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10 animes de ficção científica dos anos 2010 que tens mesmo de ver

A ficção científica sempre foi um dos terrenos mais férteis do anime, e a década entre 2011 e 2020 mostrou-o de várias formas. Houve histórias sobre viagens no tempo, sociedades vigiadas por algoritmos, humanidades à beira da extinção, mundos reconstruídos a partir do zero e até comédias espaciais sem qualquer pudor em quebrar as próprias regras.

10
Steins;Gate

Steins;Gate ReBoot 1st teaser

Estreou em abril de 2011, com produção da White Fox, e adapta a visual novel de 5pb. e Nitroplus lançada em 2009. Começa de forma descontraída, quase como uma comédia de rotina, Rintaro Okabe, um estudante que se vê como um cientista louco, passa os dias com os amigos num pequeno laboratório de invenções em Akihabara. Entre os engenhos sem utilidade aparente está um micro-ondas adaptado que, por acaso, consegue enviar mensagens de texto para o passado.

A partir daí, a série muda de tom. As consequências das experiências deixam de ser inofensivas e Okabe vê-se obrigado a lidar com perdas que mais ninguém recorda, porque só ele mantém a memória das linhas temporais anteriores. É aí que a história se distingue de muitas outras sobre viagens no tempo, em vez de se prender a regras e paradoxos, concentra-se no custo emocional de cada decisão.

Ao longo de 24 episódios, cada nova linha temporal altera as relações entre as personagens tanto quanto os acontecimentos em si, o que evita a sensação de repetição. O sucesso levou a um filme em 2013 e a uma sequela, Steins;Gate 0, que estreou em 2018.

9
Psycho-Pass

Psycho-Pass 2 visual HD

Produzido pela Production I.G, foi emitido entre outubro de 2012 e março de 2013 e tem argumento de Gen Urobuchi. A história passa-se num Japão futuro onde o Sibyl System mede continuamente o estado mental de todos os cidadãos. Quando o chamado coeficiente de criminalidade ultrapassa um determinado limite, a pessoa é considerada uma ameaça, mesmo que ainda não tenha cometido qualquer crime, e pode ser detida ou eliminada.

A narrativa acompanha Akane Tsunemori, uma jovem inspetora que acaba de entrar na polícia, e o executor Shinya Kogami, um antigo inspetor que passou a trabalhar do outro lado da linha. À medida que investigam casos, ambos começam a perceber que o sistema não é tão infalível como se pensa. O antagonista, Shogo Makishima, serve de contraponto, ao pôr em causa as bases dessa sociedade.

A série funciona em dois planos, é uma história policial com confrontos memoráveis e, ao mesmo tempo, uma reflexão sobre justiça, liberdade e o preço que se aceita pagar pela segurança. Não há heróis e vilões simples, e os dilemas éticos acabam por pesar mais do que a ação. Seguiram-se uma segunda temporada em 2014, um filme em 2015, uma terceira temporada em 2019 e o filme Psycho-Pass Providence, em 2023.

8
Parasyte -the maxim-

A adaptação do mangá de Hitoshi Iwaaki foi produzida pela Madhouse e transmitida entre outubro de 2014 e março de 2015, em 24 episódios. A premissa é simples e perturbadora, criaturas parasitárias chegam à Terra, infiltram-se em corpos humanos e tomam o controlo da cabeça. Shinichi Izumi, um estudante do secundário, escapa a esse destino por pouco, mas o parasita que o atacou acaba alojado na sua mão direita e passa a chamar-se Migi.

A relação entre os dois é o centro da história. Obrigados a partilhar o mesmo corpo, Shinichi e Migi têm de repensar o que entendem por instinto, emoção e sobrevivência, e a série transforma muitas vezes o confronto com o inimigo numa tentativa de o compreender. Cada combate deixa marcas em Shinichi, cuja personalidade vai mudando ao longo do caminho.

A mistura de ação intensa, tensão psicológica e reflexão filosófica sobre o que significa ser humano é o que mantém a série tão sólida do princípio ao fim. O mangá original, que venceu o Kodansha Manga Awards em 1993, inspirou ainda dois filmes live-action, em 2014 e 2015, e a série sul-coreana Parasyte: The Grey, estreada na Netflix em abril de 2024.

7
Knights of Sidonia

Baseado no mangá de Tsutomu Nihei, o anime foi produzido pela Polygon Pictures, estúdio conhecido pelo trabalho em animação 3D, e estreou em abril de 2014. A segunda temporada chegou em 2015 e um filme, Knights of Sidonia: Love Woven in the Stars, foi lançado em 2021. A história acompanha uma humanidade que já não tenta recuperar a Terra, mas simplesmente evitar a extinção, a viajar pelo espaço a bordo da nave Sidonia enquanto é atacada pelos misteriosos Gauna.

É uma premissa que mantém a tensão sempre alta. Cada missão tem consequências que vão muito além de um único combate, e a sobrevivência nunca parece garantida, o que dá às vitórias um peso estratégico e emocional. O protagonista, Nagate Tanikaze, é pouco a pouco empurrado para o centro desse conflito.

Os combates de mechas em larga escala são o elemento mais espetacular, mas a série torna-se mais interessante pela forma como junta intrigas políticas, descobertas científicas e relações pessoais em evolução. Na altura do lançamento, foi apresentado como o primeiro anime distribuído em exclusivo, e em primeira mão, pela Netflix.

6
From the New World

From The New World

Adaptação da nolve de Yusuke Kishi, publicado em 2008 e premiado com o grande prémio do Japan SF Award, foi dirigido por Masashi Ishihama na A-1 Pictures e emitida entre setembro de 2012 e março de 2013, em 25 episódios. A novel teve ainda uma versão em mangá, publicada entre 2012 e 2014. A ação decorre cerca de mil anos no futuro, num Japão onde as pessoas desenvolveram poderes telecinéticos e vivem em pequenas aldeias, rodeadas de natureza.

À superfície, tudo parece tranquilo. Mas, quando alguns colegas de turma desaparecem e ninguém fala disso, Saki Watanabe e os amigos começam a perceber que a ordem daquela sociedade assenta em segredos incómodos. O título é, de resto, uma referência à Nona Sinfonia de Dvořák, que se ouve ao longo da série e reforça o contraste entre a aparência idílica e a ameaça que se esconde por baixo.

O grande destaque vai para o ritmo calculado com que as revelações surgem. Cada descoberta muda a forma como se entendem os episódios anteriores e levanta novas questões éticas, em vez de oferecer respostas confortáveis. É uma série que dá mais importância à construção de mistério e de atmosfera do que a uma ação constante.

5
Akudama Drive

Akudama Drive vai ter 12 episódios

Concebido por Kazutaka Kodaka, o criador de Danganronpa, e produzido pelo Studio Pierrot em conjunto com a Too Kyo Games, devia ter estreado em julho de 2020, mas foi adiado devido à pandemia de COVID-19. Acabou por ser exibido entre 8 de outubro e 24 de dezembro, em 12 episódios, com direção de Tomohisa Taguchi. A história passa-se em Kansai, uma região desenvolvida mas degradada, onde o crime se tornou comum e os criminosos mais perigosos são conhecidos como Akudama.

Um grupo desses criminosos, identificados apenas pela função que desempenham, como Courier, Brawler, Hacker ou Doctor, é contratado para uma missão de alto risco. No meio deles está uma jovem comum que, por engano, acaba por se fazer passar por uma Akudama e é obrigada a manter a farsa. Daí em diante, as traições, a tecnologia improvável e as perseguições a alta velocidade multiplicam-se.

Por baixo do estilo ciberpunk surge uma reflexão sobre justiça, identidade e os rótulos que a sociedade atribui às pessoas. As cenas de ação são espetaculares, mas não se sobrepõem ao percurso das personagens, e cada decisão tem consequências que se sentem até ao fim.

4
Space Dandy

Space Dandy anime visual

Dirigido por Shinichiro Watanabe, o criador de Cowboy Bebop, com produção do estúdio Bones, estreou em janeiro de 2014. Teve duas temporadas, a segunda a partir de julho do mesmo ano. A história segue Dandy, um caçador de extraterrestres que viaja pela galáxia à procura de espécies ainda por descobrir, acompanhado pelo robô QT e por Meow, um alienígena de Betelgeuse que parece um gato.

O que distingue a série é a liberdade criativa. Cada episódio pode mudar de tom, de estilo e até de diretor, sem se preocupar em manter a coerência com o anterior. Num momento há comédia desenfreada e planetas absurdos, no seguinte surge um episódio mais contemplativo, sobre a existência e a passagem do tempo.

O grande mérito da série é conseguir esta experimentação constante sem perder identidade nem qualidade. Apesar das diferenças entre episódios, tudo se mantém dentro do mesmo universo, e o resultado é uma das propostas mais imprevisíveis do género naquela década.

3
Dr. Stone

Dr. Stone 3 main visual

Adaptação do mangá de Riichiro Inagaki e do artista sul-coreano Boichi, publicado na Weekly Shonen Jump, a série foi produzida pela TMS Entertainment e estreou em julho de 2019, com 24 episódios na primeira temporada. A história começa quando um fenómeno misterioso transforma toda a humanidade em pedra. Passados 3700 anos, Senku Ishigami, um jovem génio, consegue libertar-se e decide reconstruir a civilização a partir do nada, usando apenas conhecimento científico.

Em vez de poderes sobrenaturais, as ferramentas dos protagonistas são a lógica, a experimentação e o trabalho em equipa. Cada invenção, desde as mais simples até às mais complexas, é apresentada como um marco que aproxima o grupo de um futuro possível. O conflito com Tsukasa Shishio, que defende uma abordagem baseada na força e não na ciência, dá à narrativa uma tensão própria.

O destaque vai para a precisão científica como traço identitário, mas o que prende o espectador é ver as personagens a unirem-se em torno de um objetivo comum. Os projetos são cada vez mais ambiciosos e os obstáculos obrigam a soluções mais criativas.

2
Girls’ Last Tour

Mangá de Girls' Last Tour vai terminar

Baseado no mangá de Tsukumizu, publicado digitalmente pela Shinchosha, o anime foi produzido pela White Fox e exibido entre outubro e dezembro de 2017, em 12 episódios, com direção de Takaharu Ozaki. Chito e Yuuri são duas jovens que percorrem, a bordo de uma moto Kettenkrad, as ruínas de uma civilização desaparecida, à procura de comida, combustível e de algum conforto pelo caminho.

É um anime pós-apocalíptico pouco habitual, porque dispensa a luta constante pela sobrevivência. Em vez disso, aposta em conversas simples, em pequenas descobertas e na companhia mútua das duas protagonistas, enquanto a paisagem abandonada vai revelando fragmentos do passado da humanidade. A solidão está sempre presente, mas é equilibrada por momentos de humor e ternura.

O ritmo calmo é precisamente o que dá à série anime a sua força. Sem recorrer a grandes revelações ou conflitos forçados, cria uma atmosfera intimista que convida à reflexão sobre memória, propósito e a beleza que ainda se pode encontrar num mundo em ruínas. A série teve ainda um spin-off em formato curto, Girls’ Last Class.

1
ID:Invaded

Imagem promocional de ID: INVADED

Série original do estúdio NAZ, dirigida por Ei Aoki, que também trabalhou em Fate/Zero e Re:Creators, foi exibida entre janeiro e março de 2020, em 13 episódios, com argumento de Otaro Maijo. A premissa é pouco comum, uma organização chamada Kura investiga crimes através do sistema Mizuhanome, que deteta o impulso de matar e permite entrar nas chamadas Id Wells, paisagens mentais formadas pelo subconsciente de assassinos em série.

O protagonista, Akihito Narihisago, é um antigo detetive que só é libertado da cela quando é necessário mergulhar nesses mundos. Lá dentro, assume a identidade de Sakaido, um detetive brilhante, e tem de resolver um homicídio cuja vítima surge no início de cada investigação, com a mesma aparência mas num cenário diferente. Cada caso obriga a decifrar pistas escondidas em memórias distorcidas e em motivações ocultas.

A série combina ficção científica e investigação de forma a recompensar quem lhe presta atenção, e vai pondo em causa a identidade, a justiça e o custo de procurar a verdade. As revelações reforçam a narrativa principal em vez de dependerem apenas de reviravoltas chocantes. A história teve ainda uma continuação em mangá, ID:Invaded #Brake-Broken, publicada na revista Young Ace a partir de outubro de 2019.

ViaCBR
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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