A segunda temporada de Frieren: Beyond Journey’s End termina a 27 de março ns Crunchyroll. Para quem já não sabe o que ver a seguir, há várias séries que partilham o mesmo espírito contemplativo e emotivo.
7Natsume’s Book of Friends
Há uma certa ironia em colocar Natsume’s Book of Friends no topo desta lista, sendo que a série tem mais de quinze anos e continua a ser um dos anime mais ignorados por quem descobre o género tarde. Takashi Natsume cresceu sem pertencer a lado nenhum, os pais morreram cedo, passou de lar em lar, e a capacidade de ver espíritos que mais ninguém via tornou-o um estranho em todos os sítios onde viveu. Quando chega ao interior do país para viver com um casal que o acolhe genuinamente pela primeira vez, descobre que a avó que nunca chegou a conhecer deixou um legado complicado, um caderno com os nomes de todos os espíritos que derrotou e subjugou.
O que poderia ser uma premissa de ação sobrenatural transforma-se em algo completamente diferente. Cada episódio é um encontro, com um espírito diferente, com uma história diferente, com uma forma diferente de falar sobre perda e gratidão. A série não tem um arco narrativo rígido, e é precisamente isso que a aproxima de Frieren, a sensação de que a jornada é o destino, e que o que fica são os laços, não as batalhas. Produzida pelo Brain’s Base, tem várias temporadas disponíveis e continua a ser uma das experiências mais reconfortantes que o anime oferece.
6Violet Evergarden
A Kyoto Animation é um estúdio que raramente precisa de apresentações, mas Violet Evergarden merece ser mencionada não apenas pelo estúdio que a produziu, mas pelo que conseguiu fazer com uma história aparentemente simples. Violet foi criada para ser soldado antes de saber o que era ser humana. Quando a guerra termina, encontra-se sem função, sem o homem que a tratou como pessoa pela primeira vez, e sem a capacidade de entender o que ele lhe disse antes de desaparecer. A série acompanha o seu percurso como Auto Memory Doll, alguém que escreve cartas por encomenda, colocando em palavras os sentimentos que os clientes não conseguem exprimir.
A ligação com Frieren é óbvia, ambas as protagonistas têm uma relação estranha com as emoções humanas, e ambas as séries usam essa distância para dizer coisas que uma narrativa convencional nunca conseguiria. Violet Evergarden é construída episódio a episódio como cartas que se abrem devagar, e cada uma tem o potencial de partir qualquer coisa por dentro. A animação da Kyoto Animation é, como seria de esperar, absolutamente impecável, mas não é o que torna a série inesquecível. É o que está por baixo disso.
5To Your Eternity
Se há uma série que leva mais longe a ideia central de Frieren, o que significa existir através do tempo enquanto tudo à volta muda e desaparece, é To Your Eternity. A premissa é estranha à primeira vista, uma entidade sem forma é lançada para a Terra com a capacidade de se transformar em qualquer coisa que encontre, desde objetos inanimados até humanos. Começa como uma rocha. Depois como um lobo. E, eventualmente, como uma criança.
O que segue é uma jornada por séculos de história humana, onde cada pessoa que Fushi encontra deixa uma marca permanente, e onde cada despedida é também uma transformação. Produzida pelo Brain’s Base, a série é emocionalmente exigente de uma forma que poucas o são. Não tem medo de matar personagens que o espectador já ama, e fá-lo com uma crueldade que serve a história em vez de a sensacionalizar. Para quem ficou preso à ideia de Frieren a caminhar por um mundo cheio de memórias de pessoas que já não existem, To Your Eternity é o passo natural.
4Mushishi
Ginko é um Mushishi, alguém que estuda e lida com os Mushi, formas de vida tão primitivas que existem além de qualquer categoria moral. Não são bons nem maus. Existem porque existem, e por vezes a sua existência interfere com a vida humana de formas que Ginko tenta compreender e resolver. A série, produzida pelo estúdio Artland e baseada no mangá de Yuki Urushibara, é composta por episódios independentes: cada aldeia, cada pessoa afetada, cada Mushi é uma história nova.
O ritmo de Mushishi é propositadamente lento, quase meditativo. Não há urgência, não há vilão principal, não há um arco que o espectador precisa de acompanhar episódio a episódio para não perder o fio. É exatamente esse desprendimento que o torna tão valioso. Para quem viu Frieren e percebeu que o que mais apreciou foi a atmosfera e não a trama, Mushishi é provavelmente a recomendação mais certeira desta lista.
3Yona of the Dawn
Yona of the Dawn é uma daquelas séries que ficaram injustamente esquecidas durante anos, até dezembro de 2025, quando a sequela foi finalmente confirmada depois de uma espera de quase uma década. A série acompanha a Princesa Yona, que cresce protegida dentro do castelo até ao momento em que o seu mundo desmorona completamente, o pai é assassinado pelo homem de quem era apaixonada, e ela é obrigada a fugir com o seu guarda-costas, Hak.
O que distingue Yona of the Dawn da maioria dos anime de fantasia histórica é a forma como trata a evolução da protagonista. Yona não se torna poderosa de um dia para o outro. Muda de forma gradual, através dos encontros que vai tendo e das realidades do reino que nunca chegou a ver de dentro do palácio. É uma série sobre crescer a custo, sobre liderança que nasce da empatia, e sobre vínculos que se formam em circunstâncias impossíveis, exatamente o tipo de história que faz Frieren ser tão ressoante. Com a sequela confirmada, vale a pena começar agora.
2Secrets of the Silent Witch
Dos anime de 2025, Secrets of the Silent Witch foi provavelmente o mais subvalorizado. A série passa-se num reino onde a magia exige encantamentos verbais, exceto para Monica Everett, a única maga do mundo capaz de invocar magia em silêncio, o que a tornou simultaneamente famosa e completamente avessa à atenção pública. Quando é convocada para proteger o segundo príncipe de forma encoberta, é obrigada a infiltrar-se numa academia real como aluna comum, combatendo a ansiedade social a cada passo.
O tom é mais leve do que Frieren, há comédia, há situações absurdas, mas a construção do mundo e das personagens tem uma solidez que muitas séries de fantasia mais sérias não conseguem. Monica é uma protagonista pouco comum, não quer poder, não quer reconhecimento, e as suas motivações são genuínas e humanas de uma forma rara neste género. A série terminou sem anúncio de segunda temporada, mas os doze episódios existentes valem inteiramente o tempo.
1Wistoria: Wand and Sword
Wistoria: Wand and Sword estreia a segunda temporada a 12 de abril na Crunchyroll, o que significa que há cerca de três semanas para recuperar os doze episódios da primeira parte. A série acompanha Will Serfort, um jovem sem qualquer aptidão mágica que frequenta uma academia de elite onde a magia é o único critério que conta. A única arma que tem é uma espada, e o único objetivo que o move é reencontrar alguém que ficou para trás.
O que parece familiar torna-se rapidamente algo mais sofisticado. O sistema de magia tem lógica interna, o mundo tem história e escala, e as personagens secundárias têm motivações próprias que não giram em torno do protagonista. Não partilha o ritmo contemplativo de Frieren, mas partilha algo igualmente importante, a sensação de que cada episódio avança a narrativa de forma significativa, sem desperdiçar o tempo de quem vê. Para quem quer fantasia épica com substância, é uma das melhores apostas do momento.







