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7 animes perturbadores que quase fizeram toda a gente desistir no episódio 1

Alguns animes fazem tudo para expulsar quem está a ver logo no início e é precisamente por isso que valem cada minuto.

7
Devilman Crybaby

Há quem diga que o primeiro episódio de Devilman Crybaby parece um erro. Violência gráfica, sexualidade explícita e um ritmo completamente frenético logo de entrada, sem apresentações, sem zona de conforto, sem qualquer concessão ao espetador. Para muita gente, a reação imediata foi fechar o ecrã a pensar que se tratava de provocação barata disfarçada de arte.

Mas Masaaki Yuasa, o diretor, sabia exatamente o que estava a fazer. Devilman Crybaby, lançado na Netflix em janeiro de 2018 e baseado no mangá clássico de Go Nagai, é uma série sobre a humanidade a autodestruir-se. O caos do primeiro episódio não é decoração, é o tom emocional de toda a obra. A ideia é que o espetador sinta, desde o início, que não há chão firme por baixo dos pés.

Quem ficou descobriu uma das histórias mais devastadoras do anime moderno. A série não alivia. Não há redenção fácil nem heróis invencíveis, só uma tragédia que se aprofunda episódio após episódio até chegar a um final que é difícil de digerir. É o tipo de obra que não sai da cabeça durante dias.

6
Steins;Gate

Steins;Gate ReBoot 1st teaser

À primeira vista, Steins;Gate parece uma série sobre um grupo de nerds excêntricos num laboratório improvisado em Akihabara a fazerem piadas que ninguém percebe. O protagonista, Okabe Rintaro, apresenta-se como um “cientista louco” com um alter-ego ridículo, fala em voz alta para lado nenhum e tem um comportamento que oscila entre o irritante e o incompreensível. O primeiro episódio é confuso, cheio de referências sem contexto e sem um fio narrativo aparente.

Produzido pelo estúdio White Fox e estreado em abril de 2011, Steins;Gate é a adaptação de uma visual novel que exige paciência, e recompensa-a de formas que poucos anime conseguem. A desorientação inicial é completamente intencional, a série está a estabelecer uma normalidade que mais tarde vai destruir peça por peça. Cada detalhe aparentemente sem sentido do primeiro episódio volta a ganhar peso quando a história muda de registo.

Quando isso acontece, Steins;Gate transforma-se numa das experiências mais emocionalmente intensas do género. É atualmente a terceira série anime mais bem classificada de sempre no MyAnimeList, com uma pontuação de 9.07, e é considerada por muitos críticos como a melhor história de viagem no tempo alguma vez adaptada para o formato anime. O começo lento não é um defeito, é a fundação de tudo o que vem a seguir.

5
Paranoia Agent

Paranoia Agent anime visual

Paranoia Agent não é o tipo de série que explica o que está a acontecer. O primeiro episódio apresenta uma designer gráfica sob pressão extrema que diz ter sido atacada por um rapaz de patins chamado Lil’ Slugger. A realidade parece instável, a atmosfera é carregada de ansiedade e a narrativa recusa-se a seguir uma lógica clara. Para muitos espetadores, a sensação é de estar a ver algo partido, ou de estar a ser enganado.

Criado por Satoshi Kon e produzido pela Madhouse, Paranoia Agent estreou em 2004 e é uma série difícil de encaixar em qualquer categoria. Não é bem terror, não é bem thriller, não é bem drama social, é as três coisas ao mesmo tempo, filtradas pela visão de um dos diretores mais singulares da história do anime. O que parece confusão inicial é, na verdade, uma construção cuidadosa sobre a forma como o medo coletivo se propaga e como as pessoas inventam histórias para escapar à responsabilidade.

Quem tem estômago para o desconforto inicial vai encontrar uma das análises mais inteligentes e perturbadoras da psicologia humana alguma vez feita em formato animado. Paranoia Agent não choca com gore nem com violência explícita, choca com a forma como reflete comportamentos que todos reconhecemos.

4
Made in Abyss

Made in Abyss Awakening Mystery anime visual animejapan 2026 (1)

O primeiro episódio de Made in Abyss é, em todos os sentidos, uma mentira bem contada. Os designs das personagens são fofinhos e arredondados, o mundo parece saído de um livro de aventuras para crianças e o tom é quase aconchegante. Há quem tenha largado a série precisamente por isso, por achar que era demasiado infantil para o seu gosto.

Produzido pelo estúdio Kinema Citrus e estreado em 2017, Made in Abyss é talvez o exemplo mais perfeito de uma série que usa a aparência para criar uma falsa sensação de segurança. A doçura do início não é inocente, é uma armadilha deliberada. Quando a história começa a descer literalmente para as profundezas do Abismo, o contraste entre o visual e o que acontece às personagens torna tudo muito mais brutal do que seria se a série tivesse começado com um tom sombrio desde o primeiro minuto.

É uma das obras de fantasia mais cruéis e mais belas do anime. Quem ficou a ver sabe exatamente do que se fala. Quem desistiu no primeiro episódio perdeu uma experiência que é genuinamente difícil de comparar com qualquer outra coisa no medium.

3
From the New World (Shinsekai Yori)

From The New World

O primeiro episódio de Shinsekai Yori é como chegar a meio de uma conversa sem saber quem são as pessoas nem o que estão a discutir. O cenário é estranho, as regras do mundo não são explicadas, as personagens falam de coisas sem qualquer contexto e o ritmo é deliberadamente lento. Para muita gente, é demasiado.

Adaptado a novel de Yusuke Kishi e produzido pelo estúdio A-1 Pictures, estreou em 2012 e é uma série que recompensa quem tem paciência para deixar o mundo desenvolver-se ao seu próprio ritmo. A desorientação inicial é completamente de propósito, a narrativa começa na ignorância porque as próprias personagens estão na ignorância. É uma série sobre controlo, doutrinação e a forma como as sociedades constroem mentiras confortáveis para esconder a violência que as sustenta.

Quando o verdadeiro alcance da história se torna claro, e isso demora vários episódios, o que parecia simplesmente confuso transforma-se em algo que dá genuinamente arrepios. Shinsekai Yori é uma obra que fica mais assustadora à medida que se percebe melhor o que se está a ver.

2
Re:Zero

Re:Zero 2 é a série mais vista na Netflix Japão

Re:Zero tem um problema de imagem que lhe custou muita audiência logo de entrada. O primeiro episódio apresenta Subaru, um rapaz que de repente se vê transportado para um mundo de fantasia e reage com o entusiasmo exagerado de alguém que acha que vai ser o protagonista de um videojogo. Para quem já viu demasiados isekai com a mesma premissa, a reação natural é um bocejo e o dedo no botão de fechar.

Produzido pelo estúdio White Fox e estreado em 2016, Re:Zero usa precisamente essa expectativa como arma. A série atrai com o visual de um isekai convencional e depois demonstra, de forma implacável, o que aconteceria realmente a uma pessoa comum colocada nessa situação. Subaru não é um herói, é alguém que morre repetidamente, que acumula trauma sem conseguir processá-lo e que usa o otimismo como mecanismo de sobrevivência porque a alternativa seria entrar em colapso completo.

É um dos retratos psicológicos mais honestos e brutais que o género fantasia já produziu em formato anime. Quem abandonou no primeiro episódio por achar que era mais do mesmo perdeu, provavelmente, a única série isekai que valeria mesmo a pena.

1
Attack on Titan

Attack on Titan

Attack on Titan, produzido pelo Wit Studio e estreado em abril de 2013, não tenta disfarçar o que é. O primeiro episódio é brutal, o terror é constante e o tom deixa claro desde os primeiros minutos que nenhuma personagem está em segurança. Houve espetadores que desistiram por achar que a série era demasiado pesada, trauma atrás de trauma sem qualquer promessa de profundidade narrativa.

O que é irónico, porque Attack on Titan acabou por se tornar uma das séries mais complexas e ambiciosas da última década, com uma narrativa que se expande para território político, filosófico e moral de uma forma que poucos animes alguma vez tentaram. Esse primeiro episódio não é gratuito, é o alicerce de tudo. A brutalidade inicial existe para estabelecer que este é um mundo onde a inocência não sobrevive, e que a série vai levar essa premissa a sério até ao fim.

Quem ficou, sabe. Quem saiu no primeiro episódio por achar que era demasiado sombrio perdeu exatamente o tipo de história sombria que costuma ficar na memória para sempre.

ViaCBR
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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