成都の世界線漫展にて、『デスノート』のコスプレイヤーが小道具のノートに「高市早苗」と書き込み、周囲が歓声を上げる場面があったという。
作品を愛すること自体は素晴らしい。… pic.twitter.com/JblZnVst4q
— 大翻訳運動 (@daihonyaku) February 11, 2026
Um vídeo de um skit de cosplay numa convenção chinesa está a gerar controvérsia nas redes sociais depois de mostrar um cosplayer a escrever o nome da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, num Death Note, enquanto a audiência aplaudia.
As imagens, partilhadas no Twitter, mostram três cosplayers caracterizados como Light, L e Misa do anime Death Note na Worldline Convention em Chengdu. No vídeo, um dos cosplayers escreve “Sanae Takaichi” no caderno, numa clara referência à mecânica central da série onde escrever o nome de alguém no Death Note resulta na sua morte.
O tweet acumulou 1,1 milhões de visualizações em cerca de 24 horas, provocando reações mistas sobre se este tipo de performance cruza a linha entre apreciação cultural e hostilidade política.
Death Note e o seu historial conturbado na China
A escolha de Death Note para esta performance é particularmente irónica, dado o historial contencioso da série na China. Em 2005, autoridades escolares em Shenyang proibiram o mangá depois de estudantes terem começado a alterar cadernos escolares para se parecerem com Death Notes, escrevendo nomes de professores e colegas de quem não gostavam.
A controvérsia escalou rapidamente. Em 2007, mais de 187 cadernos inspirados em Death Note foram confiscados em lojas de Shenzhen, e a proibição alastrou para Pequim, Xangai e outras cidades chinesas. Em 2015, o Ministério da Cultura da China listou oficialmente Death Note entre 38 títulos de anime e mangá banidos no país.
As autoridades chinesas descreveram o caderno como “um veneno que cria corações perversos” e argumentaram que a proibição visava proteger a “saúde física e mental” dos estudantes de material de horror que “engana crianças inocentes e distorce a sua mente e espírito”.
Contexto político amplifica a controvérsia
A performance surge num momento particularmente tenso nas relações sino-japonesas. Takaichi, que se tornou a primeira mulher primeira-ministra do Japão em outubro de 2025, provocou uma crise diplomática com a China em novembro de 2025 ao afirmar no parlamento japonês que um ataque chinês a Taiwan poderia constituir uma “situação de ameaça à sobrevivência” do Japão.
As suas declarações foram interpretadas como uma quebra com a tradicional ambiguidade japonesa sobre Taiwan, sugerindo que Tóquio poderia intervir militarmente se Pequim usasse força contra a ilha. A China respondeu com medidas económicas, incluindo suspensão de voos, restrições à importação de produtos do mar japoneses e aumento de patrulhas militares.
O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês Wang Yi declarou que Takaichi tinha “cruzado uma linha vermelha” com os seus comentários. Um diplomata chinês em Osaka chegou a publicar (e posteriormente apagou) uma mensagem nas redes sociais que sugeria violência contra Takaichi.
Death Note é atrelado a violência e suicídio em programa no Brasil
A questão da apropriação cultural
O incidente levanta questões sobre os limites da apreciação cultural. Críticos da performance argumentam que, embora seja legítimo apreciar cultura pop japonesa, usá-la para simbolicamente “executar” uma líder democraticamente eleita demonstra falta de respeito pela cultura que está a ser celebrada.
A sugestão, partilhada em várias reações online, é que a apreciação pelo entretenimento de um país e a hostilidade política em relação a esse mesmo país deveriam manter-se separadas, em vez de serem misturadas para criar momentos que agradam à audiência.
Ironicamente, a China é um dos maiores mercados para anime e mangá, apesar das tensões políticas persistentes entre os dois países. Esta dicotomia, consumir avidamente cultura popular japonesa enquanto se mantém uma postura política antagónica em relação ao Japão, não é nova, mas raramente é tão explicitamente exibida como nesta performance de cosplay.
Para Takaichi, o incidente é apenas mais um capítulo numa relação cada vez mais tensa com Pequim. A primeira-ministra japonesa acabou de garantir uma vitória eleitoral histórica no início de fevereiro de 2026, obtendo uma supermaioria de dois terços para o seu Partido Liberal Democrata, a maior vitória de qualquer partido japonês na era pós-guerra.
Com este mandato renovado, é improvável que Takaichi recue na sua posição firme em relação à China, o que significa que episódios como este podem tornar-se mais comuns à medida que as tensões geopolíticas continuam a infiltrar-se em espaços culturais aparentemente apolíticos.









