O primeiro mês de 2026 chega carregado de animes que exploram os limites da ciência, da tecnologia e da própria humanidade. A ficção científica no anime sempre teve uma capacidade única de misturar conceitos complexos com narrativas emocionalmente ressonantes, e este mês não será exceção.
7All You Need Is Kill
O filme anime que estreia a 9 de janeiro é uma das apostas mais ambiciosas do mês.
Produzido pelo Studio 4°C (Mind Game, Tekkonkinkreet), adapta a aclamada light novel de Hiroshi Sakurazaka que já inspirou o filme live-action Edge of Tomorrow com Tom Cruise. A história acontece numa Terra futura sob ataque de invasores alienígenas chamados Mimics. Keiji Kiriya, um soldado recém-alistado, morre na sua primeira batalha mas descobre-se preso num loop temporal, acordando sempre no dia anterior ao combate. Através de repetidas mortes e aprendizagem com os seus erros, vai progressivamente tornando-se melhor soldado.
O filme promete recontar a história de um ponto de vista diferente tanto da novel quanto do filme de Hollywood, focando-se mais na perspetiva de Rita Vrataski, a soldado de elite conhecida como Full Metal Bitch. Para fãs de ficção científica com loops temporais e reflexões sobre guerra e humanidade, este é imperdível.
6The Darwin Incident
A estreia a 6 de janeiro pelo recém-criado estúdio BELLNOX FILMS traz uma das premissas mais perturbadoras do mês.
Charlie é um humanzé, híbrido de humano e chimpanzé criado após uma organização ecoterrorista ter resgatado uma chimpanzé grávida de um laboratório. Após quinze anos a ser criado como humano, Charlie entra finalmente numa escola normal, onde faz amizade com Lucy.
A história não facilita: entre extremistas que querem usá-lo para os seus fins, cientistas sem escrúpulos e uma sociedade que não sabe lidar com algo que desafia todas as categorias estabelecidas, Charlie torna-se o centro de um debate ético explosivo.
Com direção de Naokatsu Tsuda (JoJo’s Bizarre Adventure) e apoio de Katsuichi Nakayama (Evangelion: 3.0+1.0), a produção tem todas as ferramentas para criar algo verdadeiramente impactante. O mangá tem sido comparado a Parasyte e Monster pela forma como usa elementos fantásticos para dissecar questões profundamente humanas sobre identidade, preconceito e evolução.
5Trigun Stargaze
A fase final do novo Trigun chega a 10 de janeiro para concluir a reimaginação que o Studio Orange iniciou com Trigun Stampede em 2023.
Vash the Stampede continua a sua jornada pelo planeta desértico No Man’s Land, tentando manter os seus ideais pacifistas num mundo violento enquanto a recompensa de 60 biliões de dólares pela sua cabeça atrai constantemente problemas.
O Studio Orange já provou com Stampede que consegue criar CG de cortar a respiração enquanto mantém a essência emocional e filosófica que sempre definiu a franchise. Stargaze promete resolver os arcos pendentes e dar um desfecho digno a esta reimaginação. É essencialmente um western espacial que usa o cenário sci-fi para explorar temas de violência, redenção e o valor da vida humana. Para quem aprecia ficção científica mais filosófica e contemplativa, este é obrigatório.
4Labyrinth
O filme anime do estúdio Sanzigen (Arpeggio of Blue Steel) estreia a 1 de janeiro com uma premissa intrigante. Shiori Maezawa é uma estudante normal cujo smartphone avaria repentinamente, transportando-a para um mundo paralelo deserto em Yokohama. Ao verificar o telemóvel, encontra fotografias suas nas redes sociais que não se recorda de ter publicado. Para impedir que o seu outro eu faça algo terrível, precisa descobrir o que está a acontecer.
Com direção de Shōji Kawamori (Macross, Aquarion), conhecido por criar ficção científica conceptualmente ambiciosa, e design de personagens de Risa Ebata (Macross Frontier), o filme tem potencial para ser uma meditação interessante sobre identidade digital e realidades paralelas. É basicamente um thriller sci-fi sobre uma jovem a tentar impedir a sua versão alternativa de cometer um erro irreversível.
3Yoroi Shin Den Samurai Troopers
O estúdio Sunrise traz a 6 de janeiro uma nova série do universo Samurai Troopers.
A história acontece na atual Shinjuku e acompanha cinco rapazes que vestem armaduras tecnológicas chamadas Yoroi Gear para lutar contra o imperador demónio Arago. É essencialmente uma fusão de elementos de ficção científica com mitologia japonesa, onde tecnologia avançada se mistura com forças sobrenaturais.
Com direção de Yōichi Fujita (Gintama) e design de personagens que junta talentos de Love Live! e Mobile Suit Gundam, a série promete equilibrar ação com desenvolvimento de personagens. Para quem aprecia a estética de armaduras tecnológicas e histórias sobre equipas de heróis a defender a humanidade, este pode ser uma surpresa agradável.
2Dark Moon: The Blood Altar
A adaptação do webtoon da HYBE e dos ENHYPEN estreia a 9 de janeiro pelo estúdio Troyca (IDOLiSH7).
A história mistura fantasia urbana com elementos de ficção científica, acompanhando o confronto entre um grupo de vampiros, uma matilha de lobisomens e uma jovem misteriosa com um segredo. Embora vampiros e lobisomens sejam tradicionalmente associados a fantasia, a série parece ter uma abordagem mais científica à mitologia, explorando estas criaturas através de uma lente mais contemporânea.
É romance adolescente com uma pitada de sci-fi e muita tensão entre facções rivais. Para quem gosta de histórias onde elementos sobrenaturais são tratados de forma mais racional e integrados num mundo moderno, vale a pena dar uma oportunidade.
1Dead Account
O estúdio Synergy SP estreia a 10 de janeiro a adaptação do mangá de Shizumu Watanabe.
Num mundo onde os fantasmas também habitam a Internet, Sōji Enoshiro é um rapaz de 15 anos que faz streams sob o pseudónimo Aoringo. Transmite conteúdo deliberadamente provocador para ganhar dinheiro e pagar as contas médicas da irmã mais nova. Quando é atacado por um fantasma que reside no mundo online, fica espiritualmente desperto e é recrutado pela Miden Academy, uma escola especializada em treinar exorcistas que lidam com o mundo digital.
É uma fusão interessante de horror sobrenatural com ficção científica sobre a Internet, explorando a ideia de que o mundo digital se tornou tão real quanto o físico a ponto de poder ser habitado por espíritos. Para quem aprecia histórias que exploram o lado sombrio da tecnologia moderna, esta promete.








