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    Phil Spencer, o homem que salvou a Xbox, despede-se em carta emocionante

    Phil Spencer entrou na Microsoft em 1988 como estagiário. Saiu como a pessoa que quase triplicou o negócio de gaming e evitou que a Xbox fosse vendida. A carta que enviou à equipa diz tudo sobre quem ele é.

    Phil Spencer, o CEO da Microsoft Gaming screenshot

    Há cartas de despedida corporativas, cheias de elogios mútuos, linguagem de relações públicas e emoção medida ao mililitro. E depois há o memo que Phil Spencer enviou na sexta-feira à equipa da Microsoft Gaming. Não é uma coisa nem outra. É, de certa forma, a carta de um homem que genuinamente amou o que fez durante 38 anos.

    “Quando entrei pelas portas da Microsoft como estagiário em junho de 1988, jamais poderia ter imaginado os produtos que ajudaria a construir, os jogadores e clientes que serviríamos, ou as equipas extraordinárias que tive a sorte de integrar. Foi uma viagem épica e verdadeiramente o privilégio de uma vida”. Foi assim que Spencer começou a mensagem.

    O que há de notável no memo não é o que Spencer diz sobre si mesmo, é o que diz sobre toda a gente à sua volta. Sobre Asha Sharma, a sua sucessora: “Trabalhar com ela ao longo dos últimos meses deu-me uma confiança enorme. Traz genuína curiosidade, clareza e um profundo compromisso de compreender os jogadores, os criadores e as decisões que moldam o nosso futuro”. Sobre Matt Booty, promovido a chief content officer, uma promoção que Spencer faz questão de elogiar pessoalmente. Sobre Sarah Bond, que abandona a Microsoft: “Sarah foi fundamental durante um período decisivo para a Xbox”. E, sobretudo, sobre a equipa em geral: “Aprendi tanto com esta equipa e comunidade, cresci ao vosso lado, e fui continuamente inspirado pela criatividade, coragem e cuidado que trazem”.

    Spencer revelou que foi ele próprio a iniciar o processo, tendo partilhado com Satya Nadella no outono passado que estava a “pensar em dar um passo atrás e começar o próximo capítulo” da sua vida. Desde então, a transição foi planeada de forma deliberada para garantir estabilidade, algo que também o CEO da Microsoft sublinhou no seu próprio memo: “O ano passado, Phil Spencer tomou a decisão de se reformar da empresa, e desde então temos estado a falar sobre planeamento de sucessão”. Nadella acrescentou que Spencer “quase triplicou o tamanho do negócio” e ajudou a moldar a estratégia da empresa através de aquisições como a Activision Blizzard, a ZeniMax e a Mojang.

    O contexto em que Spencer sai é exigente. As receitas de gaming da Microsoft caíram cerca de 10% no último trimestre, uma descida mais acentuada do que o esperado. Mas Spencer fica com um balanço que poucos na indústria podem reclamar, entrou num momento em que a Sony dominava em vendas de consolas e analistas chegaram a sugerir que a Microsoft devia desfazer-se da Xbox, e saiu com uma divisão que serve mais de 500 milhões de utilizadores mensais ativos e é uma das maiores editoras do mundo.

    Parte dessa transformação passou pela aposta no cloud gaming e no Game Pass, e por ter convencido Nadella a consolidar hardware, software e desenvolvimento de jogos numa única organização quando isso estava longe de ser óbvio.

    Spencer sai formalmente na próxima segunda-feira, 23 de fevereiro, mas ficará em funções de consultoria até ao verão. Fechou o memo como começou, sem floreados: “Estarei a torcer por vocês neste próximo capítulo como o fã e jogador mais orgulhoso da Xbox”.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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