
Com a segunda temporada de Hell’s Paradise em pleno andamento, as especulações sobre a relação entre Gabimaru e Sagiri voltaram a ganhar força entre os fãs. Agora, a diretora Kaori Makita decidiu pôr fim a qualquer dúvida, confirmando que a adaptação do estúdio MAPPA irá respeitar fielmente a essência emocional do mangá original de Yuji Kaku.
A questão não é nova. Desde a primeira temporada que a dinâmica entre o ninja condenado à morte e a sua carrasco tem alimentado debates acesos na comunidade. Numa indústria onde praticamente qualquer interação entre personagens masculinos e femininos tende a evoluir para romance, Hell’s Paradise destaca-se precisamente por recusar esse caminho.
Numa entrevista recente, Makita foi categórica sobre como aborda a dinâmica entre os dois protagonistas. O seu objetivo é que a audiência perceba um vínculo poderoso, mas estritamente platónico, algo raro no género shonen.
“Espero que sintam um laço de confiança que absolutamente nunca se converta em romance, uma relação que não seja simplesmente uma dinâmica direta de homem e mulher”, explicou a diretora.
Esta posição não surge do nada. Em entrevistas anteriores, Makita já tinha deixado clara a sua visão sobre Gabimaru e Sagiri. Numa conversa com a Crunchyroll durante o Anime Expo 2023, a diretora afirmou: “Desde o início, vi a relação deles mais como companheiros. É diferente de uma amizade, mas respeitam-se muito e conseguem influenciar-se grandemente um ao outro. Era esse tipo de relação que queria mostrar. Um homem e uma mulher podem ter uma relação não-romântica”.
A entrevistadora na altura comentou que considerava este aspeto um dos mais refrescantes da série, ao que Makita respondeu com entusiasmo que o interessante em Hell’s Paradise é precisamente haver tanto drama e uma história intensa mesmo sem aspeto romântico entre os protagonistas.
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Yui permanece o motor emocional de Gabimaru
Esta decisão criativa procura evitar os tropos românticos comuns que dominam o género shonen. A força motriz de Gabimaru continua a ser o amor inquebrantável pela sua esposa Yui e o desejo desesperado de se reencontrar com ela. É essa devoção absoluta que lhe deu o apelido carinhoso de “wife guy” entre os fãs ocidentais.
Sagiri, por sua vez, atua como uma guia espiritual e companheira de batalha na ilha mortal de Shinsenkyo. Ela ajuda Gabimaru a enfrentar os seus demónios internos, apoia-o nos momentos mais sombrios e acredita nele quando todos os outros o veem apenas como um assassino sem emoções. Mas nunca cruza a linha sentimental.
O criador do mangá, Yuji Kaku, também já tinha abordado esta questão. Numa entrevista, Kaku explicou que fez de Gabimaru um personagem casado precisamente porque “o protagonista precisa realmente de uma motivação forte para sobreviver. Precisa de estar determinado a acabar com isto o mais rápido possível. Por isso fiz da sua esposa a força motriz de Gabimaru”.
Enquanto a segunda temporada se aprofunda nos arcos narrativos de Lord Tensen e Horai, os fãs podem esperar uma “unidade” baseada em respeito mútuo e sobrevivência, não em flirt ou tensão romântica. Esta escolha tem sido amplamente aplaudida por quem valoriza a fidelidade narrativa e aprecia relações complexas entre personagens que não seguem o caminho previsível.
Hell’s Paradise faz parte do chamado “trio sombrio do shonen” juntamente com Jujutsu Kaisen e Chainsaw Man, todos produzidos pelo estúdio MAPPA. As três séries partilham uma abordagem mais madura e visceral ao género, recusando muitos dos clichés que o definem. No caso de Hell’s Paradise, essa subversão estende-se às relações entre personagens.
A série explora o simbolismo do Yin e Yang prevalente no Taoísmo. Gabimaru, que domina o elemento fogo, representa mais o Yang. Sagiri, cujo elemento é a madeira, serve como meio-termo entre Yin e Yang, tornando-a a pessoa perfeita para guiar Gabimaru num caminho de equilíbrio. Esta dinâmica filosófica reforça a ideia de que a relação entre eles transcende categorias simples como romance ou amizade.









