
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou esta semana as nomeações para os 98.º Óscares e, uma vez mais, o anime foi deixado de fora da festa. Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Infinity Castle e Chainsaw Man: The Movie – Reze Arc, dois dos maiores sucessos de bilheteira de 2025, não conseguiram um lugar entre os nomeados.
A ausência mais gritante é a de Demon Slayer: Infinity Castle. O filme da ufotable arrecadou impressionantes 779 milhões de dólares em bilheteiras mundiais, tornando-se no sétimo filme mais lucrativo de 2025 e no filme internacional de maior sucesso nos Estados Unidos. Bateu o recorde de maior abertura de sempre para um filme internacional nos EUA, com 70 milhões de dólares no primeiro fim de semana.
No Japão, os números são ainda mais impressionantes. O filme tornou-se o segundo maior sucesso de bilheteira de todos os tempos no país, ultrapassando A Viagem de Chihiro em número de espectadores. Vendeu mais de 24 milhões de bilhetes e arrecadou 242 milhões de dólares apenas no mercado japonês.
Chainsaw Man: The Movie – Reze Arc também teve um desempenho notável. Produzido pela MAPPA e lançado em setembro de 2025, o filme acumulou mais de 174 milhões de dólares em bilheteiras mundiais. Recebeu aclamação da crítica, com 96% de avaliações positivas no Rotten Tomatoes, e os espectadores deram-lhe uma classificação média de “A” no CinemaScore.
A ironia do KPop Demon Hunters
O que mais tem irritado os fãs de anime é a inclusão de KPop Demon Hunters na lista de nomeados. A produção da Sony Pictures Animation e Netflix, sobre um grupo de K-pop que também caça demónios, conseguiu entrar na corrida aos Óscares enquanto os verdadeiros caçadores de demónios japoneses ficaram de fora.
Há anos que se fala de um “muro anti-anime” nos Óscares, com a Academia aparentemente a fazer exceções apenas para obras do Studio Ghibli. The Boy and the Heron, de Hayao Miyazaki, venceu Melhor Longa-Metragem de Animação em 2024, mas esse parece ser um caso isolado quando se trata de produções japonesas.
KPop Demon Hunters é nomeado para os Óscares e já fez história na Netflix
A cerimónia dos 98.º Óscares está marcada para 15 de março de 2026 no Dolby Theatre, em Hollywood.
Os nomeados para Melhor Longa-Metragem de Animação nos Óscares 2026
A lista final de nomeados ficou assim, segundo o site oficial dos Óscares:
- Arco (França) – Filme de ficção científica sobre viagens no tempo realizado por Ugo Bienvenu, vencedor do Cristal de Annecy
- Elio (EUA) – A nova aposta cósmica da Pixar
- KPop Demon Hunters (EUA) – Musical de ação da Sony Pictures Animation/Netflix sobre uma banda de K-pop que caça demónios
- Little Amélie or the Character of Rain (França/Bélgica) – Filme poético de Maïlys Vallade e Liane-Cho Han
- Zootopia 2 (EUA) – A aguardada sequela da Disney
Este ano destaca-se pela presença de duas produções francesas entre os cinco nomeados, numa categoria habitualmente dominada por estúdios americanos. Tanto Arco como Little Amélie representam a animação europeia independente na corrida aos prémios.
KPop Demon Hunters estreou diretamente na Netflix em junho de 2025 e tornou-se num fenómeno de audiências, ultrapassando os 300 milhões de visualizações. O filme também recebeu uma nomeação para Melhor Canção Original com “Golden“, que já venceu nos Globos de Ouro.
Porque é que o anime continua ignorado?
A questão que se coloca é, porque é que filmes com tanto sucesso comercial e crítico como Demon Slayer e Chainsaw Man não conseguem sequer uma nomeação?
Vários analistas apontam para um preconceito da Academia em relação ao anime comercial. Enquanto as obras do Studio Ghibli são vistas como “cinema de autor” e recebem reconhecimento, o anime mainstream continua a ser tratado como um produto de nicho, independentemente dos números que faça.
Demon Slayer quebrou múltiplos recordes de bilheteira em praticamente todos os territórios onde estreou. Nos Estados Unidos, tornou-se no filme internacional de maior sucesso de sempre (sem ajuste de inflação), ultrapassando O Tigre e o Dragão, que detinha o recorde há 25 anos.
A situação torna-se ainda mais paradoxal quando se considera que KPop Demon Hunters, um filme ocidental sobre caça a demónios, entra na lista, enquanto os filmes japoneses que inspiraram toda uma geração de histórias sobre o tema ficam de fora.









