
A PlayStation 6 deverá chegar mais tarde do que a maioria das previsões apontava, segundo um relatório recente de um analista sénior da MST Financial. David Gibson afirma que a Sony tenciona prolongar o ciclo de vida da PlayStation 5, o que empurraria o lançamento da próxima geração para além das expectativas iniciais.
O timing do adiamento não é casual. A indústria está a enfrentar uma crise sem precedentes de memória RAM, com os preços a dispararem devido à procura explosiva de centros de dados dedicados à inteligência artificial. Esta realidade económica pode forçar a Sony a repensar a estratégia de lançamento da sua próxima consola.
No seu relatório publicado através da Sandstone Insights Japan, Gibson prevê que as vendas do terceiro trimestre fiscal da Sony atinjam 1,8 triliões de ienes (11,7 mil milhões de dólares), com um lucro operacional de 160 mil milhões de ienes (1,04 mil milhões de dólares). Estes números não dizem respeito apenas à divisão de jogos, mas ao grupo Sony no seu conjunto.
O analista sublinha que as vendas robustas de software próprio e de terceiros têm sustentado o desempenho da empresa, mantendo o segmento Game & Network Services forte durante o trimestre. Como resultado, Gibson afirma que “os resultados do terceiro trimestre deverão superar as expectativas do mercado, impulsionados pelas vendas de jogos próprios e de terceiros”.
Crucialmente, o relatório conclui: “A Sony espera que o ciclo de vida da PS5 seja prolongado, e o lançamento da PS6 é provável que seja adiado mais tempo do que muitos esperavam”.
Crise de RAM pode adiar consolas até 2030
O contexto económico dá peso a esta previsão. Os preços de memória RAM dispararam nos últimos meses, com aumentos superiores a 200% em alguns segmentos. A culpa é da corrida aos centros de dados de IA, que estão a absorver a capacidade produtiva global.
A Samsung, SK Hynix e Micron, os três principais fabricantes de RAM que controlam praticamente todo o mercado global, redirecionaram a produção para memória de alta largura de banda (HBM) usada em aceleradores de IA, que oferece margens mais elevadas mas consome três vezes a capacidade de wafer da DRAM padrão. A SK Hynix anunciou em outubro que tinha vendido toda a sua capacidade de HBM, DRAM e NAND até ao final de 2026.
Alguns analistas sugerem que a PS6 pode não chegar antes de 2029 ou mesmo 2030, o que significaria uma década completa de PS5. Historicamente, as gerações de consolas seguem ciclos de sete a oito anos, mas a situação atual do mercado pode forçar um prolongamento sem precedentes.
Sony Interactive Entertainment vai formar uma parceria com a AMD para implementar IA nos jogos
Esta não é a primeira indicação de que a PS6 ainda está longe. Em outubro de 2025, Mark Cerny sentou-se com Jack Huynh da AMD para discutir o Project Amethyst, uma colaboração entre Sony e AMD focada em tecnologia baseada em machine learning para gráficos e jogabilidade.
Durante a apresentação, Cerny comentou sobre três avanços tecnológicos, Neural Arrays, Radiance Cores e Universal Compression. O arquiteto da PS5 declarou: “No geral, claro, ainda é muito cedo para estas tecnologias. Elas apenas existem em simulação neste momento, mas os resultados são bastante promissores e estou realmente entusiasmado por trazê-las para uma consola futura daqui a alguns anos”.
A expressão “daqui a alguns anos” sugeria já um horizonte temporal distante, mas as novas condições de mercado podem empurrar esse calendário ainda mais para o futuro.
A Sony ainda não deu qualquer indicação oficial sobre quando os jogadores podem esperar a PlayStation 6. O relatório de Gibson é uma análise baseada no desempenho financeiro e nas condições de mercado, não um anúncio da empresa.
Contudo, múltiplas fontes dentro da indústria apontam para 2029 como janela mais provável. No final de 2025, o jornalista Tom Henderson reportou que os fabricantes de consolas estavam a considerar adiar os lançamentos de próxima geração devido aos custos de produção.
Com a PS5 Pro lançada em novembro de 2024 e a continuar a receber suporte ativo, a Sony não tem pressa em avançar para a próxima geração. A empresa beneficia de uma base instalada substancial e de um catálogo de jogos robusto que continua a gerar receitas.
Se as previsões se confirmarem, os jogadores terão de esperar pelo menos mais três a quatro anos antes de verem a próxima consola da Sony nas prateleiras, um dos ciclos mais longos da história das consolas domésticas.








