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Capcom vai integrar IA no RE Engine para acelerar o desenvolvimento dos seus jogos

A Capcom quer que o RE Engine, o motor de jogo em que assentam os seus jogos desde Resident Evil 7, passe a integrar inteligência artificial no processo de criação, num projeto apelidado de REX. O plano foi apresentado a 2 de outubro, na conferência técnica Capcom Open Conference RE: 2026, pelo programador Satoshi Ishida. A meta a longo prazo é que o motor se torne num “motor de jogos da geração da IA”.

Para já, o papel da IA é o de acelerar o trabalho de quem faz os jogos, e não o de criar aquilo que o jogador vê. Ishida explicou que os jogos e os respetivos recursos são hoje muito maiores, o que alonga os ciclos de desenvolvimento. Este foi um de três problemas identificados pela Capcom, os tempos de espera em tarefas simples, como alterar algo e testar o resultado; o facto de o motor ser agora usado por mais de 2000 pessoas com percursos muito diferentes; e a necessidade de integrar a IA nos fluxos de trabalho, que a empresa considera uma condição indispensável para ganhar eficiência no futuro.

A Capcom optou por manter o RE Engine e acrescentar-lhe tecnologias por etapas, cada uma batizada com o prefixo RE:. O nome, aliás, já era conhecido, o projeto foi apresentado como REX em outubro de 2023. O motor foi criado em 2014 e estreou-se em Resident Evil 7, em 2017. Desde então serviu de base a mais de 27 jogos da empresa, entre eles Street Fighter 6.

Entre os sistemas descritos na apresentação estão:

  • RE:Dox, que uniformiza o tratamento dos dados para os processar mais depressa;
  • RE:UI, um novo sistema para as interfaces das ferramentas de desenvolvimento, pensado para as tornar mais leves e menos propensas a bloqueios;
  • RE:Log, que reformula o registo de erros e as comunicações internas, reunindo os registos num servidor central;
  • RE:Flows, uma ferramenta visual para criar comportamentos de jogo que, nos bastidores, converte o trabalho em código;
  • RE:Runtime, que renova a base de execução para gerir grandes quantidades de personagens e objetos em simultâneo.

Onde entra a IA

É aqui que o projeto ganha o rótulo de motor para a IA. O REX uniformiza todo o sistema em torno da linguagem de programação mais comum do mundo, o que, segundo Ishida, facilita a leitura tanto por programadores como por modelos de IA. Com essa base no futuro, será possível a IA compreender e escrever código, ou realizar testes de jogo automáticos para detetar erros. A Capcom já publicou em código aberto algumas destas tecnologias, como o RE:Dox e o RE:Log, em parte para que possam servir de material de aprendizagem para sistemas de IA.

Os jogos continuam sem conteúdo gerado por IA

A Capcom já tinha traçado uma linha antes. No início do ano, numa sessão com acionistas, a empresa declarou que não vai “implementar material gerado por IA no conteúdo dos nossos jogos”, ao mesmo tempo que disse pretender usar a tecnologia de forma ativa para melhorar a eficiência e a produtividade do desenvolvimento. Shinichi Inoue, vice-presidente responsável pela plataforma de desenvolvimento e pelas soluções de IA da Capcom, tinha também afirmado que a empresa não recorre a ferramentas de IA para gerar arte.

A Capcom não é a única a olhar para a IA como ferramenta de produção. Em junho, a Epic Games lançou o Unreal Engine 5.8 com um plugin experimental, baseado no protocolo MCP, que permite ligar modelos como o Claude e o Gemini ao motor, e quer tornar essa integração parte do Unreal Engine 6. A Epic apresenta estes modelos como uma forma de reduzir o trabalho repetitivo na criação de conteúdo.

SourceGameBiz
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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