BNA: Brand New Animal – Análise

Série anime do estúdio Trigger foi exibida na TV japonesa em abril e lançado mundialmente na Netflix no final do mês de junho.

Exibido na TV japonesa a partir do mês de abril deste ano e lançado mundialmente no final do mês de junho na Netflix, o anime BNA: Brand New Animal se mostrou uma grande surpresa para uma obra original e se mostra como mais um acerto do conhecido estúdio Trigger.

O anime possui animação do estúdio Trigger, com direção de Yoh Yoshinari (diretor de Little Witch Academia, episódios de Panty & Stocking with Garterbelt), a história é de Kazuki Nakashima (Tengen Toppa Gurren Lagann, Kill La Kill) e o design de personagens é de Yusuke Yoshigaki (Space Patrol Luluco, Ninja Slayer From Animation).

Naoki Takeda é o diretor de animação. Yoh Yoshinari está a dirigir a arte, Yoh Yoshinari é artista das cores-chave. Nozomi Shitara é o diretor de composição de fotografia e Kentarou Tsubone está na edição. O artista mabanua (Kids on the Slope, Megalobox) está a compor a música.

A série possui no elenco Sumire Morohoshi como Michiru, Yoshimasa Hosoya como Shirou, Maria Naganawa como Nazuna, Kaito Ishikawa como Alan, Gara Takashima como Barba Ray e Michiyo Murase como Mary Itami.

Na história do anime, no século XXI, a existência de animais-humanos veio à tona depois de estar escondida na escuridão da história. Michiru viveu a vida como um ser humano normal, até que um dia ela de repente se transforma num Cão-guaxinim japonês humano. Ela foge e refugia-se numa área especial da cidade chamada “Animália”, criada há 10 anos para que humanos-animais possam viver como eles mesmos. Lá Michiru conhece Shirou, um lobo-humano que odeia humanos. Através de Shirou, Michiru começa a aprender sobre as preocupações, estilo de vida e alegrias dos animais-humanos. Enquanto Michiru e Shirou tentam descobrir por que Michiru de repente se transformou num animal-humano, eles inesperadamente envolvem-se num grande incidente.

Se eu tivesse que definir BNA em apenas uma frase seria “um Gurren-Lagann sem robôs, mas com muitas loucuras visuais”, o anime produzido pelo estúdio Trigger possui muitas elementos da história anterior escrita por Kazuki Nakashima, mas com toda certeza o principal elemento que esta série possui em comparação ao seu antecessor são as críticas sobre a sociedade, preconceitos e religião.

Fazendo um comparativo com uma famosa HQ, os ferais (como são chamados os animais-humanos) são os equivalentes aos mutantes da franquia X-Men. No decorrer da série vemos os ferais sofrendo diversos tipos de preconceitos dos humanos comuns, coisas que vão desde a preconceitos por causa da aparência, estilo de vida ou por serem considerados como ameaças por se organizarem como sociedade. Apesar de ser em um mundo fictício, BNA acaba utilizando muito de sua historia para abordar coisas que aconteceram no mundo real e coloca os ferais como uma analogia a diversos povos que foram perseguidos no decorrer na história. A série ainda aborda de uma forma indireta sobre extermínio, genocídio e experiencias com “humanos”. Mesmo não falando com todas as letras, a historia de alguns personagens centrais acabam relacionadas com acontecimentos de extermínio de povos e uso de ferais em experiencias cientificas.

Um dos arcos centrais abordados em BNA é o uso da religião dentro da sociedade, essa abordagem ocorre mostrando a parte da alienação que a religião pode causar quando usada para ditar como uma pessoa deve viver seu dia a dia e como eles podem manipula um governo se utilizando da pressão popular. O anime não cita nenhuma religião conhecida, mas cria um tipo de culto se utilizando de uma versão de uma lenda japonesa. Já as críticas sobre a sociedade feitas em BNA são resultados relacionados sobre os extremos de religião e preconceito e que isso pode gerar consequências graves que vão se acumulando até explodirem em violência entre as pessoas.

Apesar de abordar temas mais pesadas o anime também aborda a temática da amizade, desenvolvendo no decorrer de seus episódios as amizades que Michiru acaba fazendo em sua jornada dentro de Animália e também sua amizade com Shiro e com Nazuna. É interessante ver também que a maior parte das ações que a personagem toma ocorrem para defender alguém que possui amizade com ela.

Mesmo parecendo que a série possui um clima pesado abordando da forma como citei os assuntos acima, BNA possui um roteiros extremamente divertido e que em nada parece com um anime que toca em assuntos tão adultos. Cada episódio possui um pequeno arco de desenvolvimentos para os personagens principais e ao mesmo tempo desenvolve uma trama maior que é finalizada apenas nos últimos episódios. Seus personagens são bem diversos e com personalidades bem distintas, isso apenas agrega muito a mitologia da série e ainda proporciona entender como os ferais funcionam como uma sociedade bem parecida com os humanos em diversos aspectos. Gosto também que a série também aborda um pouco o lado dos humanos ao mostrar que existem aqueles que não possuem preconceitos contra os ferais, assim como existem ferais que atacam os mesmos de sua especie ou outros humanos.

Pelo lado técnico posso dizer que BNA é incrível, ele possui o lado colorido de Gurren Lagann e de Little Witch Academia, mas com uma identidade própria. Sua animação é bem fluida e com uma fotografia muito bem trabalhada. Cada personagem possui um visual único e alguns possuem inclusive um visual mais agressivo que o normal. A trilha sonora combina muito com a série, porém ela não possui nenhuma música que ganhe um destaque individual.

No geral, BNA: Brand New Animal é um anime que eu não esperava nada e que acabou me surpreendendo ao se utilizar de um roteiro tão divertido para abordar temas tão pesados. A animação da série é incrivelmente colorida e com um visual e universo bem único e bem animado. No final, cada um dos 12 episódios da série valem a pena serem assistidos.