Se és fã de anime vais querer conhecer estes shonen que rivalizam com os melhores do género e podem até superar Jujutsu Kaisen.
10Gachiakuta
Estreado a 6 de julho de 2025 pelo estúdio Bones, Gachiakuta chegou numa altura em que muita gente já achava que o shonen não tinha mais surpresas para dar. Enganou-se. A série acompanha Rudo, um jovem que vive nas favelas de uma cidade onde os ricos deitam tudo fora sem pensar duas vezes. Quando o seu pai adoptivo é assassinado e ele é culpado injustamente pelo crime, Rudo é atirado para o Poço, um abismo sem fundo repleto de lixo e de criaturas monstruosas formadas a partir dele.
O que distingue Gachiakuta logo nos primeiros episódios é a recusa em seguir o molde habitual. Rudo não é o típico protagonista shonen cheio de energia e sorrisos. É uma personagem consumida pela raiva, que carrega um peso real e visível desde o início, e isso torna cada vitória sua genuinamente satisfatória. O argumento é do mesmo Hiroshi Seko que trabalhou em Chainsaw Man e Vinland Saga, o que diz muito sobre o tom da série.
A nível visual, Gachiakuta é um caso à parte. O estilo inspirado no grafite, desenvolvido pelo co-criador Hideyoshi Ando, foi transposto para a animação de uma forma que poucos esperavam que resultasse tão bem. Os combates têm uma textura própria, quase suja, que casa perfeitamente com o universo da série.
9Mob Psycho 100
Há uma ideia instalada de que um anime shonen de qualidade tem de ser construído em torno de batalhas épicas e sistemas de poder elaborados. Mob Psycho 100 ignora completamente essa premissa e, ao fazê-lo, acaba por produzir algo muito mais interessante. Shigeo Kageyama, conhecido como Mob, é possivelmente o personagem mais poderoso da sua série, capaz de destruir tudo ao seu redor quando os seus sentimentos atingem o limite. E ainda assim, a série nunca trata esse poder como o elemento central da história.
O que o estúdio Bones fez com a adaptação do trabalho de ONE é notável. A animação é deliberadamente imperfeita em certos momentos, expressiva até ao absurdo noutros, e essa escolha estética reflecte exatamente o que Mob está a atravessar internamente. Quando os seus poderes explodem, a animação acompanha. Quando ele está a tentar ser normal, a série adopta um registo quase banal.
A verdadeira força de Mob Psycho 100 está no crescimento de Mob como pessoa, não como combatente. Ao contrário de Jujutsu Kaisen, onde o arco emocional de Yuji acaba frequentemente enterrado sob camadas de acção e revelações, aqui o desenvolvimento interior da personagem está sempre em primeiro plano. E o mesmo se aplica às personagens secundárias, nenhuma das quais é tratada como descartável.
8Chainsaw Man
É curioso que Chainsaw Man e Jujutsu Kaisen partilhem o mesmo estúdio de animação, a MAPPA, porque dificilmente poderiam ser séries mais diferentes. Enquanto Jujutsu Kaisen tende a prolongar os seus arcos de combate até ao limite, Chainsaw Man resolve as suas batalhas depressa e sem cerimónias, e parte imediatamente para o próximo problema, que invariavelmente é mais estranho e mais brutal do que o anterior.
Denji é um protagonista que faz tudo o que os protagonistas shonen não costumam fazer. Os seus desejos são simples ao ponto de serem quase embaraçosos: quer comer bem, ter um lugar para dormir e sentir o calor humano que nunca teve. Essa transparência, ao invés de o tornar menos interessante, faz dele uma das personagens mais honestas do género. É impossível não torcer por alguém assim.
A série tem também uma capacidade rara de surpreender o espectador. Personagens que parecem intocáveis desaparecem sem aviso. Situações que pareciam seguir um caminho previsível viram completamente. O humor negro que atravessa tudo funciona porque a série sabe exatamente quando usá-lo e quando recuar. Chainsaw Man não é uma série para toda a gente, mas para quem se rende a ela, é difícil voltar ao convencional.
7Demon Slayer
Poucos animes conseguiram o que Demon Slayer conseguiu, chegar a espectadores que nunca tinham visto um episódio de anime na vida e convertê-los completamente. Não é por acaso. A história de Tanjiro Kamado assenta em temas que não precisam de explicação, a proteção da família, o sacrifício, a persistência perante o impossível. Não há sistemas de poder que exijam uma wiki aberta em paralelo para perceber o que está a acontecer.
A ufotable fez um trabalho que vai ser lembrado durante muitos anos. A qualidade de animação de Demon Slayer redefiniu o que se esperava de uma série anime, e os filmes Mugen Train e Infinity Castle elevaram isso ainda mais. Há sequências de combate nesta série que parecem desenhadas fotograma a fotograma para ser o melhor possível, porque foram.
O que Demon Slayer tem que Jujutsu Kaisen nem sempre consegue manter é uma coerência emocional ao longo de toda a série. A história nunca perde de vista o que realmente importa, e isso faz com que cada vitória e cada perda tenham um peso real para o espectador.
6Wind Breaker
Wind Breaker é o tipo de série que muita gente subestima antes de ver o primeiro episódio. Sem magia, sem poderes, sem sistemas de combate elaborados, apenas rapazes que lutam com as mãos e que tentam perceber o que significa ser forte. E no entanto, a série da CloverWorks é uma das mais envolventes que o shonen produziu nos últimos anos.
Haruka Sakura chega a uma nova escola com uma reputação construída em cima da violência e da solidão. O que encontra lá é um grupo de pessoas que luta não por ego ou por poder, mas para proteger a comunidade onde vivem. É uma ideia simples, tratada com seriedade, e isso faz toda a diferença.
Os combates de Wind Breaker têm um peso físico que a maioria dos animes de fantasia não consegue replicar. Quando alguém leva um soco, parece mesmo um soco. Esse realismo, combinado com o desenvolvimento gradual das relações entre os membros da Bofurin, cria algo genuinamente emocionante sem precisar de recorrer a nenhum artifício sobrenatural.
5The Disastrous Life of Saiki K.
Saiki Kusuo é provavelmente a personagem mais poderosa de toda esta lista. Telepatia, telecinesia, viagem no tempo, transmutação, há pouco que ele não consiga fazer. E o único uso que quer dar a tudo isso é ser deixado em paz para comer a sua gelatina de café. The Disastrous Life of Saiki K. é uma comédia absurda que funciona como desconstrução afetuosa de todos os clichés do shonen, e fá-lo com uma precisão e um ritmo que poucos conseguem igualar.
O formato da série, episódios curtos e rápidos, quase sem pausa entre as situações, obriga o humor a funcionar constantemente, sem rede. E funciona. As personagens que rodeiam Saiki são uma colecção de arquétipos completamente conscientes de si próprios, o que os torna muito mais engraçados do que se fossem tratados com seriedade.
Comparar esta série com Jujutsu Kaisen pode parecer estranho, mas o ponto é simples, The Disastrous Life of Saiki K. é imensamente revisitável e consegue criar afecto genuíno pelas suas personagens sem nunca se levar a sério. Isso tem um valor que não se explica facilmente, sente-se a ver.
4Haikyu!!
Há uma razão pela qual Haikyu!! é frequentemente citado como um dos melhores animes de sempre por pessoas que normalmente não assistem shonen. A série faz algo extraordinário, pega num desporto e transforma-o numa experiência tão tensa e emocionalmente carregada quanto qualquer batalha de vida ou morte.
Nenhum personagem de Haikyu!! está lá para ser o vilão. Cada equipa adversária tem as suas próprias histórias, as suas próprias ambições, os seus próprios momentos de vulnerabilidade. Quando uma equipa perde, sente-se essa perda de ambos os lados da rede. É muito difícil torcer contra alguém quando se percebe exatamente o que esse alguém perdeu.
O que a série constrói ao longo das suas quatro temporadas é uma tapeçaria de crescimento, individual e colectivo. Os personagens perdem. Perdem muito. E é nessas derrotas que a série é mais honesta e mais poderosa. Jujutsu Kaisen pode ter combates mais espectaculares, mas Haikyu!! tem momentos que ficam na memória por razões muito mais profundas.
3Assassination Classroom
Assassination Classroom começa com uma das premissas mais absurdas da história do anime, uma criatura octópode e virtualmente indestrutível torna-se professor de uma turma de alunos de baixo rendimento, dando-lhes um ano para o assassinar antes que destrua a Terra. E a partir daí, de alguma forma, torna-se numa das séries mais tocantes e humanistas do género.
O segredo está em Koro-sensei. É simultaneamente o antagonista e o melhor professor que qualquer um dos alunos alguma vez teve. Preocupa-se genuinamente com cada um deles, conhece os seus pontos fracos e as suas capacidades, e dedica-se a ajudá-los a crescer, sabendo desde o início qual é o destino que os une. Há nisto uma tristeza subtil que a série nunca empurra demasiado para o primeiro plano, mas que está sempre presente.
Cada aluno da turma 3-E tem o seu próprio arco, a sua própria história, o seu próprio momento de reconhecimento. É uma tarefa enorme para uma série de dois cours, e Assassination Classroom cumpre-a com uma consistência admirável. Jujutsu Kaisen tem personagens secundárias notáveis, mas raramente lhes dá o espaço que merecem. Aqui, esse espaço é a própria série.
2Noragami
Noragami chegou em 2014, produzido pelo estúdio Bones, e continua a ser uma das séries mais subestimadas do anime. A premissa é imediatamente cativante, Yato é um deus menor, sem templo, sem seguidores, sem ninguém que se lembre de rezar por ele. Cobra cinco ienes por pedido concedido e sonha com o dia em que terá um templo próprio. É uma personagem simultaneamente cómica e genuinamente melancólica, e essa tensão entre os dois registos é o que faz a série funcionar.
As cenas de acção de Noragami ainda hoje são citadas como referência. O Bones tinha uma linguagem visual muito própria na forma como animava os combates, fluida, dinâmica, com uma clareza espacial que muitos animes perdem quando a velocidade aumenta. Mais de dez anos depois, essas sequências continuam a aguentar bem.
Mas o que eleva Noragami acima da maioria é a sua exploração da ideia de esquecimento. Os deuses desta série existem enquanto houver quem acredite neles. Quando as pessoas os esquecem, eles desaparecem. Há qualquer coisa de muito humano nessa vulnerabilidade, a ideia de que mesmo os seres mais poderosos podem ser apagados simplesmente porque ninguém se lembrou deles.
1Fullmetal Alchemist: Brotherhood
Fullmetal Alchemist: Brotherhood foi concluído em 2010 pelo estúdio Bones e continua a ser, para uma enorme fatia dos fãs de anime, a resposta mais fácil à pergunta “qual é o melhor anime de sempre?”. Não é nostalgia, é a estrutura. FMAB é uma das séries mais bem construídas que o meio alguma vez produziu.
A história de Edward e Alphonse Elric funciona em múltiplas camadas em simultâneo. Há a aventura, a acção, a mitologia intrincada de um mundo onde a alquimia tem regras claras e consequências reais. E há também uma exploração do luto, da culpa e do que significa sacrificar-se por outra pessoa, que a série nunca abandona mesmo quando os combates dominam o ecrã.
O que distingue FMAB de quase tudo o resto, incluindo Jujutsu Kaisen, é a ausência de pontos fracos evidentes. Não há arcos que se arrastem, não há personagens que existam apenas para ser derrotados, não há revelações que contradigam o que foi estabelecido. Tudo encaixa, e quando a série chega ao fim, retroativamente enriquece tudo o que veio antes. É o tipo de obra que se vê pela primeira vez e imediatamente se quer rever para apanhar o que se perdeu.








