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5 animes que inspiraram Jujutsu Kaisen

Poucas séries recentes conseguiram marcar tanto o panorama do anime como Jujutsu Kaisen. Adaptada pelo estúdio MAPPA a partir do mangá de Gege Akutami, a obra conquistou o público com combates de grande impacto visual e uma história sombria que não se coíbe de ser cruel com as suas personagens. Por trás desta imagem moderna, porém, existe uma árvore genealógica bem mais antiga e estes são os cinco animes clássicos cuja influência mais se faz sentir.

5
Neon Genesis Evangelion

Neon Genesis Evangelion vol 1 cover

Quando estreou, em 1995, Evangelion pôs o género de pernas para o ar. Produzida pelo estúdio Gainax, com a Tatsunoko Production a apoiar a produção, a série de Hideaki Anno não era um shonen de pancadaria no sentido clássico, mas mostrou que um anime de ação podia servir para falar de feridas psicológicas. Shinji Ikari não é um herói confiante a caminho de se tornar o mais forte; é um adolescente assustado, empurrado para uma guerra que não escolheu, e é essa fragilidade que torna o apocalipse tão pesado.

É precisamente esse desconforto que atravessa Jujutsu Kaisen. Yuji, Megumi e Nobara aparecem com a energia de um trio típico de shonen, mas o mundo à volta deles está longe de ser acolhedor. A amizade não garante proteção, os ideais são postos à prova a cada missão e as instituições do mundo da feitiçaria veem os mais jovens como instrumentos antes de os verem como pessoas. Quem já assistiu às temporadas mais recentes sabe que ninguém está verdadeiramente a salvo.

A ligação torna-se ainda mais evidente na própria natureza dos inimigos. Em Jujutsu Kaisen, as maldições nascem das emoções negativas dos seres humanos, o que significa que muitos dos monstros são, no fundo, sofrimento com forma física. Evangelion ajudou a normalizar este tipo de mal-estar emocional e corporal como parte da linguagem visual do anime, e é difícil imaginar os arcos mais negros da série sem esse precedente.

4
Yu Yu Hakusho

Yu Yu Hakusho  anime visual

Se há uma série que pode ser apontada como antepassada direta do estilo sobrenatural de Jujutsu Kaisen, é Yu Yu Hakusho. Exibida a partir de 1992 pelo Studio Pierrot, com base no mangá de Yoshihiro Togashi, apresentou Yusuke Urameshi, um delinquente de bom fundo que morre a salvar uma criança e acaba contratado como detetive do mundo espiritual. O seu charme rude ajudou a definir um tipo de protagonista que pode ser impulsivo, teimoso, emocional e leal sem nunca perder a dimensão heroica.

Yuji Itadori tem um temperamento bem mais afável do que o de Yusuke, mas ambos partilham o gosto pela luta e uma fisicalidade que dá aos combates um lado de briga de rua, mesmo quando há poderes sobrenaturais envolvidos. Em nenhuma das séries a magia apaga a violência crua que existe por baixo, e é isso que as torna visceralmente satisfatórias para quem acompanha.

Outro ponto em comum é a ideia de um mundo escondido sobreposto ao quotidiano. Yusuke divide o tempo entre a escola, a casa e o território perigoso de espíritos e demónios, tal como os feiticeiros de Jujutsu Kaisen vivem entre uma rotina aparentemente normal e uma realidade violenta que a maioria das pessoas nem imagina. Essa tensão entre o banal e o monstruoso dá a ambas as séries grande parte da sua força, tal como a camaradagem áspera que se vai formando entre os protagonistas à medida que enfrentam combates cada vez mais perigosos.

3
Hunter x Hunter

Hunter x Hunter vol 1 cover (1)

Na adaptação de 2011 do estúdio Madhouse, Hunter x Hunter, também ele criado por Yoshihiro Togashi, mudou a forma como muitos fãs pensam nos sistemas de poderes. O Nen, a energia utilizada pelas personagens, não é apenas uma questão de força bruta. É um sistema com categorias, condições, riscos e limitações, que funciona ao mesmo tempo como forma de expressão pessoal. Cada habilidade reflete quem a usa, e é por isso que os duelos de Gon, Killua ou Hisoka raramente se resolvem a favor de quem tem o ataque mais poderoso.

Jujutsu Kaisen bebe diretamente desta filosofia. A energia amaldiçoada é poderosa, mas o que realmente interessa à série é a forma como cada feiticeiro a manipula. O Limitless de Satoru Gojo, a Ratio Technique de Nanami e a Idle Transfiguration de Mahito obrigam os adversários a perceber rapidamente as regras do confronto, sob pena de serem derrotados dentro delas. A tensão vem da inteligência com que cada técnica é aplicada, mais do que da velocidade ou do espetáculo visual.

É por isso que muitos dos melhores combates de Jujutsu Kaisen se parecem mais com debates entre sistemas de pensamento do que com simples trocas de golpes. A série sabe entregar ação em grande escala, mas as batalhas mais memoráveis assentam na capacidade de interpretar o adversário, uma abordagem que Hunter x Hunter tornou emocionante muito antes.

2
Naruto

A estrutura de Naruto, que estreou em 2002 pelas mãos do Studio Pierrot com base no mangá de Masashi Kishimoto, tornou-se parte da gramática básica do shonen. Três jovens alunos treinados por um mentor excêntrico e perigosamente talentoso, um protagonista alegre que carrega uma presença aterradora dentro de si, um rival brilhante com uma linhagem complicada e clãs poderosos que moldam a política do mundo muito antes de as personagens terem idade para o compreender. Praticamente todos os elementos podem ser encontrados, de uma forma ou de outra, em Jujutsu Kaisen.

A diferença está no tom. Yuji e Naruto começam ambos como rapazes de bom coração que escondem algo monstruoso no seu interior, mas a relação com essa presença segue caminhos opostos. Naruto acaba por construir com Kurama uma relação de entendimento e cooperação. Yuji e Sukuna, por outro lado, mantêm uma ligação venenosa. Sukuna não é uma besta incompreendida à espera de ser alcançada, é uma maldição no sentido mais puro do termo.

O paralelo estende-se aos mentores. Satoru Gojo parece uma versão mais sombria do arquétipo do professor quase invencível que Kakashi ajudou a popularizar, com a mesma aura descontraída por fora e um peso enorme por baixo. Jujutsu Kaisen pega na linguagem de laços, legado e demónios interiores que Naruto consagrou e transforma-a numa história bem mais cruel.

1
Bleach

Bleach Thousand-Year Blood War fim pv screenshot

Bleach, que estreou em 2004 também pelo Studio Pierrot e é baseado no mangá de Tite Kubo, deixou a sua marca sobretudo na atmosfera. O ambiente elegante de exorcismo, o design afiado das personagens e os inimigos espirituais nascidos da escuridão humana são elementos que Jujutsu Kaisen retoma com identidade própria. Ichigo Kurosaki e Yuji Itadori são, aliás, dois pontos de partida muito semelhantes: adolescentes com capacidades físicas fora do comum, arrastados para uma guerra oculta depois de um encontro sobrenatural lhes mudar a vida.

No caso de Ichigo, o mundo novo é o dos Soul Reapers e dos Hollows. No de Yuji, é o dos feiticeiros e das maldições. Em ambas as histórias, o corpo do protagonista fica ligado a forças que ele não pediu, o que cria um conflito constante entre quem a personagem é e aquilo em que se vê obrigada a tornar-se.

Os monstros reforçam a ligação. Hollows e maldições partilham a mesma lógica de transformar sofrimento invisível em violência concreta, dando forma ao luto, ao arrependimento e à corrupção espiritual. É uma abordagem em que o dano emocional nunca fica abstrato. Bleach teve ainda um papel importante em mostrar que o estilo é essencial num anime de combate sobrenatural, e sem esse legado seria muito mais difícil imaginar a forma atual de Jujutsu Kaisen.

ViaCBR
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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