementos de escola com drama político pesado. Suletta desenvolve amizades e enfrenta desafios típicos de qualquer estudante, mas simultaneamente está no centro de conspirações que podem mudar o equilíbrio de poder no espaço. A relação dela com Miorine, filha do diretor da escola, evolui de forma orgânica e tornou-se num dos aspectos mais celebrados da série. A animação mantém a qualidade que esperas de Sunrise, com mechas detalhados e combates que misturam estratégia com espetáculo visual. É Gundam para uma nova geração, mantendo os temas anti-guerra da franquia enquanto explora território narrativo fresco.

    6
    Mushoku Tensei: Jobless Reincarnation

    Antes de Sword Art Online popularizar isekai para o mainstream, e antes de inúmeras light novels saturarem o género com variações da mesma fórmula, havia Mushoku Tensei. A light novel original é frequentemente creditada como a obra que estabeleceu os tropos que agora associamos ao género de reencarnação em mundos fantásticos. Quando o Studio Bind finalmente adaptou o material em janeiro de 2021, o resultado foi nada menos que revolucionário.

    A história não romantiza a sua premissa. Um homem de 34 anos, desempregado, sem esperança e com tendências questionáveis, morre e reencarna como Rudeus Greyrat num mundo de fantasia. Mas ao contrário de muitos isekai onde a reencarnação é apenas um dispositivo de plot conveniente, aqui é explorada com todas as suas implicações perturbadoras. Rudeus mantém as memórias e mentalidade da vida anterior, criando um contraste constante entre a sua aparência infantil e pensamentos de adulto.

    O que separa Mushoku Tensei é a recusa em oferecer soluções fáceis. Rudeus não é subitamente um herói apenas porque está num novo mundo. Os seus defeitos e traumas da vida anterior continuam a assombrá-lo, e a série dedica tempo a mostrar como ele luta (e frequentemente falha) para se tornar uma pessoa melhor. A construção de mundo é meticulosa, com idiomas, culturas, sistemas mágicos e políticas desenvolvidos com cuidado. Cada arco de história tem consequências que reverberam para arcos futuros.

    A produção do Studio Bind estabeleceu novos padrões visuais para o género. Cada episódio tem qualidade cinematográfica, com atenção obsessiva a detalhes em tudo desde animação de personagens até efeitos de magia. As paisagens são pintadas com cuidado artístico que faz o mundo sentir-se vasto e real. É isekai como deveria ser feito, não uma fantasia de poder vazia, mas uma segunda oportunidade genuína com todas as complicações que isso implica.

    5
    The Dangers in My Heart (Boku no Kokoro no Yabai Yatsu)

    The Dangers in My Heart 2 anime main visual

    Romance adolescente em anime raramente é retratado com autenticidade genuína. Ou é exagerado até ao absurdo ou sanitizado até perder qualquer semelhança com experiências reais. The Dangers in My Heart, produzido pelo estúdio Shin-Ei Animation e estreado em abril de 2023, consegue o raro feito de capturar precisamente como é estar naquela idade desconfortável onde não compreendes os teus próprios sentimentos.

    Kyotaro é um rapaz de ensino médio que cultiva uma persona de “personagem perturbado com pensamentos sombrios”. Ele fantasia sobre cenários macabros envolvendo os seus colegas, convencido de que é diferente e mais sombrio que os outros. Mas quando Anna Yamada, a menina mais popular e excêntrica da turma, começa a interagir com ele, as suas defesas cuidadosamente construídas começam a desmoronar-se.

    O brilhantismo da série está nos detalhes subtis. A forma como Kyotaro gradualmente abandona as fantasias edgy à medida que desenvolve sentimentos genuínos. Como Anna, apesar da popularidade, tem as suas próprias inseguranças e excentricidades. Os mal-entendidos que surgem não de plot devices forçados mas de adolescentes genuinamente não saberem comunicar sentimentos complexos. Cada pequeno gesto, um olhar prolongado, sentar-se mais perto, partilhar comida, tem peso porque a série dedica tempo a estabelecer a importância destes momentos.

    A animação usa uma paleta de cores pastel que dá à série uma qualidade quase onírica durante momentos emotivos. As expressões faciais capturam perfeitamente a gama de emoções que passam por adolescentes em segundos. Não há grandes declarações dramáticas ou mal-entendidos que duram temporadas inteiras. É uma história de duas pessoas gradualmente a aprenderem a estar confortáveis uma com a outra, contada com paciência e carinho genuínos pelo material.

    4
    Kaguya-sama: Love is War

    Shinomiya Kaguya é a vice-presidente do conselho estudantil, herdeira de uma família poderosa, uma aluna modelo perfeita. Shirogane Miyuki é o presidente do conselho, um génio académico que alcançou a posição através de trabalho árduo puro. Ambos gostam um do outro. Ambos sabem que o outro gosta deles. E ambos recusam-se absolutamente a confessar primeiro, porque no jogo do amor, quem se declara primeiro perde.

    Esta premissa ridícula, nas mãos do estúdio A-1 Pictures, transformou-se numa das comédias românticas mais inteligentes e cinematicamente ambiciosas dos últimos anos. Cada episódio apresenta “batalhas” onde Kaguya e Miyuki tentam forçar o outro a confessar através de esquemas elaborados que rapidamente espiralam fora de controlo. O que poderia tornar-se repetitivo é constantemente renovado através de criatividade pura e execução técnica excepcional.

    A série trata interações románticas quotidianas como se fossem batalhas de Death Note, com monólogos internos dramáticos, música tensa e mudanças de estilo visual para enfatizar os “stakes” emocionais. Uma conversa simples sobre planos para o fim de semana torna-se numa guerra psicológica em múltiplas camadas. A direção não tem medo de ser absurdamente over-the-top, usando tudo desde referências a filmes de gangsters até animação de ação de alta octanagem para ilustrar o que é essencialmente uma conversa entre dois adolescentes.

    Mas por baixo da comédia está uma história de romance genuína. Vemos ambos os protagonistas crescerem tanto individualmente como juntos, enfrentando inseguranças e traumas familiares que explicam porque têm tanto medo de serem vulneráveis. O elenco secundário é igualmente forte, com cada personagem tendo os seus próprios arcos e desenvolvimento. É uma masterclass em como fazer comédia romântica – hilariante, inteligente, visualmente inventiva e emocionalmente satisfatória.

    3
    Oshi no Ko

    Poucas séries conseguem o que Oshi no Ko alcançou no seu primeiro episódio de 90 minutos. A produção do estúdio Doga Kobo, estreada em abril de 2023, começa como aparentemente uma fantasia leve sobre reencarnação e rapidamente se transforma numa das narrativas mais perturbadoras sobre a indústria do entretenimento alguma vez produzida em anime.

    Gorou é um médico obstetra que admira Ai Hoshino, uma idol adolescente. Quando Ai aparece na sua clínica grávida de gémeos, ele torna-se no médico dela, determinado a protegê-la. Mas eventos trágicos levam a que Gorou e outra paciente reencarnem como os filhos de Ai, Aqua e Ruby. O que se segue não é a história fofa de família que poderias esperar. É um thriller psicológico que expõe sistematicamente cada aspecto podre da indústria idol, televisiva e cinematográfica japonesa.

    A série não tem medo de mergulhar em território desconfortável. Explora como idols são obrigadas a manter personas falsas, como reality shows são completamente manipulados para criar drama, como jovens atores são explorados e descartados. Aqua, mantendo memórias da sua vida anterior, está obcecado com descobrir quem foi responsável pela tragédia que iniciou a sua reencarnação, usando conhecimento do interior da indústria para se infiltrar e investigar.

    O que torna Oshi no Ko especialmente impactante é como equilibra a crítica mordaz da indústria com personagens genuinamente cativantes. Ruby, ao contrário do irmão cínico, persegue o sonho de se tornar idol como a mãe, criando tensão constante sobre se ela vai sofrer o mesmo destino. A animação do Doga Kobo captura tanto a superfície brilhante e atraente do showbiz como a escuridão que espreita por baixo. É uma série que te faz questionar cada programa de televisão que vês, cada idol que segues, perguntando que preço foi pago para criar aquela imagem perfeita.

    2
    Kusuriya no Hitorigoto (The Apothecary Diaries)

    The Apothecary Diaries 2 anime visual

    Maomao tem um problema: ela adora venenos. Como boticária e filha de um médico, ela dedica-se ao estudo de toxinas, antídotos e medicina forense com entusiasmo que beira obsessão. Quando é sequestrada e vendida ao palácio imperial, a sua principal preocupação é manter a cabeça baixa, servir o seu tempo e voltar aos seus estudos. Mas isso torna-se impossível quando começa a notar sinais de envenenamento entre as concubinas do imperador.

    Produzido pelos estúdios OLM e TOHO animation STUDIO e estreado em outubro de 2023, The Apothecary Diaries rapidamente se tornou num fenómeno. A série funciona como um mistério processual, com cada arco apresentando um novo caso que Maomao tem de resolver usando os seus conhecimentos médicos e forenses. Mas ao contrário de outros mistérios de época, esta série destaca-se pela personalidade única da protagonista.

    Maomao não é a heroína típica de anime histórico. Ela é pragmática até ao ponto de ser quase cínica, mais interessada em testar venenos em si própria do que em intriga romántica. A sua abordagem científica e lógica aos problemas do palácio contrasta deliciosamente com as políticas emocionais e superstições que dominam a corte. Quando outras jovens estão preocupadas com beleza e favor imperial, Maomao está a analisar sintomas e a deduzir causas de morte.

    A química entre Maomao e Jinshi, o enigmático eunuco que a recruta para investigar casos, é um dos pontos altos da série. Jinshi está claramente fascinado por esta menina que o trata com indiferença total, enquanto Maomao vê-o principalmente como uma distração inconveniente dos seus estudos. A forma como a relação se desenvolve é gradual e subtil, respeitando a inteligência de ambos os personagens.

    A recriação do palácio imperial chinês é meticulosa, com hierarquias complexas, tradições e políticas que fazem cada caso mais do que apenas um puzzle médico. A série não romantiza a vida no palácio, mostra a crueldade da hierarquia, o desespero das concubinas a competir por atenção, as vidas destruídas por capricho político. A animação captura tanto a beleza opulenta da corte como os cantos mais sombrios onde conspirações são tramadas.

    1
    Kimetsu no Yaiba (Demon Slayer)

    visual primeiro filme de Demon Slayer Kimetsu no Yaiba – Infinity Castle

    No topo indiscutível está a série que mudou a indústria para sempre. Quando o estúdio ufotable adaptou Kimetsu no Yaiba em abril de 2019, ninguém podia prever que estava prestes a testemunhar uma revolução. A história de Tanjiro Kamado é, na superfície, relativamente tradicional, um rapaz que regressa a casa para encontrar a família massacrada e a irmã Nezuko transformada num demónio. Ele jura protegê-la enquanto procura uma cura, tornando-se num caçador de demónios no processo.

    Mas o que ufotable fez com este material elevou a fasquia da animação televisiva a níveis que pareciam impossíveis fora de produções cinematográficas. Cada episódio é tratado como um evento visual, com atenção obsessiva a detalhes em tudo desde efeitos de água e fogo até movimentos de tecido e expressões subtis. As técnicas de respiração dos caçadores de demónios são visualizadas com efeitos que misturam animação digital e tradicional de forma tão integrada que é impossível distinguir onde uma termina e a outra começa.

    O episódio 19 da primeira temporada tornou-se lendário, com a batalha de Tanjiro contra Rui a estabelecer um novo padrão para o que anime de televisão podia alcançar tecnicamente. As cenas viralizaram globalmente, atraindo atenção até de pessoas que nunca tinham visto anime. Mas Demon Slayer não é apenas espetáculo visual vazio, a série tem coração genuíno.

    Tanjiro destaca-se entre protagonistas shonen pela sua gentileza inabalável. Mesmo enfrentando demónios que cometeram atrocidades, ele consegue sentir empatia pelas vidas humanas que eles perderam. Esta compaixão não o torna fraco, ele luta ferozmente quando necessário, mas adiciona profundidade emocional às batalhas. Cada demónio derrotado recebe um momento de humanização, lembrando-nos que foram uma vez pessoas antes de serem corrompidas.

    O elenco de caçadores de demónios, de Zenitsu o cobarde que se torna letal quando adormece, a Inosuke o selvagem criado por javalis, aos Hashira de elite com as suas personalidades e técnicas únicas, cria uma dinâmica de grupo carismática. A relação entre Tanjiro e Nezuko forma o núcleo emocional da série, o amor fraternal deles é tão forte que Nezuko consegue manter humanidade mesmo como demónio.

    Demon Slayer tornou-se um fenómeno cultural que transcendeu anime, provando que quando produção de elite se encontra com narrativa acessível e personagens carismáticos, algo verdadeiramente especial pode emergir.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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