Há personagens anime que conquistam milhões de fãs pelo mundo fora. São carismáticas, poderosas e memoráveis. Mas será que gostaríamos mesmo de as ter como amigas na vida real?
10Goku (Dragon Ball)
O protagonista de Dragon Ball é possivelmente a personagem de anime mais icónica de sempre. Toda a gente conhece Goku, toda a gente gosta dele. Mas imagina realmente tê-lo como amigo próximo.
O problema não é maldade, Goku até é boa pessoa no fundo. A questão é que ele vive num mundo completamente à parte. As suas prioridades resumem-se a três coisas: treinar, lutar e comer. Tudo o resto é secundário. Aniversários? Esquece. Precisas de ajuda a mudar de casa? Boa sorte, ele já partiu para outro planeta treinar com um guerreiro extraterrestre qualquer.
E depois há o pequeno detalhe de que estar perto dele é literalmente perigoso. Goku tem o hábito delicioso de atrair vilões apocalípticos para a Terra como se fosse a coisa mais normal do mundo. Para ele, a possibilidade de destruição planetária é apenas mais um desafio divertido. Os amigos? Bom, esses ficam ali como figurantes enquanto o destino do mundo se decide à pancada.
9Hisoka (Hunter x Hunter)
À primeira vista, Hisoka parece o amigo excêntrico mas interessante. Tem estilo, é inteligente, tem sentido de humor. Mas passa-se muito pouco tempo até perceberes que há qualquer coisa profundamente errada.
Hisoka não se aproxima das pessoas por afeto. Aproxima-se porque vê potencial para se divertir ou porque alguém pode tornar-se mais forte e portanto mais interessante de eventualmente destruir. É um predador emocional que trata relações humanas como peças num tabuleiro de xadrez pessoal.
A verdadeira aterradora de Hisoka é que ele genuinamente acredita que esta é uma forma válida de interagir com outros. O conceito de amizade para ele está mais próximo de “quanto tempo consigo brincar com esta pessoa antes de me cansar?”. Não há empatia real, não há preocupação genuína. Há apenas interesse que desaparece no momento em que deixas de o entreter.
8Bakugo Katsuki (My Hero Academia)
Bakugo é uma personagem fascinante em My Hero Academia. O seu desenvolvimento ao longo da série é interessante de acompanhar. Mas convenhamos, ninguém na vida real aguentaria cinco minutos com ele.
Imagina ter um amigo que grita. Constantemente. Sobre tudo. Que te insulta como forma de comunicação normal. Que vê qualquer interação como uma oportunidade para provar superioridade. Exaustivo, certo?
O problema com Bakugo é que ele exige lealdade incondicional mas nunca a retribui. Quer que os outros o sigam e o admirem, mas raramente demonstra que se importa genuinamente com alguém. Mesmo quando o faz, vem embrulhado em camadas de agressividade que tornam impossível apreciar o gesto.
Pior ainda, passa a vida a fazer-te sentir inferior. Não por maldade calculada como Hisoka, mas porque genuinamente não consegue processar que outras pessoas também têm sentimentos e inseguranças válidas. Seria aquele amigo que transforma cada café numa sessão de críticas não solicitadas.
7Levi Ackerman (Attack on Titan)
Levi é cool. Competente. Respeitado. Todas qualidades que o tornam uma personagem fantástica. E todas razões pelas quais seria uma amizade gélida e pouco gratificante.
O capitão Levi não faz apoio emocional. Ponto final. A sua ideia de ajudar alguém em dificuldades é apontar os factos de forma brutal e esperar que a pessoa se recomponha. Procuras um ombro amigo? Ele oferece-te uma análise fria da situação e talvez uma crítica à tua postura.
As suas expectativas perfeccionistas estender-se-iam a tudo. A forma como limpas a casa, como te organizas, como respondes sob pressão, tudo seria material para julgamento silencioso. Levi não precisa de gritar como Bakugo; um olhar desapontado dele seria suficiente para te fazer sentir completamente inadequado.
E não esperes que ele se abra contigo. Levi guarda as suas emoções como segredos de estado. Uma amizade com ele seria fundamentalmente unilateral: tu entregas vulnerabilidade e recebes… conselhos práticos e padrões impossíveis de atingir.
6Nico Robin (One Piece)
Robin é indiscutivelmente uma das personagens mais intrigantes de One Piece. Misteriosa, inteligente, com um passado trágico. Funciona perfeitamente na dinâmica dos Straw Hats. Mas como amiga próxima? Complicado.
O maior obstáculo com Robin é a distância emocional que mantém. Mesmo após anos com os Straw Hats, há sempre uma parte dela que permanece inacessível. Não é por falta de afeto, ela claramente gosta dos companheiros. Mas há uma barreira que raramente deixa cair completamente.
Numa amizade real, isto traduzia-se em frustração constante. Tentarias conectar-te verdadeiramente, partilhar preocupações, criar intimidade… e ela responderia com comentários enigmáticos ou mudaria subtilmente de assunto. A sua inteligência e conhecimento são impressionantes, mas emocionalmente? É como tentar abraçar uma estátua de mármore, bonita, mas fria.
Robin também tem o hábito de dizer coisas perturbadoras de forma completamente casual, o que numa série de aventuras é hilariante, mas na vida real seria apenas inquietante. “Oh, estás preocupado com o exame? Já consideraste que podemos todos morrer amanhã de qualquer forma?”. Obrigado, Robin. Muito útil.
5Denji (Chainsaw Man)
Denji é o anti-herói por excelência. Brutalmente honesto, determinado, com um sentido de humor negro que funciona muito bem em Chainsaw Man. Mas transporta isto para a realidade e tens uma receita para o caos.
O rapaz não tem filtro nenhum. Zero. As suas prioridades oscilam entre comida, gratificação imediata e uma fixação com romance que frequentemente cruza a linha do apropriado. Não há planeamento, não há estabilidade. Vive momento a momento, muitas vezes tomando as piores decisões possíveis.
Ser amigo de Denji significaria estar constantemente a apanhar as peças da sua vida caótica. Ele envolve-se em situações ridículas, arriscadas ou simplesmente embaraçosas, e esperaria que os amigos o acompanhassem sem questionar. O seu completo desrespeito por limites pessoais, tanto os seus como os dos outros, transformaria qualquer relação num campo minado emocional.
E depois há o facto de que a sua energia é simplesmente demasiada. O que no anime parece refrescante e genuíno, na vida real seria apenas esgotante. Aquele amigo que nunca amadurece, que nunca aprende com os erros, que te arrasta para problemas e depois fica surpreendido quando as coisas correm mal.
4Grell Sutcliff (Black Butler)
Grell é visualmente impactante, impossível de ignorar. É uma personagem secundária que rouba todas as cenas onde aparece. E precisamente por isso seria um pesadelo ambulante como amigo.
Tudo na vida de Grell gira em torno de Grell. As conversas? Voltam sempre ao seu drama. Os planos? Têm de acomodar os seus caprichos. A tua crise emocional? Interessante, mas Grell já tem uma história melhor sobre si.
A palavra “limites” não existe no vocabulário de Grell. As demonstrações de afeto são avassaladoras, as reações são sempre exageradas, e a necessidade constante de atenção drenaria qualquer pessoa.
Na ficção, esta personalidade maior-que-a-vida é refrescante e divertida. Na realidade, após a terceira semana consecutiva de drama fabricado, já ninguém teria paciência.
3Jiraiya (Naruto)
Jiraiya é adorado pelos fãs de Naruto. É um mentor importante, tem momentos de sabedoria genuína, e adiciona alívio cómico à série. Mas honestamente? Como amigo seria apenas constrangedor.
O problema não é que Jiraiya seja má pessoa, ele tem bom coração. O problema é que nunca cresceu. Continua preso numa adolescência perpétua, com comportamentos que seriam questionáveis num teenager mas são francamente inapropriados num adulto da sua idade.
Os seus “hobbies” são uma fonte constante de vergonha. Andar com Jiraiya significa estar sempre a desculpá-lo, sempre a tentar minimizar as situações embaraçosas que ele cria. “Desculpem, ele não quis dizer isso”, “Peço imensa desculpa, ele tem problemas”, “Não, por favor não chamem a polícia”.
Sim, há momentos em que a sabedoria dele transparece. Mas esses momentos ficam completamente enterrados sob camadas de imaturidade e comportamento questionável. Seria impossível levá-lo a sério ou confiar nele para situações importantes, porque nunca se sabe quando vai decidir que é altura para uma das suas palhaçadas.
2L (Death Note)
L é genial. Um dos melhores detetives da ficção, com métodos pouco ortodoxos mas incrivelmente eficazes. Também seria uma das pessoas mais difíceis de ter como amigo próximo.
Para começar, L não confia em ninguém. Em nada. A sua mente está constantemente a analisar, a procurar padrões, a questionar motivações. Uma conversa casual sobre o fim de semana transformar-se-ia numa interrogação subtil onde ele tenta descobrir se estás a mentir sobre alguma coisa.
As suas peculiaridades, agachar em cadeiras, comer apenas doces, os hábitos de sono inexistentes, seriam encantadoras durante talvez uma semana. Depois disso, começarias a questionar se ele está realmente bem. E quando tentasses abordar o assunto? Ele analisaria porque estás preocupado e que agenda oculta podes ter.
L não tem competências sociais. Ponto. Não entende subtilezas emocionais, não sabe oferecer conforto, não consegue simplesmente “estar presente” sem transformar tudo numa investigação. Uma amizade com L seria mais parecida com ser um caso não resolvido do que uma relação humana normal. Fascinante de longe, claustrofóbico de perto.
1Rukia Kuchiki (Bleach)
Rukia é icónica. Cool, competente, com alguns dos melhores momentos de Bleach. Mas aqui está a questão, ela nunca deixa ninguém verdadeiramente aproximar-se.
Rukia está sempre em modo “mentor” ou “guerreira”. Raramente baixa a guarda o suficiente para ser apenas… uma pessoa normal. As suas piadas são afiadas, as suas observações são perspicazes, mas onde está a vulnerabilidade? Onde está a abertura emocional que sustenta amizades verdadeiras?
O sentido de dever de Rukia sobrepõe-se a tudo. Os amigos ficam em segundo plano. Sempre. Não por falta de afeto, mas porque ela simplesmente não consegue priorizar relações pessoais acima das suas responsabilidades. Marcas jantar? Ela cancela porque surgiu algo relacionado com shinigamis. Precisas de falar? Ela está demasiado ocupada a salvar o mundo.
E depois há o facto de que é quase impossível fazê-la falar sobre os seus próprios sentimentos. Podes tentar, mas baterás contra um muro de estoicismo e deflexões inteligentes. Uma amizade requer reciprocidade emocional. Com Rukia, serias sempre tu a dar sem nunca realmente receber de volta. Ela seria a amiga distante que admiras mas com quem nunca consegues criar verdadeira intimidade.









