Os fãs portugueses de anime não pouparam nas críticas este ano e uma votação recente apurou os piores animes de 2025. Em baixo podem consultar o TOP 5.
5Farmagia
Farmagia chegou em janeiro de 2025 como adaptação do jogo de ação e simulação de fazenda da Marvelous, com designs de personagens de Hiro Mashima (Fairy Tail, Rave Master). A premissa seguia Ten, um jovem Farmagia que cultiva monstros a partir de sementes no submundo de Felicidad, numa tentativa de se tornar um dos Oración Seis após a morte súbita do governante Magus Diluculum.
O anime, produzido pelo estúdio Bridge entre janeiro e março, sofreu críticas devido ao seu protagonista barulhento e confiante sem razão aparente, numa fórmula shonen extremamente familiar. A série foi descrita como “irritantemente má” pelos críticos, que notaram como não conseguiu fazer nada de interessante com o seu sistema de cultivo de monstros. A animação, particularmente os monstros em CG, foi considerada irregular, e a comédia falhou em conquistar o público. O anime recebeu votos não por ser ofensivamente mau, mas por ser aggressivamente medíocre e facilmente ignorado.
4#Compass 2.0
Baseado no jogo mobile de estratégia em tempo real lançado em 2016, #Compass 2.0: Sentou Setsuri Kaiseki System chegou em abril de 2025 como uma adaptação de um título que acumulava mais de 15 milhões de downloads no Japão e Taiwan. O anime, produzido pelo estúdio Lay-duce e dirigido por Hitoshi Nanba, seguiu a história de 13, um herói problemático que recusa encontrar um parceiro, e Jin, um novo jogador que aceita juntar-se a ele.
#Compass é um jogo de batalha de três contra três ao estilo de captura da bandeira. Os jogadores formam equipas de três selecionando personagens da lista do jogo e lutam para capturar pontos de controlo num determinado período de tempo. A equipa que obtiver o controlo do maior número de checkpoints é declarada vencedora.
O anime falhou em capturar a atenção tanto de fãs do jogo como de novos espectadores. A narrativa genérica e a incapacidade de se destacar num mercado saturado de adaptações de jogos mobile contribuíram para que ficasse relegado ao esquecimento, recebendo votos não por ser particularmente bom, mas simplesmente porque poucos se deram ao trabalho de o ver até ao fim.
3The Beginning After the End
A adaptação anime do popular webtoon coreano The Beginning After The End chegou em abril de 2025 rodeada de expectativa. Com uma base de fãs massiva graças à webnovel de TurtleMe e ao manhwa ilustrado por Fuyuki23, a série prometia entregar uma história isekai diferente centrada em Arthur Leywin, um rei reencarnado num mundo de magia.
O que os fãs receberam foi descrito como uma das maiores desilusões do ano. O estúdio A-Cat, escolhido pessoalmente pelo autor para manter controlo criativo, simplesmente não tinha os recursos para fazer jus ao material. A animação foi comparada a apresentações PowerPoint, com cenas de luta que mal se qualificam como animação, imagens estáticas com movimento de fundo ocasional.
Os fãs do material original sentiram-se traídos pela forma como a adaptação removeu elementos essenciais da narrativa, apressou o desenvolvimento de personagens e falhou em capturar o humor presente nas primeiras partes da história. Ironicamente, a série foi popular no Japão, alcançando boas posições nas plataformas de streaming, provando que uma boa história consegue sobreviver a uma adaptação tecnicamente deficiente, mas não ganhar corações no Ocidente.
2Lazarus
O regresso de Shinichiro Watanabe, criador de Cowboy Bebop, deveria ter sido um dos grandes eventos de 2025. Lazarus (Lazaro em japonês) chegou com credenciais impressionantes: coreografia de ação de Chad Stahelski (John Wick), música de Kamasi Washington, Bonobo e Floating Points, e animação do estúdio MAPPA. A premissa era ambiciosa, em 2052, uma equipa especial precisa de encontrar um cientista que criou um medicamento milagroso que, afinal, mata todos os utilizadores em três anos.
Apesar da produção de alto nível visual, Lazarus sofreu com críticas à sua escrita. Os primeiros cinco episódios tiveram receção morna, com espectadores a queixarem-se do ritmo lento e de personagens pouco desenvolvidas. Embora a segunda metade tenha melhorado, com mais ação e revelações surpreendentes, o consenso foi de que a série não alcançou o patamar das obras anteriores de Watanabe.
A estrutura episódica repetitiva, a equipa segue uma pista, chega a um beco sem saída, recomeça na semana seguinte, frustrou os espectadores que esperavam a narrativa envolvente característica do realizador.
1One-Punch Man 3
A terceira temporada da adaptação para série anime do mangá One-Punch Man de One e Yusuke Murata tornou-se num dos maiores desastres de produção de 2025. Seis anos após a segunda temporada, que já tinha dececionado muitos fãs, as expectativas eram altas para que o estúdio J.C. Staff finalmente fizesse jus ao material original. O que surgiu foi descrito por críticos e espectadores como um dos piores animes do ano.
A série tornou-se viral pelas razões erradas. Cenas como o “Garou Slide” do episódio 2, onde a personagem desliza colina abaixo como uma imagem JPG arrastada num ecrã, e o episódio 6 que alcançou uma pontuação de 2.4 no IMDb, tornando-se o episódio de anime mais mal avaliado de sempre na plataforma, ultrapassando até o infame final de The Promised Neverland 2.
Os problemas de produção foram evidentes desde o início: contratos de staff anunciados apenas um mês antes da estreia, animação limitada que mais parece uma apresentação PowerPoint, e erros básicos como personagens com partes do cabelo inexplicavelmente ausentes. O realizador Shinpei Nagai desativou as suas redes sociais devido ao assédio online, enquanto animadores veteranos alertaram publicamente sobre as consequências de pressionar demasiado os trabalhadores da indústria.








