Análise — Vampire Knight

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Um dos animes que mais me envolveu emocionalmente em sua primeira vez assistindo-o, conhecendo aqueles personagens, acompanhando suas interações e relacionamentos bem construídos – até que eu ficava com uma sensação estranha quando acabava. Uma sensação do tipo: “Tem alguma coisa faltando aqui”. Eu não conseguia identificar, mas algo no meu coração me apontava para a falta de alguma coisa, haviam coisas que faltavam ser explicadas, serem compreendidas… então, eu fui acompanhar o mangá. Acompanhei fielmente a obra, até que após o seu término, eu cheguei a conclusão depois de respirar fundo: “Okay, tem alguma coisa que AINDA está faltando aqui”.

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Antes de falarmos da obra propriamente dita, queria compartilhar algumas informações com vocês sobre a criadora dessa obra peculiar. Como vocês sabem, uma autora japonesa de mangás, Matsuri Hino nasceu em Sapporo, Hokkaido. Ela realizou suas primeiras atividades como profissional em Setembro dia 10, 1995 na Lala DX com a One Shot do título “Ko no Yume Ga Same Tara”, ou, “When This Dream is Over” – história curta sobre uma garota chamada Masaki e seu amigo de infância Ruo, no qual se desenvolve seus relacionamentos e o seu amigo de infância constantemente assustando os garotos com os quais ela quer ter um encontro. Um dia ela encontra uma velha senhora no qual lhe da poderes que tornarão realidade os seus desejos. A One Shot em si não tem ligação com Vampire Knight ou qualquer tipo de ligação espiritual como personagens, história, trama, enredo, mas nós já conseguimos ver seus traços e como funciona um pouco do seu método de narrativa. Apesar da One Shot, ela é mais conhecia por seu trabalho em Vampire Knight.

Vampire Knight é um manga de temática Shoujo dos gêneros Drama, Romance, Sobrenatural, Comédia e Shounen-ai, escrito e ilustrada por Hino Matsuri. A Série é publicada na revista Lala desde janeiro de 2005. Seus capítulos reunidos em Tankobon são feitos pela Hakusensha, a série foi finalizada com 19 volumes. No Brasil, o mangá é publicado pela Panini Comics desde maio de 2007, a série também foi concluída com dezenove volumes. Adaptações dramáticas em CDs foram feitas, assim como duas adaptações para anime, ambas produzidas pelo Studio Deen e exibidas pela TV Tokyo – a primeira, contendo exatamente 13 episódios, entre 7 de abril e 30 de Junho de 2008, a segunda que é chamada: “Vampire Knight Guilty” contendo o mesmo número de episódios da anterior entre 6 de outubro e 29 de dezembro do mesmo ano.

Existem três Light Novels criadas por Matsuri Hino e Ayuna Fujisaki, publicadas no Japão pela Hakusensha em 2008 (As duas primeiras novels) e em 2013 (A terceira), respectivamente. As novels contam uma história secundária que utilizam os personagens do manga mas não são baseadas nos capítulos da série. A primeira Novel, “Vampire Knight: Ice Blue’s Sin”, conta duas histórias: um incidente que ocorre na Cross Academy no primeiro ano que Yuki chega entre os Day Class e conhece um estudante chamado Fuka Kisaragi, enquanto a segunda história detalha os eventos que ocorreram com Zero enquanto ele estava treinando para se tornar um caçador de Vampiros ao lado de Kaito Takamiya, outro garoto sobre os cuidados de Toga Yagari para se tornar um caçador de Vampiros.

A Segunda Novel, “Vampire Knight: Noir’s Trap” foca em dois personagens menores, Nadeshiko Shindo e Kasumi Kageyama, do mangá, seguindo suas respectivas histórias amorosas em Cross Academy, assim como também detalha os acontecimentos em volta do caso que aconteceu quando Akatsuki Kain e Ruka Souen vão visitar Senri Shiki e Rima Toya no estúdio. Já a terceira Novel, “Vampire Knight: Fleeting Dreams”, conta histórias secundárias sobre Rido Kuran, Sara Shirabuki, Yuki e Zero durante o timeskip. A Terceira novel é a única novel que até hoje foi licenciada pela Viz Media e lançada na América do Norte.

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Vampire Knight conta a história de Yuuki, uma estudante do colégio Cross, um internato de prestígio que divide alunos em dois grupos: A Classe dos Alunos de Dia, cujos alunos são humanos e todos usam uniformes escuros e a Classe dos Alunos Noturnos, constituídos por vampiros que usam uniformes claros. A Finalidade disso é promover a convivência pacifica entre ambas as espécies, tendo como a principal regra para a Classe noturna a proibição do drenamento de sangue humano dentro dos limites do colégio, em contra partida, eles devem tomar pastilhas de sangue. Apesar disso, a maior parte da sociedade humana e isso inclui os alunos do período da manhã, não podem saber da existência dos vampiros então para isso, os monitores foram criadores que na realidade atual como os seguranças do colégio. Assim, Yuuki Kurosu e seu amigo Zero Kiryuu ocuparam esses cargos e é a partir da perspectiva deles que acompanharemos a história de Vampire Knight.

Dado seu tempo, vamos acompanhando a vida desses dois personagens onde um deles – Yuuki – não possui memória alguma de seu passado, tendo como única lembrança a mais antiga de 10 anos atrás quando foi salva e é devota por um homem chamado Kaname Kuran, um Vampiro de Nivel E – Ex-Humano que perdeu a sua consciência e é dominado pelos seus instintos. Após ser salva ela é levada para a casa de um velho amigo de seus pais, Kaien Kurosu, onde foi adotada. Ao decorrer da trama vemos que, assim como seu pai, Yuuki acredita que de fato muitos dos vampiros são bons e que eles podem conviver entre os humanos de forma amigável, porém em contraponto temos Zero, que odeia a existência dos Vampiros e dúvida da concretização desse sonho pacifista pelo motivo de sua família ter sido assassinada por uma vampira antes, sendo ele o único sobrevivente.

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O que é o Vampiro em Vampire Knight?

O Conceito de Vampiros que temos em Vampire Knight são os típicos seres noturnos mas que não possuem quaisquer problemas de andar sob a luz solar normalmente, embora sejam sensíveis a ela e buscam andar disfarçados ou cobrindo seus rostos de alguma forma. Se destacam pela atração incomum que exercem sobre os humanos, mas, ao contrário dos clássicos, eles não temem o Alho, Cruz, Rosários ou águas, sendo esses vampiros possuidores de características bem humanas como dormir em camas de seres humanos. Podem ingerir outros alimentos além do sangue, embora isso não o sacie da sede. Apesar das pastilhas, ele pode vir a necessitar de um verdadeiro sangue, se alimentando ou de um parceiro, ou de um amigo. Segundo cenas no mangá, doar o seu sangue para outro vampiro é uma demonstração de amizade e afeto, sendo que uma vez mencionado no manga, a sede de um verdadeiro vampiro só pode ser saciada quando sugada de seu verdadeiro amor.

Existe uma grande hierarquia de vampiros que a série nos apresenta, tendo escalar diferentes níveis de vampiro e também suas especialidades e poderes um acima do outro, temos grupos poderosos e raros, alguns que vão além e até mesmo os de puro sangue onde todos são comandados pelo Conselho de Anciões, composto por Vampiros Nobres que governam com a ajuda dos Puros-sangues. Infelizmente, informações importantes da construção desse mundo em volta dos Vampiros de Vampire Knight não são apresentadas no manga e sim nos Fanbooks, mas que caso você acabe relevando o fato de informações importantes que enriquecem esses personagens eu mundo no qual eles estão inseridos, torna a experiência, conhecimento e o entendimento da obra muito mais rico e fácil de ser absorvido.

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O que eu sinto falta em Vampire Knight?

A História ela segue um ritmo bem linear até determinado ponto onde somos apresentados ao grande flash back (cenas no passado) e também o grande plot twist (reviravolta) da história que nos dá uma surpresa que ninguém estava esperando, a grande revelação e turning point (ponto de virada) da história – e está exatamente nessa revelação o problema. Eu gosto de histórias onde revelações bem impactantes são realizadas e quando paramos para pensar, faz muito sentido que aquilo tenha acontecido pois de fato, temos sido preparados aos poucos para recebermos essa revelação. O problema aqui em Vampire Knight, é a falta dessa preparação. Nós acompanhamos a história desses dois personagens inseridos nesse meio e interagindo com pessoas perigosas que podem facilmente gerar problemas e mais problemas para eles mas que seus ideais os impedem de fazer algo – seja por um lado, acreditando que esses seres podem viver ao nosso lado, ou por acreditarmos que eles são um grande câncer por viver no mesmo mundo que nós. A narrativa é bem empregada e a autora consegue construir o relacionamento dos personagens principais da série, nos fazendo se importar com eles cada vez mais com momentos românticos e únicos onde nem mesmo trilha sonora toca – elementos de direção no anime que deixa as cenas românticas e únicas.

O grande problema, é a surpresa não ter nenhuma pista sendo entregue tanto a personagem dentro da história quando para o telespectador que está acompanhando, pois se formos parar para analisar a grande revelação que muda completamente a vida daqueles personagens em volta dos protagonistas, não é condizente com o que a autora vinha trabalhando todo esse tempo pois nada indicava isso e tudo parece uma grande jogada do famoso ponto de virada: Deus Ex-Máquina. Uma situação é construída, ela precisa ser resolvida mas a forma como isso foi feito foi simplesmente tirada de sabe-se-lá-onde, onde a explicação vem só depois sendo que em momento algum da história isso é feito.

Nós temos personagens secundários sendo deixados de lado em suas pequenas tramas que envolvem ou não os personagens principais e seus modos de agir e pensar sobre a situação que estão inseridos, para desenvolver e focar único e exclusivamente nessa personagem após a grande virada de história. E o incrível é como essa personagem vira algo completamente diferente do que ela queria ser, indo contra suas ideias e também ideais, até mesmo indo contra o que a narrativa vinha construindo esse tempo todo em cima dessa personagem, os personagens que ela veio interagindo e dialogando todo esse tempo… feito para… agradar o público feminino, talvez? E caímos no que eu sinto falta em Vampire Knight que é a sensação de continuidade onde nós vinhamos acompanhando um seguimento de história sendo trabalhado, mas isso é cortado e quebrado para dar foco em um outro tipo de desenvolvimento, deixando de lado personagens que você vinha trabalhando e desenvolvendo para o público, tanto os protagonistas quando os secundários que estão inseridos nesse meio, e a sensação de que vinhamos acompanhando um tipo específico de história é deixado de lado e causa essa sensação estranha que estamos acompanhando um outro tipo de história completamente diferente.

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Como adaptação, Vampire Knight está de parabéns.

Apesar de tudo isso que eu falei sobre história, questão dela decepcionar em seu quesito de continuidade e não saber desenvolver tão bem continuadamente e parar o seu desenvolvimento para focar em uma trama que vai contra o que vinha sendo feito, por outro lado nós podemos começar a falar muito bem da produção de Vampire Knight que, como adaptação, ela é realmente muito boa. O estúdio responsável por trazer o mangá, sua obra original para a televisão, conseguiu adaptar muito bem os traços da autora e transportá-los de forma mais fluída, dando vida e também mantendo o ar bem misterioso e cinza da história – não cinza no quesito de que a animação e as cores utilizadas são baixas e mantendo uma sensação de cores baixas e cinzas, como se fosse um filme antigo, pelo contrário. As cores são vivas em alguns momentos, mas o ar que temos durante todos os episódios e animação é um pouco escuro e sombrio, mesmo em vários momentos em lugares iluminados temos aquela sensação um pouco opressora, mantendo o clima que a autora constrói em seus capítulos do mangá.

As vozes escolhidas para os personagens são bem condizentes com suas personalidades e trejeitos, os atores capricharam bem na hora de transporem seus personagens e menção honrosa para o dublador do Kaname Kuran, Daisuke Kishio que também é o dublador de Loke/Leo, Scorpio e Toby Olorta em Fairy Tail, Noel Kreiss em Final Fantasy XIII-2 & Lightning Returns Final Fantasy XIII, Cody em Ultra Street Fighter IV & Street Fighter x Tekken – além claro, do papel que eu mais gosto dele: Kasuka Heiwajima em Durarara!!. Temos muitos outros dubladores talentosos no cast de Vampire Knight mas gostaria de citá-lo pois poucas pessoas o conhecem e falam sobre seus trabalhos anteriores. Outros trabalhos do estúdio nós já citamos aqui anteriormente enquanto falávamos sobre Higurashi no Naku Koro Ni, afinal, é a mesma empresa que adaptou as animações de Higurashi incluindo Umineko no Naku Koro Ni.

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Trilha Sonora – Que produção… Que Produção, ein?

A trilha sonora de Vampire Knight é um toque excelente que os desenvolvedores e produtores prestaram atenção na hora de adaptarem, músicas condizentes com o clima de histórias de vampiro e uma sensação vitoriana por trás, utilizando muito violino, piano e principalmente músicas lentas em vários momentos importantes – além claro, das bandas que compuseram as aberturas e encerramentos. A Trilha Sonora foi composta por Takefumi Haketa e consiste em 30 faixas – incluindo a abertura e enceramento.

Tanto a abertura da primeira temporada e da segunda são realizadas pela banda On/Off, sendo a primeira: “Futatsu no Kodo to Akai Tsumi”.

A abertura da segunda temporada se chama: “Rinne Rondo” como eu já disse logo acima, também produzida pela banda On/Off – Curiosidade: É a mesma banda que produziu o segundo encerramento da primeira temporada de Durarara!!.

O primeiro encerramento é feito por Kanon Wakeshima com uma das melhores músicas já feitas para algum anime na minha humilde opinião, chamada “Still Doll”. A Letra, a melodia e também a animação produzida para ela combinam muito com o clima tanto da primeira metade do anime quanto da segunda. Além da letra, como eu já falei, que é muito instigante.

O Segundo encerramento também é feito pela Kanon Wakeshima, mantendo a qualidade de suas músicas e trilhas com a “Suna no Oshiro”.

 

Recomendação e Considerações Finais!

Vampire Knight apesar de ter certos momentos que não são explicados e seus contextos visuais podem ser bonitos e visualmente impressionantes mas que não condiz com os personagens e a construção da narrativa que vem sido feita, ele é uma história bem gostosa de se acompanhar, principalmente se você consegue se sentir conectado a alguns dos personagens – infelizmente eu não sei quanto aos secundários pois muitos são simplesmente jogados de lado, mas caso haja a conexão, continue pois a história dará caminhos interessantes para esses personagens e o gostoso é vê-los interagindo entre si por mais clichê que os diálogos sejam, eles não são cansativos e dizem cada vez mais sobre os personagens. A adaptação é relativamente fiel e não foge do que o manga quer te contar, apesar de a segunda temporada terminar de uma forma desagradável, ela deixa uma certa pulga na orelha que irá te fazer ir ao mangá e acompanhar o término da história.

 

Apesar da nota baixa, Eu Recomendo Vampire Knight: Por que? Pois eu já disse inúmeras vezes em conversas na OtakuPT: Eu sei que ele não tem uma história tão interessante nem tão bem estruturada, mas ela é rica de informações e eu consigo me importar com vários dos personagens que eu estou acompanhando e me identificar com vários deles durante a construção dos enredos que desenrolam a história.

Espero que tenham gostado da análise, não deixem de acompanhar os próximos conteúdos da OtakuPT, fiquem atentos nas notícias que temos todo dia sendo publicadas pelo Bushido e, principalmente, não deixem de conferir os conteúdos que a Staff produz pois sempre temos coisas interessantes para te apresentar.

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