
Há uma fantasia de infância que muita gente partilha, e se em vez de água a torneira desse sumo? Ou refrigerante? No Japão, um grupo de izakayas resolveu pegar nessa ideia e levá-la a sério, mas para adultos.
A Taishu Shusen Terumae é uma cadeia com 20 espaços espalhados pelo país, de Hokkaido ao sul de Kyushu, passando por Tóquio, Nagoya e Osaka. O conceito é simples e ao mesmo tempo difícil de descrever sem soar a exagero: as paredes estão revestidas de azulejos e equipadas com torneiras funcionais que dispensam álcool, tudo decorado à imagem de um sento, os banhos públicos comunitários que durante séculos foram parte do quotidiano japonês. A 6 de fevereiro de 2026, a cadeia abriu a sua unidade mais recente em Sendai, na prefeitura de Miyagi, a maior cidade do nordeste do Japão.
Cada espaço conta com 13 torneiras alinhadas ao longo da parede, semelhantes aos postos de lavagem que se encontram num sento tradicional. A diferença está no que sai das torneiras: desde shochu a cerveja de pressão, passando por mojito e licor de ameixa. Em vez de baldes para a água, os clientes podem usar os típicos recipientes de plástico dos banhos públicos para transportar a bebida até à mesa.
O funcionamento é em all-you-can-drink, a modalidade japonesa de beber à discrição durante um período fixo, com três planos disponíveis: 398 ienes por hora (cerca de 2,19 euros) para a seleção básica de bebidas à base de shochu; 698 ienes (3,84 euros) para aceder às torneiras premium, que incluem bases como licor de ameixa e mojito, desbloqueadas com uma chave especial, bem como a possibilidade de pedir whisky, cocktails, vinho e sours; e 998 ienes (5,49 euros) para o plano completo, que adiciona cerveja de pressão via sistema de encomenda pelo telemóvel e marcas como o bourbon Maker’s Mark e o shochu Ikkomon. Os clientes escolhem ainda a duração, 60, 90 ou 120 minutos.
A ausência de empregados a servir é, segundo a própria cadeia, uma das principais vantagens do formato. Quem frequenta izakayas sabe que chamar a atenção do pessoal de sala pode exigir alguma persistência, dizer sumimasen (“com licença”) em voz alta é prática comum e, ainda assim, não garante resposta imediata. Aqui, basta levantar-se e ir à torneira.
O sento como referência não é arbitrário. Estes banhos públicos têm raízes no Japão desde o período Heian (794–1185) e chegaram ao auge em 1968 com mais de 18.000 unidades em todo o país. Nas últimas décadas o número caiu drasticamente, mas a estética, azulejos, baldes de plástico, o balcão, permanece reconhecível para qualquer japonês. O Terumae usa isso a seu favor, o interior recria o ambiente dos banhos de bairro, com cacifos decorativos, o típico suporte de vime para objetos pessoais e uma receção inspirada no balcão de entrada dos sento.
A aposta na nostalgia estende-se à carta de comida. Durante o período de happy hour, da abertura até às 18h00, a cadeia vende frango frito a 50 ienes (0,28 euros) e gyoza de sopa a 35 ienes a unidade (0,20 euros). Os espetinhos de grelhados, elemento central do menu, custam 70 ienes cada (0,39 euros), e quem encomendar mais de 20 recebe-os servidos num balde de sento. A empresa admite que esses pratos têm uma margem de custo de 95%, ou seja, praticamente não geram lucro, a ideia, segundo a própria, é criar uma experiência suficientemente surpreendente para que os clientes a contem a outros.
O nome da cadeia também não é por acaso: Terumae remete para Thermae Romae, a popular série mangá (e posterior adaptação cinematográfica) sobre um arquiteto romano que viaja no tempo e vai parar a banhos públicos no Japão moderno, uma referência que os fãs do género certamente reconhecerão.








































