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Depois de 60 anos sem falhar uma única edição, a Sony vira costas à CES

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A Sony vai mesmo ficar de fora da CES 2027, em Las Vegas, pondo fim a uma presença ininterrupta na feira de tecnologia que remonta a 1967, ano em que o evento nasceu. A confirmação foi feita por um porta-voz da empresa e ficamos a saber que nem a Sony nem qualquer uma das suas afiliadas vão marcar presença na edição de janeiro do próximo ano, algo que nunca tinha acontecido em seis décadas.

Segundo o porta-voz: “Avaliamos de forma contínua e estratégica a nossa abordagem a eventos e comunicações com base nas necessidades e prioridades do nosso negócio diversificado“.

Apesar de surpreender pela dimensão simbólica, o afastamento da Sony da CES não surge do nada. Já na edição deste ano a empresa não teve stand próprio dedicado à eletrónica de consumo, limitando-se a mostrar o Afeela, o automóvel elétrico desenvolvido em parceria com a Honda através da joint venture Sony Honda Mobility. Esse projeto acabou entretanto por ser cancelado, com as duas empresas a reavaliar o futuro da parceria.

A isso soma-se outra mudança relevante no negócio de eletrónica da Sony, a marca de televisores Bravia deixou de ser inteiramente sua, passando para uma joint venture liderada pela chinesa TCL, que ficou com 51% do negócio, mantendo a Sony uma participação minoritária de 49%. Nos últimos anos, a empresa tem vindo a transferir cada vez mais o seu foco para conteúdos, propriedade intelectual e tecnologia orientada para criadores, áreas onde considera que o impacto de marketing de um evento pensado sobretudo para hardware já não compensa da mesma forma.

Ainda assim, a Sony garante manter a sua relação com a Consumer Technology Association, entidade organizadora da CES, mesmo sem ter presença física na próxima edição.

Uma Sony cada vez mais virada para o entretenimento

A decisão de sair da CES encaixa-se numa transformação mais ampla da companhia japonesa, hoje conhecida sobretudo por três frentes fora da eletrónica tradicional, a consola PlayStation 5, a Crunchyroll, serviço de streaming dedicado a anime, e o cinema, onde o estúdio Columbia Pictures, da Sony, distribuiu recentemente Spider-Man: Brand New Day. O filme tornou-se num dos maiores êxitos de sempre do género de super-heróis, tendo ultrapassado os dois mil milhões de dólares em bilheteira mundial, um marco atingido até agora apenas por outras duas produções na história do cinema.

Historicamente, a Sony ocupou um dos maiores stands da CES, liderando discursos de abertura e apresentações de produtos que atraíam multidões todos os anos. A ausência da empresa vai obrigar os organizadores a repensar a disposição do pavilhão principal da feira, que continua a expandir o seu âmbito para áreas como mobilidade, inteligência artificial e saúde, ainda que, para empresas como a Sony, cada vez mais centradas em conteúdos e serviços do que em hardware, o impacto de marketing de uma presença física já não seja o mesmo de antigamente.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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