A temporada anime de Primavera chega com uma lista que vai ser difícil de gerir, segundas temporadas muito esperadas, finais de séries e pelo menos uma estreia que pode ser um dos animes do ano. O problema não vai ser encontrar o que ver, vai ser ter tempo para tudo.
9Wistoria: Wand and Sword — 2ª temporada
Quando Wistoria: Wand and Sword (Tsue to Tsurugi no Wistoria) estreou em 2024, havia ceticismo razoável à volta do projeto. Mais uma academia de magia, mais um protagonista sem poderes que tenta chegar ao topo pelo esforço, a premissa parecia familiar de mais. O que acabou por surpreender foi a consistência, a série manteve qualidade de episódio para episódio, soube construir as relações entre personagens com paciência, e o sistema de magia tinha lógica interna suficiente para manter o interesse mesmo nos momentos mais tranquilos.
A segunda temporada chega numa coprodução entre a Actas e a Bandai Namco Pictures, e os trailers mostram que a intensidade vai escalar de forma significativa. Há, no entanto, uma questão de fundo interessante, o mangá tem apenas oito volumes publicados, com mais dois a caminho ainda em 2026. Isso significa que a adaptação está a aproximar-se rapidamente do limite do material disponível, e o ritmo desta temporada vai ditar muito sobre o futuro da série, se haverá uma terceira, quando, e se o anime vai eventualmente tomar o seu próprio caminho.
8Dr. Stone: Science Future — parte final
Dr. Stone foi durante anos uma das séries mais originais do shonen moderno, e não é exagero dizer isso. A ideia de usar ciência real como sistema de poder, não como metáfora, mas como mecânica central da narrativa, era invulgar, e a forma como o mangá conseguia ensinar conceitos de química, física e engenharia sem nunca parecer uma aula era genuinamente impressionante. Agora chegamos ao fim, e a parte final de Science Future estreia a 2 de abril na Crunchyroll.
A missão está definida: Senku, Xeno e toda a equipa vão tentar construir uma nave espacial para confrontar o Why-man, a entidade que petrificou a humanidade e que está algures na Lua. É um objetivo que existe na série há bastante tempo, e ver como a TMS Entertainment vai executar essa conclusão é talvez a maior curiosidade desta temporada para os fãs da série. Os trailers têm o visual cuidado que a adaptação manteve ao longo das temporadas, e a sensação geral é de que esta vai ser uma despedida à altura.
7Daemons of the Shadow Realm
Se há um título desta primavera que justifica por si só toda a atenção, é este, e não é só pela antecipação. Daemons of the Shadow Realm (Yomi no Tsugai) é a nova obra de Hiromu Arakawa, a mangaká responsável por Fullmetal Alchemist, e isso seria razão suficiente para estar no topo de qualquer watchlist. Mas quando se olha para o conjunto de pessoas envolvidas na adaptação, a coisa fica ainda mais séria.
A estreia está marcada para 4 de abril, com transmissão global via Crunchyroll. O estúdio é a Bones Film, a mesma divisão da Studio Bones que animou Fullmetal Alchemist: Brotherhood, e a direção está a cargo de Masahiro Andō, que trabalhou com Arakawa nas duas adaptações anteriores. A composição de scripts é de Noboru Takagi, responsável por Kingdom e pelas primeiras quatro temporadas de Golden Kamuy. A música é de Kenichiro Suehiro, compositor de Re:Zero e Golden Kamuy. A abertura é interpretada por Vaundy, Tobu Toki, e o ending por yama, com Tobō yo. É uma equipa que raramente se junta desta forma.
A história segue Yuru e Asa, gémeos criados numa aldeia remota vigiada por dois guardiões de pedra, que são separados após um ataque violento. Num mundo onde certos humanos controlam criaturas sobrenaturais chamadas Tsugai, os dois irmãos descobrem que a sua ligação a esses seres é diferente de qualquer outra. O mangá, publicado desde dezembro de 2021 no Monthly Shōnen Gangan, já tem doze volumes e foi comparado ao início de Demon Slayer pela forma como constrói a relação entre os dois protagonistas. A série vai ter dois cours completos, cerca de 24 episódios, o que dá espaço para desenvolver a história sem cortes forçados.
6The Warrior Princess and the Barbaric King
Não é toda a gente que precisa de narrativas densas e sistemas de poder complexos e The Warrior Princess and the Barbaric King existe precisamente para quem quer rir sem deixar de estar envolvido na história. Serafina de Lavillant é a guerreira mais poderosa do lado ocidental de uma guerra que acaba de perder, foi capturada pelos bárbaros e está completamente preparada para morrer com dignidade. O que não estava nos planos era que o rei bárbaro Veor, em vez de a executar, decidisse pedi-la em casamento.
O mangá existe desde 2021 e tem um humor que nasce do choque genuíno de personalidades e lealdades, não de situações forçadas nem de mal-entendidos que se poderiam resolver numa conversa de dois minutos. A tensão entre o peso real de uma guerra e a dinâmica quase absurda entre os dois protagonistas é o que mantém os leitores, e é difícil não estar curioso para ver como isso respira em animação. Para quem quer intercalar os títulos mais pesados da temporada com algo que dá vontade de sorrir, este é o candidato óbvio.
5Mission: Yozakura Family — 2ª temporada
Mission: Yozakura Family (Yozakura-san Chi no Daisakusen) foi uma das surpresas de 2024. Numa temporada onde havia concorrência pesada, a série conseguiu encontrar o seu espaço ao fazer bem duas coisas que raramente convivem: ação intensa e comédia familiar. O humor não aliviava o peso das cenas de espionagem, e as cenas de espionagem não destruíam o ritmo cómico, um equilíbrio que é mais difícil de conseguir do que parece.
A segunda temporada regressa após dois anos com a SILVER LINK novamente no comando. A história retoma depois de Taiyo e Mutsumi sobreviverem a uma tentativa de assassinato durante a própria cerimónia de casamento, e foca agora o quotidiano dentro da mansão da família Yozakura, o que, neste universo, significa que o perigo está literalmente em cada divisão. A SILVER LINK está a gerir pelo menos outras duas adaptações em simultâneo em 2026, mas os trailers desta segunda temporada não deixam transparecer pressão de produção.
4Ace of Diamond Act II — 2ª temporada
O anime de desporto conquistou nos últimos anos um estatuto que antes não tinha, Blue Lock e Haikyu!! elevaram as expectativas do público para o que o género pode fazer em termos de narrativa e execução visual, e Ace of Diamond tem a história para estar nessa conversa. O problema é que o Act II anterior nem sempre esteve à altura, e a mudança de Madhouse para OLM era uma incógnita que muitos fãs seguiam com desconfiança.
Os trailers resolveram parte dessa desconfiança, a qualidade de animação deu um salto visível em relação ao arco anterior, e há uma energia nas sequências que sugere que a OLM entendeu o que a série precisa para funcionar. Com 52 episódios disponíveis, há espaço mais do que suficiente para dar a Eijun Sawamura o arco que os fãs têm esperado, incluindo o duelo com Ichidaisan, que é há muito o confronto mais antecipado da série.
3Marriagetoxin
A Bones Film aparece duas vezes nesta lista de primavera, o que diz tudo sobre o momento do estúdio. MARRIAGETOXIN, escrito por Joumyaku e ilustrado por Mizuki Yoda, é o tipo de série que parece simples na sinopse e que fica cada vez mais complicada à medida que se avança, e essa é exatamente a sua maior força.
Hikaru Gero é herdeiro do Clã do Veneno, uma das cinco grandes famílias de assassinos, e descobre que precisa de se casar e ter descendência com urgência, caso contrário, a sua irmã será usada para esse fim. A candidata que encontra é Mei Kinosaki, a proposta falha de forma espetacular, e os dois acabam a procurar em conjunto uma solução que sirva os dois. O mangá tem o dom de virar as expectativas do leitor nos momentos mais inesperados, e com a Bones Film a tratar da parte visual, é difícil ver como isto pode correr mal.
2Mao
Rumiko Takahashi tem um lugar garantido na história do mangá, Inuyasha, Ranma ½ e Maison Ikkoku são referências que moldaram o que o shonen e o seinen modernos são. MAO é a sua série mais recente, e a adaptação para anime em 2026 vai ser produzida pela Sunrise, o estúdio que animou Cowboy Bebop, Code Geass e Gintama. A combinação é, no mínimo, digna de atenção.
A história tem os elementos clássicos de Takahashi, um mundo com yōkai, portais para dimensões paralelas, e uma protagonista, Nanoka Kiba, que atravessa um desses portais e regressa com poderes que não consegue explicar. Encontra Mao, um viajante com quem partilha muito mais do que inicialmente parece, e a narrativa desenvolve-se com aquele ritmo característico da autora, mistérios que se revelam gradualmente, relações que crescem com tempo, e um humor que nunca destrói o peso das cenas mais sérias. Não é o título mais barulhento da temporada, mas tem toda a consistência para ser um dos mais sólidos.
1Kill Blue
Tadatoshi Fujimaki é o autor de Kuroko no Basket, e Kill Blue é a sua proposta mais recente, publicada desde abril de 2023 e com uma premissa que é difícil de não achar ao menos curiosa. Juuzou Oogami tem 40 anos, é assassino profissional, e um dia é picado por uma vespa que lhe altera o ADN de forma irreversível, transformando-o num rapaz de 12 anos. Incapaz de continuar o trabalho, é enviado para o ensino básico com uma missão de espionagem que envolve a herdeira de uma empresa farmacêutica.
O que começa como uma comédia de situação com acção vai gradualmente tornando-se noutra coisa, a história de alguém que, pela primeira vez na vida, experimenta o que é ser jovem. Ter amigos, ir à escola, ter uma rotina que não envolve eliminar alvos. O contraste entre a mentalidade de um veterano experiente presa num corpo de criança é a fonte do humor, mas há algo genuinamente interessante na ideia de um personagem a descobrir uma infância que nunca teve. O estúdio Cue tem material de sobra para fazer algo com isso.








