Inu x Boku SS — Análise

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Em Memória a Cocoa Fujiwara

 

”De um canto distante desse mundo quebrado, estamos admirando o céu. Irei em uma jornada para mostrar a você a gentileza. Ofereço minhas mãos a você, embora também não tenha lugar pra ir. Escondo minha solidão e sigo por esse caminho tortuoso. Senti pela primeira vez, na noite que você não estava comigo… Que meu coração estava cheio de dor.’’

 

Eu já comentei diversas vezes em algumas discussões não acaloradas e em sua maioria saudáveis aqui na OtakuPT com boa parte dos membros que, eu detesto o Moe nos animes – eu sou da vertente de que o Moe é o que está assassinando os animes lentamente, mas não no sentido de que isso esteja acabando com a indústria pois como podemos ver, é justamente ela o lado mais rentável. Porém, não se desenvolvem mais histórias como antigamente e eu não estou querendo ser saudosista e dizer que as histórias de antes eram superiores as que são criadas atualmente, pois em tempos atuais nós ainda temos algumas exceções que se salvam bastante e nos mostram que, ainda temos pessoas de muito talento no japão que se preocupam em desenvolver boas histórias no mundo dos animes – Psycho Pass e Yahari, estou olhando para vocês dois. Mas, eu devo dizer que existiu um dia onde o Moe conseguiu conquistar até mesmo uma pessoa sem coração, desalmada, rabugenta e muito desgostada com a indústria dos animes como eu. Mesmo ele tendo defeitos, eu os apresento o melhor anime Moe já feito segundo a minha opinião sincera: Inu x Boku SS.

 

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Ficha Técnica.

 

Essa obra tão mágica foi escrita e também ilustrada pela diviníssima Kokoa Fujiwara, uma japonesa autora de mangás e ilustradora para a Fukuoka Prefecture – que para quem não sabe, é uma prefeitura do Japão localizada na Ilha Kyushu, terceira maior ilha do arquipélago japonês. A sua entrada nesse mundo foi com o trabalho chamado ”Calling”, do qual ela fez quando tinha apenas 15 anos de idade. Ela escolheu não terminar os seus estudos e ir para uma High School, pois queria poder continuar a desenhar mangás. Além disso, ela era uma grande fã de RPGs como Final Fantasy, o qual ela já mostrou em um de seus trabalhos. Também era uma grande amiga de Jun Mochizuki – também uma artista de mangas mais conhecida por seu trabalho na série PANDORA HEARTS, e também era amiga de Yana Tobosu, conhecida por seu trabalho no mangá BLACK BUTLER – Kuroshitsuji.

Os trabalhos de Fujiwara, ”Watashi no Ookami-san” e ”Dear”, foram ambos publicados na Square Enix’s Monthly Gangan Wing. Dois CD’s dramas foram feitos para a sua obra Dear, um que possuía o mesmo nome e o outro que se chamava ”Dear: A Story of the next Day”. Logo em seguida, veio a sua obra Inu x Boku SS que foi adaptada para uma série de anime pela David Production que produziu entre Janeiro e Março de 2012. Infelizmente, enquanto ela estava no desenvolvimento do seu mangá ”Katsuke Maho Shoujo to Aku wa Tekitai Shieitai” na Square Enix’s Gangan Joker como uma obra Online, ela acabou por falecer, o que deixou a série incompleta. A OtakuPT noticiou sua morte em 2015, surpreendendo todos nós – o mundo infelizmente perdeu uma pessoa que possuía certo talento.

Inu x Boku SS (também conhecido como Youko x Boku que significa O Cachorro e eu: Serviço Secreto) é uma obra de mangá japonesa que foi adaptada pela David Production em Janeiro de 2012 até Março de mesmo ano. O anime foi licenciado pela Sentai Filmwork para transmissão e também lançada em DVDs na América do norte. Seu gênero é Shonen – inacreditável, não acham? – e teve o mangá publicado pela Square Enix, na revista Gangan Joker. No americano a sua publicadora foi a Yen Press. Ele possui 11 volumes de pura simplicidade, você não ira encontrar enquadramentos inovadores, seguimentos de cenas que são bem desenhadas ou muito menos bons desenhos como um todo – ele é bem simplista no que ele se propõe e dentro do seu gênero.

 

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Narrativa, História e Personagens.

 

Inu x Boku SS, eu poderia dizer que a história que ele conta não é uma história que vá surpreender muitas pessoas, ele possui muita fantasia envolvida mas não é nada surpreendente que nos faça pensar em alguma coisa que vá além do que ele diz como em outros animes que utilizam desse mesmo gênero. Porém, eu devo dizer que a nossa querida Kokoa Fujiwara sabe contar aquilo que ela quer da sua própria maneira e não parecer caído, ela tem uma narrativa boa e fluída. Apesar de em alguns momentos eu sentir que ela foca muito em destaques da história que não serão relevantes para a trama em si, ela consegue utilizar esses momentos para no mínimo, desenvolver os seus personagens e um sub-plot que foi montado entre eles. A adaptação conseguiu transpor isso em seus 13 episódios sendo um deles um OVA. Os personagens eles são de certa forma, genéricos, caso você já possua uma bagagem de animes extensos que possuem o mesmo gênero ou se derivam em cima disso, mas apesar de trabalhar com personalidades e conceitos não originais, nós temos uma história bem contada que ela conseguiu desenvolver de forma curta e direta sem focar muito em outros aspectos da trama que poderiam atrapalhar o seu seguimento – que inclusive, é bem linear, você não consegue se perder na história, nem mesmo nos famosos momentos que ganham destaque, pois não são tão longos quanto deveriam e são utilizados para desenvolver conflitos pessoais ou desenvolver os seus relacionamentos entre si, também contar um pouco de cada personagem.

Inclusive, desde o primeiro episódio até o último nós temos constantes cenas que nos dizem um pouco mais sobre nossa protagonista e o personagem claramente principal que a história foca em muitos momentos, deixando evidente que ele faz parte de uma trama maior que envolve e liga diretamente ele com a personagem principal. O relacionamento desses dois personagens, eu diria que são o grande foco narrativo da história – eles são o grande chamativo para fazer você querer descobrir mais sobre a história, afinal de contas, a história segue do ponto de vista da nossa protagonista se deparando com inúmeros eventos que para nós é um tanto desconhecido, mas que vemos por uma perspectiva um tanto quanto cética, por parte da personagem. O Anime ele exagera bastante na sua exposição ”Moe”, um dos defeitos que eu acho, sendo muito sincero mas que funcionou para dar mais carisma aos personagens, afinal de contas, existem inúmeras pessoas no mundo que gostam disso (loucos). Um ponto que temos exageradamente no OVA, onde ele se foca mais em desenvolver o relacionamento dos dois personagens após o desfecho do episódio final.

Mas vamos concordar em uma coisa, você pessoa normal que está lendo isso: É uma história claramente pedófila, a personagem ela é apenas uma adolescente, não atingiu a maioridade e o homem pelo qual o anime quer empurrar um relacionamento já possui 21 anos que dentro da lei de maioridade penal do Japão, ele já é um completo adulto – ele tem consequências de seus atos e deve responder por eles a partir desse ponto. Por que o anime tenta empurrar algo tão errado? Eu sinceramente, não gosto desse determinado aspecto da autora, escrever algo claramente sabendo que aquilo é um romance entre um adulto e uma adolescente quase criança – o sue visual é claramente o de uma criança. Mas existem pessoas que conseguem receber obras assim de braços abertos e não ligar, eu simplesmente não entendo, não gosto e repudio isso.

 

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Direção e Animação

 

Não temos nada surpreendente que foi feito na produção desse anime, não encontramos enquadramentos que chamará nossa atenção ou que darão um toque a mais no desenvolvimento da trama – coisas que vemos em um Anime analisado por um dos membros da OtakuPT, School Days – mas nós tivemos uma boa adaptação que conseguiu melhorar os traços de Kokoa, afinal, David Productions é conhecida por conseguir melhorar e muito os traços de suas obras que adaptarão, conseguindo seguir uma certa fidelidade a obra original.

As vozes escolhidas para os respectivos personagens, eu gostei – não consigo dizer que os dubladores foram ruins, muito menos que suas vozes não condizem com seus personagens: Eu sinceramente gostei e senti que ficou todas bem encaixadas, destaque para a voz da Ririchiyo que, merece um certo cuidado principalmente quando falamos de uma personagem com estereótipo de Tsundere. Em momentos que exigem os dubladores forçarem a voz para se tornarem vozes dramáticas, todos mandam muito bem sem exceção alguma, obrigado.

 

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Trilha Sonora

 

Não temos nada muito excepcional, é uma trilha bonita e bem-feita para o gênero que ela irá compor, não temos músicas explosivas ou dignas de um seguimento de ação, mas temos trilhas que se assemelham mais a momentos críticos, sejam eles uma discussão, briga ou suspense. Todas as músicas são razoavelmente boas, elas não impressionam mas também não decepcionam. A direção conseguiu encaixar as trilhas em momentos que não senti que foram deslocadas, estão todas bem colocadas, não tiraria nenhuma de nenhum lugar que fora inserido.

 

A Abertura de Inu x Boku é uma só, chamada ‘Nirvana’, cantada pela banda MUCC.

 

O primeiro Encerramento é a música ”Rakuen no Photograph” do Yuichi Nakamura.

 

 

O Segundo encerramento é a música ”Kimi wa” da Rina Hidaka.

 

 

O Terceiro Encerramento é a música ”One Way” do Takuya Eguchi e Mamoru Miyano.

 

 

O Quarto Encerramento é a música ”SM Hantei Forum” do Tomokazu Sugita.

 

 

O Quinto Encerramento é a música ”Sweets Parade” da Kana Hanazawa.

 

 

E o Sexto e Ultimo Encerramento é a música ”Taiyo to Tsuki” do Yoshimasa Hosoya e Yoko Hikasa.

 

 

Considerações Finais!

 

Inu x Boku SS é um anime exageradamente Moe que tenta ser divertido e te contar uma história de forma linear e tranquila. Em momento nenhum você se sente confuso com o desenvolvimento da trama principal que envolve o relacionamento entre os personagens principais, ou os coadjuvantes que volta ou outra possuem cenas focadas em cada um deles para que possamos conhecê-los melhor. Não é uma trama inteligente, não é uma história que te fará pensar mas, com certeza, é um anime que merece ser visto e o seu mangá lido. Em memória a Kokoa Fujiwara… Eu recomendo Inu x Boku SS.

 

Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 40 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.