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    Ubisoft cancela seis jogos e fecha dois estúdios numa reestruturação radical

    Em reestruturação brutal a Ubisoft divide as suas operações em cinco "casas criativas" especializadas e adia sete projetos para recuperar liderança criativa após anos turbulentos

    Ubisoft logo HD

    A Ubisoft anunciou esta quarta-feira, 21 de janeiro, uma reestruturação massiva que a empresa descreve como um “reset major” para recuperar a sua posição na indústria. A decisão resulta em seis jogos cancelados, sete títulos adiados e o encerramento de dois estúdios, marcando um dos momentos mais drásticos na história recente da editora de Assassin’s Creed.

    Entre os projetos cancelados está o aguardado remake de Prince of Persia: The Sands of Time, que atravessou um desenvolvimento conturbado desde o anúncio em 2020. Juntam-se a ele um jogo mobile e quatro títulos não anunciados, incluindo três IPs originais.

    O CEO e fundador da Ubisoft, Yves Guillemot, foi direto ao explicar o contexto: “Por um lado, a indústria AAA tornou-se persistentemente mais seletiva e competitiva, com custos de desenvolvimento crescentes e maiores desafios na criação de marcas. Por outro lado, jogos AAA excecionais, quando bem-sucedidos, têm mais potencial financeiro do que nunca. Neste contexto, hoje anunciamos um reset major construído para criar as condições para um retorno ao crescimento sustentável ao longo do tempo”.

    O fim do remake de Prince of Persia

    O remake de The Sands of Time teve uma produção conturbada desde o início. Revelado em 2020, a receção negativa ao primeiro trailer levou a que o projeto fosse transferido para a Ubisoft Montreal em 2022, o estúdio responsável pelo jogo original de 2003.

    Em 2023, a equipa recomeçou o desenvolvimento do zero. A Ubisoft chegou a confirmar o jogo para início de 2026, mas agora essa data já não se concretizará. A empresa afirma que os seis títulos cancelados “não cumprem as novas expectativas reforçadas de qualidade, bem como critérios de priorização de portfólio mais seletivos”.

    O mais recente jogo de Prince of Persia foi The Lost Crown, lançado em 2023 com aclamação crítica mas que terá enfrentado dificuldades em gerar lucros significativos. A franquia ficará agora sob alçada da Creative House 4, dedicada a “mundos fantásticos imersivos e títulos narrativos”, mas o seu futuro permanece incerto.

    Prince of Persia: The Sands of Time Remake vai ser lançado em 2022

    As cinco “casas criativas” da Ubisoft 

    A reestruturação organizacional da Ubisoft divide as operações criativas em cinco divisões independentes, cada uma especializada num género específico de jogos. Esta estrutura, que estava a ser preparada há um ano, visa permitir decisões mais rápidas e melhor responsabilização financeira.

    • Vantage Studios (CH1) – O estúdio parcialmente detido pela Tencent, criado no ano passado, que supervisionará Rainbow Six, Assassin’s Creed e Far Cry. O foco será transformar estas franquias estabelecidas em “marcas anuais de mil milhões de dólares”.
    • Creative House 2 – Dedicada a experiências de shooter competitivas e cooperativas, incluindo The Division, Ghost Recon e Splinter Cell.
    • Creative House 3 – Focada em experiências live-service selecionadas, como For Honor, The Crew, Riders Republic, Brawlhalla e Skull & Bones.
    • Creative House 4 – Concentrada em mundos de fantasia e universos narrativos, incluindo Anno, Might & Magic, Rayman, Prince of Persia e Beyond Good & Evil.
    • Creative House 5 – Orientada para reconquistar posição em jogos casuais e familiares, incluindo marcas como Just Dance, Uno e Hasbro.

    Cada casa criativa terá liderança própria e responsabilidade total sobre o seu portfólio, desde desenvolvimento até publicação e responsabilidade financeira. A ideia é que esta descentralização permita melhores decisões e resulte em mais sucessos comerciais.

    Estúdios fechados e cortes de custos

    A Ubisoft confirmou o encerramento dos estúdios de Halifax e Estocolmo, já previamente anunciados. O estúdio de Halifax era conhecido pelo foco em jogos mobile, e o seu fecho reflete a crescente cautela da empresa no competitivo mercado móvel.

    Reestruturações adicionais estão a decorrer nos estúdios de Abu Dhabi, RedLynx e Massive, com despedimentos já confirmados. Durante uma conferência, o CFO Frederick Duguet admitiu que “há algumas pessoas que serão reorientadas para outros grandes projetos, e algumas poderão deixar a empresa”.

    A empresa pretende reduzir custos fixos em 200 milhões de euros adicionais nos próximos dois anos. Quando questionada sobre que medidas poderiam ser tomadas para alcançar estas poupanças, a Ubisoft mencionou estar a considerar a “venda de ativos adicionais”, sem especificar quais.

    Como parte das mudanças, os funcionários serão obrigados a regressar ao escritório cinco dias por semana, com alguma margem para trabalho remoto.

    Jogos adiados e projetos que sobrevivem

    Sete títulos receberam adiamentos para garantir que cumprem os novos padrões de qualidade. A Ubisoft não especificou quais, mas confirmou que um jogo previsto para lançamento antes de abril de 2026 foi empurrado para o ano fiscal seguinte (antes de abril de 2027). Especula-se que possa ser o remake de Assassin’s Creed IV: Black Flag.

    Apesar dos cancelamentos, vários projetos de alto perfil continuam em desenvolvimento:

    • O remake de Splinter Cell na Ubisoft Toronto
    • Beyond Good & Evil 2
    • O já mencionado possível remake de Black Flag
    • Quatro novos IPs, incluindo o MOBA March of Giants recentemente adquirido

    Esta reestruturação surge após um período particularmente difícil para a Ubisoft. O valor das ações caiu drasticamente nos últimos anos após lançamentos dececionantes, levando a empresa a vender uma participação minoritária à Tencent.

    A Ubisoft já não considera válida a orientação financeira previamente comunicada para 2026-27 e atualizará as projeções em maio de 2026. Para o ano fiscal 2025-26, a empresa espera agora receitas líquidas de cerca de 1,5 mil milhões de euros.

    Guillemot reconheceu que “a reorientação do portfólio terá um impacto significativo na trajetória financeira de curto prazo do Grupo, particularmente nos anos fiscais de 2026 e 2027, mas este reset fortalecerá o Grupo e permitir-lhe-á renovar com crescimento sustentável e geração robusta de caixa”.

    Uma nova estratégia para um mercado brutal

    A decisão de cancelar projetos e reorganizar-se em casas criativas reflete uma mudança fundamental na estratégia da Ubisoft. Em vez de tentar estar presente em múltiplos géneros simultaneamente com dezenas de projetos em desenvolvimento, a empresa concentra-se agora em dois pilares principais: aventuras em mundo aberto e experiências nativas de games-as-a-service.

    Esta abordagem mais focada significa que projetos menores, mesmo remakes de jogos amados como The Sands of Time, estão a ser sacrificados em favor de apostas maiores em franquias estabelecidas com maior potencial de lucro.

    Guillemot descreveu a mudança como “um movimento radical, assente numa organização criativa mais descentralizada com tomada de decisões mais rápida e serviços core multifuncionais de excelência a apoiar e servir cada Casa Criativa”.

    A nova estrutura operacional entrará em funcionamento no início de abril de 2026. Cada casa criativa beneficiará de liderança dedicada com um mandato criativo claro e responsabilização. As equipas de liderança incluirão “talento de alto perfil vindo da indústria”, segundo a empresa, embora não tenha revelado nomes específicos.

    Resta saber se esta aposta numa estrutura mais descentralizada e focada conseguirá devolver a Ubisoft ao caminho do sucesso. A empresa promete que estas medidas marcam “um ponto de viragem decisivo” e refletem a sua “determinação em confrontar os desafios de frente para remodelar o Grupo a longo prazo”. O mercado e os jogadores estarão certamente atentos aos resultados.

    SourceVGC
    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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