Rune Factory: Guardians of Azuma é um RPG com mecânicas de simulação de agricultura, desenvolvido e distribuído pela Marvelous Inc., spin-off da série principal Rune Factory (por sua vez spin-off da franchise Story of Seasons, anteriormente conhecida como Harvest Moon), e que acontece após os eventos de Rune Factory 5 (2021). Com anterior lançamento na Switch, Switch 2 e PC, o jogo chega agora à Playstation 5 e Xbox Series.

Como o nome implica, Guardians of Azuma passa-se no continente oriental de Azuma, devastado pelo “Celestial Collapse”, uma calamidade causada por um objecto colossal que colidiu na região espalhando fragmentos de terreno pelos céus e pelos mares, interrompendo as Runes de fluir, o que cortou os poderes dos deuses da natureza e levou à deterioração dos terrenos.

A nossa personagem, à escolha entre Subaru ou Kaguya (nomes por defeito), acorda em Azuma depois de um sonho de um duelo entre dois dragões… A sofrer de amnésia, descobrimos que de facto caímos do céu e através do telhado de um templo numa das vilas de Azuma, onde descobrimos os nossos poderes como Earth Dancer, capazes de curar a Blight que afecta as terras e restabelecer os poderes dos deuses. E assim começa a nossa aventura, acompanhados de Woolby, o nosso parceiro que aparenta ser um Wooly falante, mas esconde um segredo na sua verdadeira forma.

Começando a aventura na Spring Village, os seus habitantes rapidamente nos empurram na direção certa, onde começamos a lidar com a Blight, restabelecendo aos poucos o fluxo das Runes, o que leva ao despertar de Ulalaka, a deusa da Primavera que protege a Spring Village e nos oferece o primeiro Sacred Treasure, o Sacred Drum, a primeira extensão dos poderes da nossa personagem como Earth Dancer.

Assim começa o desencadear do gameplay loop de Guardians of Azuma, em que vamos avançando uma main quest que nos leva a explorar as secções selvagens de cada uma das regiões das diferentes vilas de Azuma, onde o jogo funciona como um action RPG normal onde enfrentamos mobs e os pontuais bosses enquanto exploramos novos terrenos, colecionamos materiais (como madeira, pedra e outros objectos), e vamos limpando a Blight de modo a restabelecer os poderes dos deuses de cada região, aumentando assim também os nossos próprios poderes como Earth Dancers, levando-nos a novas regiões, com novas vilas, novos deuses, novos Sacred Treasures, e assim sucessivamente, desvendando também o mistério da nossa verdadeira identidade, escondida pela amnésia.

Pelo meio, aprendemos também a utilizar os terrenos novamente restabelecidos de cada vila, onde podemos fazer novas construções ou criar zonas de cultivo onde podemos plantar sementes que com o tempo irão crescer e eventualmente ser colhidas, podendo depois ser vendidas de modo a gerar fundos para manter os habitantes das vilas felizes, ou guardadas como items que depois podemos utilizar (para cozinhar por exemplo!). Tudo isto leva também a um sistema de leveling de cada vila, que irá permitir ter cada vez mais habitantes, aos quais podemos atribuir trabalhos de acordo com as suas habilidades, o que nos irá gerar mais materiais ou items que podemos vender, ou até alguém que cuide automaticamente dos nossos cultivos. Todo este trabalho não é em vão, sendo que ao levelar cada vila, aumentamos o fluxo de Runes, que nos permitem desbloquear novas habilidades e bonus nos nossos stats. Vamos também recebendo “receitas” que nos permitem criar novos items com a ajuda de alguns habitantes, tais como novas armas e armaduras com os Blacksmiths, novas construções com os Carpenters, poções com os Chemists e deliciosas comidas com os Izakayas ou Teahouses.

A acrescentar a tudo isto, podemos também interagir com todos os habitantes das vilas, em particular com alguns NPC’s com os quais podemos desenvolver relações especiais, alguns apenas como amigos ou como ajudantes durante as nossas explorações, outros que poderão até vir a ser um interesse romântico para a nossa personagem, chegando a ser possível inclusive termos filhos. É preciso investir algum tempo a falar com as personagens o mais possível em cada dia, descobrir o que elas gostam, oferecer-lhes prendas e até celebrar os seus aniversários, mas eventualmente desbloqueamos também sidequests que nos irão permitir conhecer a história de cada uma delas (e eventualmente pedi-las em namoro quando houver confiança suficiente para isso).

Rune Factory Guardians of Azuma key art

Guardians of Azuma acaba por se tornar um jogo cheio de pequenas mecânicas interessantes que funcionam em conjunto para enaltecer uma experiência não só da parte da simulação de agricultura e leves toques de dating sim (que vem claramente da ligação com Story of the Seasons/Harvest Moon), assim como a parte da fantasia e action RPG que torna Rune Factory distinto da sua série original. Qualquer uma das suas partes é divertida q.b. se nos concentrarmos apenas numa de cada vez, mas o somar de todas elas torna-se uma experiência genuinamente completa.

Com bastante conteúdo base, e ainda mais nos DLC’s que introduzem dois novos interesses românticos, novos fatos para as personagens e NPC’s, e até novos conteúdos de cross-over com Story of Seasons e Sakuna: Of Rice and Ruin, Guardians of Azuma tem imensas horas de entretenimento e muito para explorar nos seus diversos sistemas de jogo, seja em aperfeiçoar cada uma das vilas e seus cultivos, em fortalecer as relações com os nossos NPC’s favoritos, ou até mesmo em ir explorar as regiões e combater com os monstros e animais que por lá andam. Se gostam de qualquer uma das séries relacionadas com Rune Factory ou action RPG’s no geral, decididamente não deixem de experimentar Guardians of Azuma.

Review por Tiago Vasconcelos.

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