
A Valve atualizou recentemente as diretrizes sobre como os programadores devem divulgar o uso de inteligência artificial em jogos lançados na Steam, numa mudança que clarifica significativamente quais tipos de tecnologia precisam efetivamente de ser reportados. A alteração foi destacada por Simon Carless, fundador da GameDiscoverCo, num post no LinkedIn a 16 de janeiro.
A plataforma mantém a exigência de transparência em determinadas áreas, mas o texto atualizado deixa claro que nem todas as ferramentas relacionadas com IA acionam a necessidade de divulgação. Segundo as novas diretrizes da Valve, as chamadas ferramentas com IA usadas durante o desenvolvimento, como assistentes de programação ou software focado em eficiência, não precisam de ser divulgadas.
O formulário atualizado afirma explicitamente: “Ganhos de eficiência através do uso de [ferramentas de desenvolvimento com IA] não são o foco desta secção”. Esta modificação remove efetivamente a exigência de programadores sinalizarem o uso comum de IA nos bastidores do desenvolvimento. Ferramentas como GitHub Copilot, assistentes de depuração, software de limpeza de animação ou transcrição automática de reuniões estão agora dispensadas de declaração.
A transparência continua obrigatória em duas situações específicas. A primeira aplica-se quando a IA é utilizada para gerar conteúdo para o jogo, a sua página na loja ou materiais de marketing. Nestes casos, os programadores devem fornecer uma explicação escrita descrevendo como a IA foi usada.
A segunda categoria diz respeito a jogos que geram conteúdo criado por IA durante a própria jogabilidade. Se um jogo produz dinamicamente imagens, áudio, texto ou outro conteúdo gerado por IA enquanto os jogadores interagem com ele, os programadores ainda devem sinalizar isso através de uma opção dedicada de divulgação. Nestes cenários, a Valve coloca a responsabilidade diretamente nos programadores para implementarem salvaguardas que impeçam material ilegal, infrator ou inapropriado de chegar aos jogadores.
Esta distinção torna-se particularmente relevante porque a Steam adicionou recentemente um botão à interface de sobreposição que permite aos utilizadores reportar conteúdo ilegal gerado por jogos com IA de geração ao vivo. Jogos que não implementem proteções adequadas ou que omitam divulgações podem ser removidos da plataforma.
As regras de divulgação de IA da Steam foram introduzidas em 2024, quando o uso de IA generativa no desenvolvimento de jogos começou a crescer. Análises de julho de 2025 descobriram que quase 8.000 títulos lançados na Steam nos primeiros seis meses desse ano divulgaram o uso de IA generativa, comparado com cerca de 1.000 durante o mesmo período em 2024.
A política permanece voluntária e não é aplicada através de moderação ativa por parte da Valve, o que significa que muitos programadores podem optar por omitir a divulgação nas suas páginas de loja. Esta informação, quando fornecida, aparece numa secção específica chamada AI Generated Content Disclosure na página de cada jogo.
A abordagem da Valve contrasta com a posição de lojas rivais. Tim Sweeney, CEO da Epic Games, afirmou recentemente que tais divulgações não fazem sentido para plataformas digitais, argumentando que a IA estará envolvida em praticamente todo o trabalho de produção futuro. Em resposta à atualização da Steam, Sweeney fez uma piada no Twitter comparando as divulgações de IA à hipotética exigência de revelar que marca de champô os programadores usam.
O debate sobre transparência de IA continua intenso na indústria. O uso de áudio gerado por IA em Arc Raiders foi amplamente discutido após o sucesso crítico e comercial do jogo. Baldur’s Gate 3, que ganhou o prémio Labor of Love nos Steam Awards 2025, viu o estúdio Larian Studios ser criticado depois do seu CEO sugerir que o estúdio usaria IA generativa em várias fases conceptuais do próximo jogo, Divinity.









