
A miHoYo, empresa chinesa responsável por Genshin Impact, Zenless Zone Zero e Honkai Star Rail, confirmou que quatro ex-funcionários foram condenados a penas de prisão após investigações internas descobrirem esquemas de suborno e peculato. O anúncio foi feito a 6 de fevereiro de 2026, marcando uma posição firme da empresa contra práticas corruptas no setor dos videojogos.
As sentenças variam entre seis meses e um ano e quatro meses de prisão. De acordo com o comunicado oficial, os tribunais consideraram os quatro réus culpados de aceitar subornos enquanto exerciam funções não estatais. Três funcionários identificados como Kang, Xu e outro Xu receberam penas de um ano e quatro meses, um ano e três meses, e um ano e três meses, respetivamente. Um quarto funcionário foi condenado a seis meses de prisão.
A investigação interna da miHoYo, conduzida com o objetivo de manter um “ambiente de negócios justo, honesto e transparente”, revelou que os funcionários abusaram das suas posições para solicitar comissões e aceitar subornos de empresas parceiras. A empresa não divulgou os valores envolvidos nos esquemas fraudulentos, mas a natureza sistemática das infrações levou a medidas disciplinares severas.
Para além das quatro condenações criminais, a miHoYo despediu um quinto funcionário da equipa de marketing de produto original de Genshin Impact. Este funcionário, identificado pelo apelido Zhang, foi acusado de usar a sua autoridade oficial para beneficiar uma empresa que ele próprio tinha criado externamente, configurando um grave conflito de interesses.
“Zhang, que pertencia ao departamento de marketing de produto de Genshin Impact, é suspeito de usar a sua autoridade oficial para procurar lucros da empresa que estabeleceu externamente”, confirmou a empresa. O caso de Zhang foi transferido para as autoridades de segurança pública e a investigação continua em curso.
A posição da miHoYo sobre estas questões não deixa margem para ambiguidades. No comunicado oficial, a empresa declarou: “A miHoYo mantém uma atitude de tolerância zero em relação ao suborno comercial, peculato e outras atividades fraudulentas”. Qualquer pessoa considerada culpada de envolver-se em tais condutas será permanentemente impedida de emprego na empresa.
As consequências estendem-se também aos fornecedores externos envolvidos nos esquemas. A miHoYo confirmou que adicionou todas as empresas fornecedoras conectadas aos casos a uma lista negra de fraude e garantiu que nunca mais voltará a cooperar com estas entidades. Os nomes foram também partilhados com a Sunshine Integrity Alliance e a Corporate Anti-Fraud Alliance.

Esta campanha anticorrupção surge num momento em que a miHoYo solidifica a sua posição como uma das mais bem-sucedidas empresas chinesas de videojogos. O estúdio, sediado em Xangai, conquistou reconhecimento global com títulos que geram milhares de milhões em receitas anuais.
O caso dos funcionários corruptos não é o primeiro confronto legal da miHoYo. Em fevereiro de 2025, a empresa anunciou que tinha responsabilizado mais de 200 indivíduos por leak de informações relacionadas com os seus jogos desde 2022. As compensações impostas aos infratores chegaram aos 550.000 yuan (cerca de 75.000 dólares) num único caso, e várias pessoas enfrentaram medidas criminais por parte da polícia.
A indústria dos videojogos chinesa opera sob rigorosa supervisão governamental, com requisitos estritos de licenciamento e censura de conteúdos. As empresas que operam neste ambiente enfrentam pressão constante para demonstrar conformidade não apenas com regulamentos comerciais, mas também com valores ideológicos do Partido Comunista Chinês.
A postura de tolerância zero da miHoYo alinha-se com campanhas anticorrupção mais amplas lideradas pelo presidente Xi Jinping na última década. Estas campanhas visam eliminar práticas corruptas em todos os níveis da sociedade chinesa, desde funcionários públicos de alto escalão até empregados de empresas privadas.
O impacto destas condenações ressoa para além da própria miHoYo. O caso estabelece um precedente claro na indústria dos videojogos chinesa, onde esquemas de comissões e relacionamentos privilegiados com fornecedores têm sido historicamente tolerados como práticas comerciais normais. A disposição da miHoYo em processar criminalmente os seus próprios funcionários sinaliza uma mudança cultural significativa.
A empresa revelou planos para continuar a reforçar medidas antifraude e cooperar com autoridades judiciais para perseguir responsabilidades legais sempre que se suspeite de atividade criminal. Esta abordagem proativa contrasta com a tendência histórica de muitas empresas chinesas de resolver tais assuntos internamente para evitar publicidade negativa.
As condenações criminais também servem como aviso aos atuais funcionários. Ao contrário de simples despedimentos ou ações disciplinares internas, as sentenças de prisão representam consequências muito mais graves que podem afetar permanentemente as vidas e carreiras dos envolvidos. A publicidade em torno dos casos reforça o compromisso da empresa com a transparência nestas questões.









