Mais...
    InícioAnimeEditor de Sword Art Online que diz estar "constantemente em alerta"

    Editor de Sword Art Online que diz estar “constantemente em alerta”

    Kazuma Miki, responsável por alguns dos maiores sucessos do anime faz um diagnóstico direto da indústria: quem não conseguir demonstrar valor claro aos autores ficará simplesmente pelo caminho

    Sword Art Online Variant Showdown regresso pv screenshot

    Kazuma Miki conhece o setor editorial japonês há mais de duas décadas. Entrou na MediaWorks em 2000, que mais tarde se tornaria a Kadokawa ASCII Media Works, e foi editor-chefe da Dengeki Bunko antes de fundar a sua própria empresa, a Straight Edge, em 2016. O seu currículo fala por si, editou e produziu Sword Art Online, A Certain Magical Index, Shakugan no Shana e The Irregular at Magic High School, e foi produtor de praticamente todas as adaptações anime desses títulos.

    Numa entrevista recente ao Dengeki Online, Miki falou com alguma franqueza sobre o que mudou e sobre o que o preocupa.

    Quando entrou na indústria, os editores tinham uma posição de poder quase inquestionável. O único caminho para um escritor ser publicado passava pelos concursos de novos talentos organizados pelas grandes editoras. Quem não ganhasse um desses prémios tinha muito poucas alternativas. Isso dava aos editores uma influência natural no desenvolvimento dos criadores, e essa influência raramente era contestada.

    O panorama mudou radicalmente com plataformas de autopublicação, bem como com redes sociais como o X (antigo Twitter) e o Pixiv. Hoje, um autor pode publicar a sua história diretamente online, construir uma base de leitores sem qualquer intermediário e, se tiver sucesso, receber propostas de várias editoras ao mesmo tempo. Os papéis inverteram-se.

    “Especialmente agora, tudo começa com o facto de a outra parte aceitar a postura de ‘vamos criá-lo’. No passado, os prémios de novos talentos funcionavam porque os meios de comunicação eram limitados, mas agora vivemos numa era em que os autores anunciam o seu trabalho individualmente, e se forem bem-sucedidos, podem receber muitas propostas. Mesmo que se diga ‘vamos criá-lo’, as pessoas podem simplesmente dizer ‘não, obrigado'”, afirmou Miki.

    A consequência é direta: “Por isso, é preciso primeiro comunicar a própria necessidade e o que se pode contribuir. Editores e produtores já não são necessários a menos que definam claramente como abordam o conteúdo e que benefícios podem proporcionar. Acho que isto continuará a acontecer no futuro. Tanto a empresa como eu estamos constantemente em alerta”.

    Segundo o Japan Today, as vendas de publicações impressas no Japão caíram para 964,7 mil milhões de ienes em 2025, a primeira vez desde 1975 que ficaram abaixo do bilião, e menos de 40% do pico de 2,66 biliões de ienes registado em 1996. O setor das revistas foi o mais afetado, com uma quebra de 10%, enquanto as publicações semanais sofreram uma queda recorde de 17,9%. As vendas de mangá em formato impresso caíram cerca de 15%, em parte devido ao encerramento de séries populares como Jujutsu Kaisen, segundo o relatório do Research Institute for Publications.

    A Straight Edge, a empresa que Miki fundou após sair da Kadokawa, funciona exatamente como uma resposta a este novo contexto, em vez de se limitar à edição de light novels, gere e supervisiona autores e obras desde o IP original até às adaptações anime, jogos e outros formatos. É um modelo de acompanhamento integral que tenta demonstrar, de forma concreta, o valor que justifica a existência do intermediário.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

    Artigos Relacionados

    Subscreve
    Notify of
    guest

    0 Comentários
    Mais Antigo
    Mais Recente
    Inline Feedbacks
    View all comments
    - Publicidade -

    Notícias

    Populares