
Megumi Ogata, a atriz de voz japonesa conhecida por dar voz a Shinji Ikari em Neon Genesis Evangelion e Nagito Komaeda em Danganronpa 2: Goodbye Despair, partilhou recentemente memórias reveladoras sobre a sua relação profissional com o diretor de anime Hideaki Anno. Durante uma entrevista para a SHIBUYA ANIME BASE, realizada após o seu concerto especial anual de dezembro de 2025, a atriz abriu o coração sobre as dificuldades enfrentadas ao longo de quase 40 anos de carreira.
Desde a sua estreia como Minamino Shuichi em YuYu Hakusho, os papéis mais emblemáticos de Ogata têm sido rapazes adolescentes. No entanto, manter essa essência revelou-se um fardo pesado ao longo das décadas.
“Não sou uma atriz particularmente habilidosa ou talentosa, por isso, para continuar a poder fazer papéis de rapazes de 14 anos, nunca posso abandonar os meus próprios sentimentos de ter 14 anos”, confessou a atriz. “Durante muito tempo, sempre pensei que me tornaria inútil a menos que continuasse a carregar esses sentimentos”.
A pressão de manter este estado emocional permanente criou um isolamento profundo. Ogata estava convencida de que ninguém compreenderia as suas lutas e que, sem essa capacidade de incorporar adolescentes, não teria lugar na indústria da dobragem.
O momento que mudou tudo
Foi durante a gravação de Evangelion que Ogata encontrou finalmente alguém que entendia o seu sacrifício. Após gravar a cena em que Shinji parte para salvar Rei Ayanami, a atriz esgotou-se completamente e caiu no chão, incapaz de se levantar.
Nesse momento, Anno entrou apressadamente no estúdio e sentou-se ao lado de Ogata, pegando na sua mão. As suas palavras ficaram gravadas para sempre:
“Obrigado por te agarrares sempre aos sentimentos de alguém com 14 anos. Foi graças a nunca abandonares esses sentimentos que conseguimos criar Evangelion”.
“Anno foi o único que reconheceu as minhas lutas. Fez-me perceber que estava mesmo feliz por ter conseguido chegar até aqui como atriz de voz”, recordou Ogata.
Ao relembrar o trabalho com Anno, Ogata descreveu as sessões de gravação de Evangelion como algo por vezes caótico, resultado direto da alma que o diretor investia na criação do anime.
“Tanto na altura como agora, o diretor Anno sempre valorizou uma abordagem de performance ao vivo no seu trabalho. Na época, Evangelion era como uma performance ao vivo para todos os que participaram na sua criação”, explicou a atriz.

Esta revelação lança uma nova luz sobre o processo criativo por trás de uma das séries de anime mais influentes de sempre, mostrando que a intensidade emocional de Evangelion não se limitava apenas ao ecrã, mas permeava todo o ambiente de produção.
A partilha de Ogata oferece uma perspetiva rara sobre os bastidores da indústria japonesa e sobre a relação única entre uma atriz de voz e o diretor que soube valorizar os seus sacrifícios artísticos.









