Mais...
    InícioAnime10 dos animes mais polémicos de sempre

    10 dos animes mais polémicos de sempre

    Desde cenas gráficas de violência a tratamentos questionáveis de temas históricos, estes 10 animes geraram debates acesos que geraram ondas de críticas que ecoam até aos dias de hoje.

    10
    The Rising of the Shield Hero

    The Rising of the Shield Hero 3 anime main visual

    O isekai protagonizado por Naofumi Iwatani tornou-se um dos casos mais discutidos quando se fala em narrativas problemáticas dentro do género. A controvérsia começou logo nos primeiros episódios, quando o protagonista é falsamente acusado de agressão sexual pela princesa Malty, levando-o a ser ostracizado pela sociedade e forçado a viver numa espiral de raiva e desconfiança.

    A situação agravou-se quando a história introduz elementos de escravatura. Naofumi adquire Raphtalia, uma menina escrava demi-humana, e a relação entre ambos desenvolve-se num contexto de propriedade, mesmo que a narrativa tente apresentar isto como uma relação benevolente. Defensores da série alegam que se trata de um mundo de fantasia brutal onde o protagonista teve de fazer escolhas difíceis para sobreviver. Os críticos, por outro lado, apontam que a série nunca questiona verdadeiramente a moralidade da escravatura, apresentando-a quase como uma necessidade pragmática em vez de um mal a ser combatido.

    9
    Mushoku Tensei: Jobless Reincarnation

    Mushoku Tensei Jobless Reincarnation - vol 14

    O que deveria ter sido uma celebração da excelente animação da Studio Bind rapidamente se transformou num dos debates mais intensos da comunidade anime em 2021. Mushoku Tensei: Jobless Reincarnation conta a história de um homem de 34 anos, desempregado e socialmente isolado, que morre e renasce num mundo de fantasia mágica como Rudeus Greyrat. A premissa promete redenção, uma segunda oportunidade para alguém que desperdiçou a primeira vida.

    O problema? Rudeus mantém a sua mente de adulto dentro do corpo de uma criança e exibe comportamentos que muitos espectadores consideram perturbadores. As cenas onde ele age de forma inapropriada com jovens, incluindo a sua tutora Roxy enquanto ainda é uma criança, ou mais tarde com colegas adolescentes quando ele próprio ainda habita um corpo jovem, geraram críticas generalizadas. A defesa comum de que “ele está num corpo de criança” não satisfez aqueles que argumentavam que a sua idade mental real tornava essas interações profundamente problemáticas.

    A controvérsia atingiu tal dimensão que a plataforma chinesa Bilibili suspendeu o anime após acusações de conteúdo misógino. Marcas importantes como Sofy e várias empresas de cosméticos cortaram relações com a plataforma em protesto. Utilizadoras da Bilibili acusaram o serviço de tolerar conteúdo misógino e, pior ainda, de censurar contas de mulheres que criticavam a série enquanto deixavam contas masculinas intocadas.

    O próprio criador, Rifujin na Magonote, já abordou estas críticas em várias ocasiões, defendendo que Rudeus é deliberadamente imperfeito e que o seu crescimento como personagem é gradual. No entanto, em março de 2025, Magonote deixou claro numa declaração nas redes sociais que, apesar das críticas, não mudaria a direção da história: “Fico feliz quando recebo elogios, triste quando recebo críticas, e magoado quando recebo calúnias ou abusos, mas não importa o que as pessoas digam, escreverei o que quiser escrever, portanto nada mudará”.

    8
    Hetalia: Axis Powers

    Transformar nações em personagens anime parece, à primeira vista, uma ideia criativa para ensinar história de forma divertida. O problema surge quando essas personagens representam países envolvidos em conflitos que causaram sofrimento real a milhões de pessoas. Hetalia: Axis Powers, produzido pela Studio Deen, fez precisamente isso, e pagou o preço.

    A série retrata países da Segunda Guerra Mundial como jovens rapazes em situações cómicas. A Alemanha é séria e metódica, a Itália é desajeitada e apaixonada por massa, e o Japão é tímido e educado. Parece inofensivo até percebermos que estamos a falar de nações responsáveis pelo Holocausto, Pearl Harbor e inúmeras atrocidades de guerra. A trivialização destes eventos através de comédia ligeira gerou indignação internacional.

    A Coreia do Sul foi particularmente vocal na sua oposição, dado o histórico de colonização japonesa brutal. Grupos coreanos protestaram vigorosamente contra a série, argumentando que ela perpetuava estereótipos prejudiciais e banalizava o sofrimento histórico. A controvérsia foi tão intensa que várias emissoras cancelaram planos de transmissão.

    Hetalia tornou-se um caso de estudo sobre os limites da comédia histórica. Mesmo com um estilo artístico fofo e intenções aparentemente inocentes, a série demonstrou que certos temas históricos são demasiado sensíveis para serem transformados em entretenimento leve sem consequências.

    7
    Redo of Healer

    Se existe um anime que define o conceito de “controverso demais para mainstream”, é Redo of Healer. Produzido pela TNK e transmitido entre janeiro e março de 2021, esta série de fantasia sombria não apenas ultrapassou limites, demoliu-os completamente.

    A premissa segue Keyaru, um mago curador que sofre quatro anos de abuso físico, psicológico e sexual pelos seus companheiros heróis. Após obter uma pedra filosofal, ele volta no tempo com todos os seus poderes e memórias intactas, determinado a vingar-se daqueles que o torturaram. O que se segue é uma espiral de vingança que inclui múltiplas cenas de violência sexual explícita, desta vez com Keyaru como perpetrador.

    A reação foi imediata e severa. A série foi rapidamente banida na China após apenas o primeiro episódio. Serviços de streaming internacionais como Funimation, Crunchyroll, Netflix e Hulu recusaram-se a licenciar o conteúdo. Mesmo plataformas que transmitiram a série ofereceram três versões diferentes: uma fortemente censurada para televisão, uma versão “Redo” com censura parcial, e uma versão “Complete Recovery” totalmente sem censura que alguns argumentam estar mais próxima de hentai do que anime convencional.

    Os críticos não pouparam palavras, afirmando que a série usa violência sexual como entretenimento em vez de fazer qualquer comentário significativo sobre trauma ou vingança. A censura na versão TV era tão pesada, cobrindo até 50% do ecrã com sombras negras, que vários espectadores queixaram-se de que a série se tornava incompreensível.

    Curiosamente, apesar (ou por causa) da controvérsia, Redo of Healer mantém uma audiência leal que defende a série como uma exploração legítima de temas sombrios. O debate continua entre liberdade criativa e responsabilidade narrativa.

    6
    Elfen Lied

    Elfen Lied

    Quando Elfen Lied estreou em 2004, estabeleceu um novo padrão para violência gráfica no anime. A série curta de 13 episódios conta a história de Lucy, uma diclonius, uma espécie mutante com poderes telecinéticos mortais, que escapa de uma instalação de pesquisa governamental numa das cenas de abertura mais sangrentas da história do anime.

    O primeiro episódio não poupa ninguém. Corpos são desmembrados, cabeças são arrancadas, e sangue jorra em quantidades cinematicamente exageradas. Mas a violência é apenas parte da controvérsia. Elfen Lied também explora temas brutais de abuso infantil, preconceito, identidade e crueldade humana, muitas vezes de formas graficamente explícitas.

    A série divide opiniões drasticamente. Apoiantes argumentam que a violência serve um propósito narrativo, ilustrar a natureza traumática da experiência de Lucy e a brutalidade com que a sociedade trata aqueles que são diferentes. A direção de Mamoru Kanbe tenta equilibrar o horror gore com momentos de ternura genuína, especialmente na relação entre Lucy e o protagonista Kouta.

    Os críticos, porém, sentem que a série por vezes cruza a linha entre violência com propósito e violência gratuita. Várias cenas parecem existir principalmente para valor de choque em vez de desenvolvimento narrativo. O tratamento das personagens femininas também foi criticado, com algumas sequências consideradas desnecessariamente exploradoras.

    Elfen Lied permanece na memória coletiva do anime como uma das séries mais perturbadoras já produzidas. Continua a aparecer regularmente em listas de “anime mais violento” ou “anime que não devem mostrar aos vossos amigos”, consolidando a sua reputação como uma experiência que não se esquece, para o bem ou para o mal.

    5
    School Days

    O que começou como uma visual novel aparentemente inofensiva transformou-se numa das histórias mais infames do anime. School Days segue Makoto Itou, um estudante do secundário que se apaixona pela colega Kotonoha Katsura. O que podia ter sido um romance escolar típico desce rapidamente a uma espiral de traição, manipulação e consequências devastadoras.

    Makoto não é apenas um protagonista falível, torna-se progressivamente detestável à medida que trai Kotonoha com várias jovens, incluindo a sua melhor amiga Sekai Saionji. A série recusa-se a romantizar as suas ações ou protegê-lo das consequências. Quando o final chega, é brutal, chocante e profundamente perturbador.

    Mas a verdadeira controvérsia de School Days não vem apenas do conteúdo anime. A 18 de setembro de 2007, uma adolescente de 16 anos em Quioto assassinou o pai com um machado. Esta tragédia coincidiu com a data prevista para a transmissão do episódio final extremamente violento de School Days. As estações de televisão tomaram a decisão de cancelar ou adiar a emissão por respeito à vítima real.

    O que se seguiu tornou-se lendário na cultura da internet. Em vez do episódio final, algumas estações transmitiram imagens estáticas de cenários, incluindo um barco a navegar calmamente. Esta decisão acidental deu origem ao meme “nice boat”, que se espalhou rapidamente pelas comunidades online. Ironicamente, a censura apenas aumentou a curiosidade sobre o que o episódio continha, tornando School Days ainda mais infame.

    A série permanece um exemplo extremo de como o anime pode subverter expectativas de género, neste caso, transformando um romance escolar numa descida ao inferno moral. É regularmente citada como uma das conclusões mais chocantes da história do anime.

    4
    Gantz

    Gantz anime visual

    O estúdio Gonzo apostou alto quando adaptou o mangá de Hiroya Oku em 2004. Gantz apresenta uma premissa intrigante, pessoas que morrem são transportadas para um apartamento misterioso onde são forçadas a participar em missões mortais contra aliens, controladas por uma esfera negra enigmática chamada Gantz. Se sobreviverem podem eventualmente ganhar a vida de volta.

    A execução, porém, é o que torna Gantz controverso. A série não tem problema em mostrar morte gráfica e desmembramento detalhado. Personagens são explodidas, esmagadas, queimadas e mutiladas com uma casualidade que muitos acharam perturbadora. Mas a violência é apenas metade da questão.

    O tratamento das personagens femininas gerou críticas significativas. Várias cenas parecem existir primariamente para exibir as mulheres em situações sexualmente sugestivas ou humilhantes. O fato de combate justaposto que as personagens femininas vestem é desenhado de forma particularmente reveladora, e a câmara foca-se frequentemente em ângulos exploratórios.

    Gantz também apresenta uma visão profundamente pessimista da humanidade. As personagens raramente demonstram heroísmo genuíno; maioria age por interesse próprio, e a série não hesita em mostrar covardice, egoísmo e crueldade. Esta abordagem niilista, combinada com a violência gráfica, torna Gantz uma experiência emocionalmente exaustiva.

    Mesmo fãs dedicados do género seinen frequentemente avisam novos espectadores sobre a intensidade de Gantz. A série não oferece alívio cómico ou momentos de leveza, é implacavelmente sombria do início ao fim.

    3
    Interspecies Reviewers

    Amazon Prime remove Interspecies Reviewers

    O estúdio Passione criou algo verdadeiramente único, e verdadeiramente controverso, com Interspecies Reviewers em 2020. Esta comédia de fantasia segue um grupo de aventureiros que visitam e depois avaliam estabelecimentos de entretenimento adulto operados por diferentes espécies fantásticas. Sim, leram bem.

    A série não finge ser subtil. Cada episódio centra-se em conteúdo sexual explícito, apresentado como comédia. O problema? Foi inicialmente transmitido como anime regular de horário noturno, levando muitos espectadores desprevenidos a ficarem chocados com o que estavam a ver.

    A reação das plataformas de streaming foi rápida e dramática. A Funimation removeu a série após três episódios. A Tokyo MX e outras emissoras japonesas cancelaram as transmissões. A rapidez com que Interspecies Reviewers foi banido tornou-se quase tão notória quanto o próprio conteúdo.

    Os cancelamentos geraram debate sobre classificação de conteúdo e expectativas do público. Defensores da série argumentaram que ela era honesta sobre o que oferecia e que o humor era a prioridade sobre a exploração. A equipa criativa não estava a tentar enganar ninguém, o título e sinopse eram claros.

    Críticos responderam que, independentemente da transparência, a série ainda confundia limites entre anime mainstream e conteúdo adulto. O facto de ter sido inicialmente aceite para transmissão regular levantou questões sobre processos de aprovação e classificação.

    Interspecies Reviewers é agora lembrado como um caso raro onde a controvérsia e remoção se tornaram tão famosas quanto o conteúdo real.

    2
    Goblin Slayer

    Goblin Slayer 2 visual 2

    O estúdio White Fox tinha um anime promissor nas mãos, uma fantasia sombria sobre um guerreiro dedicado exclusivamente a exterminar goblins, criaturas geralmente vistas como ameaças menores em histórias de fantasia. Goblin Slayer tinha potencial para explorar temas interessantes sobre trauma e obsessão.

    Então o primeiro episódio estreou.

    A cena de abertura não poupa detalhes ao mostrar um grupo de aventureiros novatos sendo brutalmente massacrado por goblins. O momento mais controverso, uma cena de agressão sexual gráfica, chocou espectadores que não esperavam esse nível de brutalidade. Muitos sentiram-se completamente apanhados de surpresa pela natureza explícita do conteúdo.

    A Crunchyroll respondeu rapidamente às preocupações dos utilizadores, adicionando avisos de conteúdo proeminentes. Revelou-se também que a série tinha sido inicialmente mal classificada como TV-PG quando deveria ter sido TV-MA desde o início. Esta falha na classificação significou que muitos espectadores entraram no anime sem compreender completamente o que iriam ver.

    O debate que se seguiu dividiu-se em duas perspectivas. Alguns argumentaram que a cena estabelecia a seriedade e perigo do mundo, que goblins não eram as criaturas cómicas de muitas fantasias, mas predadores genuinamente aterradores. A brutalidade servia para explicar por que o protagonista dedica a sua vida à sua extinção.

    Outros sentiram que a cena era exploratória e desnecessária, que havia formas de transmitir perigo sem recorrer a violência sexual gráfica. A decisão de incluir esse conteúdo no episódio de abertura foi vista como uma escolha deliberada para valor de choque em vez de desenvolvimento narrativo.

    Goblin Slayer continua a ser citado como exemplo de por que avisos de conteúdo adequados são essenciais. Um cenário de fantasia não garante que o conteúdo seja adequado para todas as audiências, e os primeiros episódios podem definir permanentemente a reputação de uma série.

    1
    Boku no Pico

    Boku no Piko teaser visual anime

    Este título merece menção por uma razão completamente diferente dos anteriores, não por ser controverso no sentido de “debate artístico”, mas por representar conteúdo que não deve existir.

    Boku no Pico centra-se na exploração sexual de menores. Não há debate sobre interpretação artística ou contexto narrativo aqui. O conteúdo é inequivocamente prejudicial e ilegal em numerosas jurisdições.

    O problema amplifica-se pela forma como a série é partilhada online, frequentemente como uma “piada” ou recomendação de choque a novos fãs de anime. Esta normalização casual de conteúdo que explora menores é profundamente preocupante. Muitas pessoas ouvem falar do título pela primeira vez através de memes ou brincadeiras, não de avisos adequados sobre a sua natureza prejudicial.

    Conteúdo que sexualiza crianças não é entretenimento, independentemente do meio. A discussão sobre Boku no Pico não deve focar-se em “controversia” como se fosse comparável a debates sobre violência gráfica ou temas maduros. Deve focar-se em condenação clara e reconhecimento de que certo conteúdo cruza linhas éticas fundamentais.

    SourceCBR
    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

    Artigos Relacionados

    Subscreve
    Notify of
    guest

    0 Comentários
    Mais Antigo
    Mais Recente
    Inline Feedbacks
    View all comments
    - Publicidade -

    Notícias

    Populares