Animador de Boruto não recomenda animadores a trabalharem na indústria de animes no Japão

Animador de Boruto recomenda animadores a não trabalharem na indústria de animes no Japão

Animador de Boruto, Castlevania 2, To Be Heroine e SSSS.Gridman, Ida Bagus Gede Yoga Narayana (Guzzu) da Indonésia, em declarações em entrevista recente fala sobre as diferenças em condições da indústria de animação entre o Japão e o ocidente, e deixa uma mensagens para animadores e aspirantes que não devem ingressar na industria de animação no Japão a não ser que sejam “masoquistas”.

Guzzu começa por enumerar várias dificuldades que animadores de “fora” poderão encontrar de primeira na indústria, tais como: a barreira linguística (os estúdios japoneses não têm propriamente staff que possa fazer a ligação entre línguas diferentes, e não têm muita paciência para a aprendizagem); o tempo fazer elaborar os desenhos é extremamente curto o que resulta na maioria das vezes em animação limitada (o que não importa muito ao estúdios e produtores, sendo que o mais importante é entregar a animação concluída a completa); o pagamento é bastante reduzido comparado a outras produções no ocidente; os custo de vida elevados, nomeadamente em Tokyo que é onde se encontra a maioria dos “grandes” estúdios de animação e por último as condições de trabalhos que engloba (horas de trabalho, baixa remuneração e má gestão).

Todos esses fato fizeram Guzzu abandonar a indústria de animação japonesa “temporariamente” para focar-se assim em projetos no ocidente como Castlevania 2, o sua última contribuição para anime foi na 5ª abertura de Boruto. Guzzu partilhou, talvez, a sua pior experiência que foi no famoso episódio 65 de Boruto, que o próprio contribuiu para cerca de 1 minuto de animação nas cenas de ação.

Na altura da produção de Boruto, nós apenas tivemos 2 semanas e 5 dias para animar toda a sequência de ação do episódio 65. Weilin Zhang e eu tivemos a cargo sequências de cerca de 1 minuto no total, tivemos de desenhar certa de 1300+ frames. Weilin e eu tivemos as cenas mais CRUCIAS do episódio, enquanto que outros colegas nossos ficaram a cargo cerca de 3-10 segundos de animação . Com um deadline tão apertado, tivemos de completar toda a animação de personagens, efeitos, explosões, layouts de fundo, cameras, e clean up.

Em adição, Guzzu também estaria a completar as suas cenas para Castlevania 2 na mesma altura desse episódio, o que tornou a carga de trabalho quase incomportável com muitas horas seguidas e muitas noites sem dormir.

Eu sugiro que se desejarem mesmo trabalhar em anime, o façam um ou duas vezes por ano, e rezem que o vosso trabalho exceda as suas expectativas. Não é tarefa fácil, mas com certeza que encontraram ofertas de trabalho com condições mais “humanas”. Não se tornem em animadores a contrato (full-time) no Japão,procurem por trabalhos freelance na indústria ocidental, juntem dinheiro o suficiente para não se stressarem. Claro, isto não quer dizer que não devam totalmente trabalhar em full-time no Japão. Mas se realmente o desejarem, devem ser fortes ou ter uma alma masoquista.

Guzzu acrescenta ainda que na sua opinião os estúdio e a indústria no geral tratam os animadores como “maquinas de fazer dinheiro”, e apesar de serem os animadores a fizeram o trabalho “duro” e até sacrificarem a sua própria saúde para completar as suas animações, são os atores de voz (seiyuus) que recebem mais… muito mais!!