O Animate Times, um dos portais de referência no Japão, acabou de publicar uma votação massiva sobre os anime mais tristes que podem ver em 2026 e em baixo encontram o TOP 5.
5A Place Further Than the Universe
À primeira vista, parece estranho ver este título numa lista de anime para chorar. Afinal, a premissa é quase o oposto de deprimente, quatro meninas decidem partir numa aventura maluca até à Antártida. Soa a algo leve, inspirador até. E é precisamente aí que mora o perigo.
A Madhouse lançou esta série em 2018 e conseguiu algo raro, fazer chorar sem recorrer a mortes trágicas ou dramas pesados. A tristeza aqui é mais subtil, mais real. Mari Tamaki representa aquela angústia que todos sentimos em algum momento, a sensação de que a vida está a passar e nós continuamos parados, com medo de arriscar.
O que realmente destrói é a história de Shirase. Ela passou anos a sofrer bullying por querer ir à Antártida procurar vestígios da mãe desaparecida. Quando finalmente chega lá e confronta essa perda, a série atinge um nível emocional brutal. Não é aquele choro dramático de tragédia, é algo mais humano, mais íntimo. É perceber que às vezes não há respostas, não há fim perfeito, e mesmo assim temos de seguir em frente.
A juventude escapa-nos entre os dedos. Este anime consegue capturar esse sentimento melhor que muitos dramas que tentam ser obviamente tristes.
4Clannad
Para a geração que cresceu com este anime, ele é praticamente sagrado. É a obra que definiu o que significa drama familiar no mundo do anime. A Key criou aqui um monstro emocional que continua a traumatizar pessoas quase duas décadas depois.
Tomoya Okazaki não é um protagonista particularmente simpático no início. É um miúdo revoltado, distante do pai, sem rumo na vida. Mas é precisamente essa construção lenta que torna tudo tão devastador depois. Quando a série, e especialmente a sequela After Story, começa a apertar o laço emocional, já estamos completamente investidos naquelas vidas.
O que Clannad faz de tão especial é construir uma felicidade frágil e depois destruí-la metodicamente. Não é um golpe rápido. É lento, doloroso, inevitável. A série força-nos a ver como a vida pode ser cruel mesmo com as melhores pessoas. A relação com Nagisa, a paternidade, as escolhas impossíveis, tudo isso acumula até ao ponto de rutura.
3Anohana: The Flower We Saw That Day
Este anime não se esconde. Desde o primeiro episódio que fica claro: vais chorar. A única dúvida é quando e quanto. Secret Base, a música que fecha cada episódio, tornou-se sinónimo de destruição emocional. Há covers, há versões ao vivo, e todas elas carregam aquele peso insuportável de nostalgia e perda.
Os Super Peace Busters eram um grupo de amigos de infância até que um acidente horrível os separou. Anos depois, Menma aparece como fantasma diante de Jinta, e é aqui que tudo desmorona. A série não tenta ser subtil, agarra-nos pelo pescoço e força-nos a confrontar culpa, arrependimento e a impossibilidade de voltar atrás no tempo.
O que torna Anohana tão eficaz é a forma como explora o luto de cada personagem. Não há uma forma certa de lidar com a perda, e cada um dos amigos carrega a culpa de maneira diferente. Alguns afastaram-se completamente, outros ficaram presos naquele dia. Ver esse grupo despedaçado a tentar reunir-se é como assistir a uma ferida antiga a reabrir lentamente.
Mari Okada, a guionista por trás deste projeto, sabe exatamente onde enfiar a faca. O final é um masterclass em catarse emocional. Quando finalmente chega o momento da despedida, já não há defesas. É devastador, libertador e doloroso em doses iguais.
2Your Lie in April
Se alguma vez tocaste piano, violino ou qualquer instrumento, este anime vai ressonar de uma forma particularmente cruel. Se te apaixonaste na adolescência por alguém que te mudou a vida, pior ainda. Your Lie in April junta estas duas experiências e transforma-as numa tragédia linda e insuportável.
Kousei Arima é um prodígio do piano destruído por trauma. Depois da morte da mãe, deixou de conseguir ouvir as notas que toca. É uma metáfora óbvia mas eficaz: perdeu a capacidade de sentir. Até que aparece Kaori Miyazono, uma violinista caótica e brilhante que toca com uma liberdade que ele nunca conheceu.
A química entre os dois é o coração da série. Ela puxa-o de volta para a música, para a vida, para as emoções que ele enterrou. As apresentações são visualmente deslumbrantes, com cores explosivas e animações que parecem dançar ao ritmo da música clássica. É tudo tão bonito que quase esquecemos que isto vai acabar mal.
Porque vai. O título é uma pista. A “mentira” que Kaori conta revela-se no final de uma forma que deixa um vazio físico. Não é apenas triste, é injusto. É ver alguém florir e depois ser arrancado demasiado cedo. A série usa a música clássica não só como cenário, mas como linguagem emocional. Cada peça tocada carrega um significado, uma confissão não dita.
1Violet Evergarden
A Kyoto Animation criou algo que transcende o próprio meio. Não é apenas um anime excecional, é uma obra que consegue competir com cinema de autor em termos de impacto emocional e beleza visual.
A premissa é genial na sua simplicidade. Violet é uma ex-soldado que serviu como arma humana numa guerra brutal. Quando a guerra acaba, ela torna-se uma Auto Memory Doll, alguém que escreve cartas para outras pessoas. O problema? Violet não compreende emoções. As últimas palavras que o Major Gilbert lhe disse foram “eu amo-te”, e ela não faz ideia do que isso significa.
Cada episódio funciona como um conto independente. Violet escreve cartas para diferentes pessoas, e através dessas histórias começa a compreender o amor, a perda, o arrependimento, a esperança. A construção é lenta mas devastadora. Vemos uma jovem que foi criada para matar a aprender o que significa ser humana.
O episódio 10 devia ser ilegal. Uma mãe doente pede a Violet para escrever dezenas de cartas para a filha pequena, uma para cada aniversário até ela crescer. É uma despedida em câmara lenta, e a série não tem piedade nenhuma. Mostra-nos a mãe a enfraquecer, a filha sem perceber, e depois os anos a passarem com aquelas cartas a chegarem pontualmente, lembrando o que foi perdido.
A animação da Kyoto Animation está noutro nível. Cada frame parece uma pintura. A forma como captam pequenos gestos, uma mão a tremer, lágrimas a cair, um sorriso contido, é de uma delicadeza absurda. A beleza visual amplifica tudo. Não estamos só a ver tristeza, estamos a senti-la em cada músculo.
E depois há o filme. O reencontro final entre Violet e Gilbert é… bem, não há palavras. A forma como a história fecha o ciclo, como Violet finalmente compreende aquelas palavras, é perfeição narrativa.









