
Faltam poucas semanas para o anime Black Clover regressar depois de mais de cinco anos de espera, e o homem responsável por conduzir essa segunda temporada, Ayataka Tanemura, aproveitou a Anime Expo 2026 para falar sobre o que os fãs podem esperar. Em entrevista à Crunchyroll, o diretor recordou o seu percurso dentro da produção e explicou o que o motiva a continuar a contar a história de Asta e dos Black Bulls.
Tanemura não chegou à direção do anime de um dia para o outro. A sua ligação a Black Clover remonta a uma pequena produtora onde trabalhava quando a série ainda ia no episódio 4 da primeira temporada, altura em que teve oportunidade de participar na direção de storyboards, nomeadamente na forma como as personagens eram interpretadas visualmente. Foi também responsável por parte dos temas de abertura e encerramento da primeira temporada, os mesmos que se tornaram tão populares entre os fãs, e explica que a fórmula passou por ligar essas sequências musicais diretamente ao que estava a acontecer na história:
“Houve algumas aberturas e encerramentos na primeira temporada, mas, na parte de que fiquei encarregue, tentei ligar as aberturas e os encerramentos ao que estava a acontecer na própria história, com a Floresta das Bruxas e a Fana. E acho que conseguir ligar a abertura e o encerramento à história e aos temas que estavam a acontecer no próprio episódio, junto com a sincronização da música, tudo isso contribuiu para que se tornassem tão populares como disseste“.
A transição para o cargo de diretor aconteceu perto do final da primeira temporada, precisamente quando o confronto com o Reino de Spade começava a ganhar forma. Nessa altura, Tanemura ainda era assistente de direção, e explica como as suas funções foram mudando à medida que assumiu mais responsabilidade:
“Até essa altura, eu era assistente de direção, por isso muitas das minhas responsabilidades estavam relacionadas com a segunda metade do processo de produção, digamos assim. Nessa altura, o diretor [Tatsuya] Yoshihara estava encarregue dos storyboards e dos guiões, e supervisionava o desenvolvimento da série. Depois de ele dar o aval a isso, eu, como assistente de direção, assumia praticamente o resto. À medida que fui passando para um papel mais de direção, as minhas responsabilidades passaram a incluir a aprovação dos storyboards e a entrada mais cedo no processo de produção“.
Um filme diferente de uma série e um regresso cheio de expectativa
Entre a primeira e a segunda temporada, Tanemura também dirigiu o filme Black Clover: Sword of the Wizard King, uma experiência que descreve como bastante distinta de trabalhar numa série aniem. Com apenas 90 minutos de duração, o filme permitiu-lhe envolver-se diretamente em muito mais áreas da produção do que consegue agora, com uma temporada cuja soma de episódios ultrapassa largamente essa marca:
“Com o filme, tínhamos uma duração de 90 minutos, por isso, no que toca a supervisionar a produção, consegui envolver-me em muitas mais áreas e secções do processo de produção da animação. No entanto, com a série, a duração total de todos os episódios juntos vai ser muito superior a 90 minutos. E por causa dessa escala, há menos coisas que consigo supervisionar diretamente, em comparação com o filme“.
Ainda assim, garante que essa limitação não o impede de deixar a sua marca: “Mas, mesmo com essa limitação, tento sempre dar o meu contributo e aproximar toda a série da minha visão“.
Questionado sobre como reagiu ao saber que voltaria a trabalhar na série, Tanemura não escondeu o entusiasmo, referindo-se diretamente à première mundial do primeiro episódio, exibida durante a própria Anime Expo 2026:
“Estou muito entusiasmado! Hoje [na Anime Expo 2026] tivemos a oportunidade de estrear o primeiro episódio, e sei que ainda há muitos inimigos que não foram mostrados, e há muitas batalhas empolgantes no horizonte. E claro, somos nós que fazemos a animação, e há muitas cenas diferentes que eu, pessoalmente, mal posso esperar para ver. Por isso ainda há muito trabalho pela frente, mas acho que o episódio um é um ótimo ponto de partida“.

O que torna Asta especial, segundo quem o dirige
Para além dos bastidores da produção, Tanemura também partilhou a sua leitura sobre aquilo que torna Asta um protagonista tão marcante:
“Bem, o Asta tem esta força de vontade mental e este espírito de nunca desistir, que acho verdadeiramente incrível. Ele está também rodeado por muitos amigos e colegas, e até pelos próprios inimigos. E encontra diferentes formas de se relacionar tanto com os seus aliados como com os seus inimigos, o que acho muito louvável. Acho que todas estas relações que ele vive e das quais faz parte, uma a uma, tornam o Asta mais forte“.
Curiosamente, antes de entrar para a indústria de anime, o próprio Tanemura tinha as suas séries de eleição enquanto criança, destacando Dragon Ball Z como uma das suas favoritas, e, questionado sobre que tipo de magia gostaria de possuir caso vivesse no universo de Black Clover, respondeu sem hesitar que escolheria uma capacidade de teletransporte espacial, capaz de o levar instantaneamente para qualquer lugar que desejasse.
Uma mensagem final para quem vai voltar a assistir
Para encerrar a conversa, o diretor deixou uma mensagem direta a quem aguarda ansiosamente o regresso da série:
“Estamos a trabalhar mesmo muito para trazer a próxima temporada, que vai ser um upgrade em relação à primeira. Vai trazer o Black Clover de volta com força total, por isso vai haver muitos inimigos mais fortes que os nossos heróis vão ter de enfrentar. Acho que vai ser muito emocionante e há muito para esperar“.
E, tal como Asta repete ao longo de toda a série, Tanemura resumiu tudo numa frase curta antes de terminar a entrevista: “Nunca desistir“.









