
O recente sucesso de Chainsaw Man – O Filme: Reze Arc (Chainsaw Man – The Movie: Reze Arc) reacendeu uma velha ferida entre os fãs da obra de Tatsuki Fujimoto. E o mais irónico? O próprio criador do mangá tornou-se vítima da sua própria narrativa trágica.
Numa entrevista Fujimoto revelou que a filosofia por detrás do arco de Reze sempre foi clara: “Gosto quando o protagonista e a heroína não acabam juntos. Quero que carreguem esse peso para sempre. Por isso, absolutamente não queria que Denji e Reze ficassem juntos, ou que Reze se tornasse uma aliada”.
A declaração, originalmente proveniente de material promocional de 2020 quando o volume do mangá do arco da Bomb Girl foi lançado, voltou a circular nas redes sociais após a estreia do filme. Para Fujimoto, influenciado por filmes melancólicos como Jin-Roh: The Wolf Brigade, a separação trágica era essencial para manter a integridade temática da obra. Segundo as suas próprias palavras, o objetivo era que a presença de Reze permanecesse na mente dos leitores como uma “maldição persistente”.
A reviravolta emocional
O que Fujimoto não esperava era tornar-se a próxima vítima dessa maldição. Após assistir à adaptação para filme anime produzida pelo estúdio MAPPA, o autor confessou numa entrevista com o seu editor Shihei Lin que “não conseguiu dormir” ao questionar-se: “Como espectador, pensei ‘Makima fez algo desnecessário’. Depois perguntei-me ‘Porque é que o autor não deixou Reze e Denji encontrarem-se?’ Não consegui dormir, lol. Foi uma sensação estranha, ver questões do meu próprio trabalho voltarem para me assombrar”.
A ironia não passou despercebida ao editor, que teve de lembrar Fujimoto da realidade: “Não há nada sobre não os deixar encontrarem-se, Fujimoto-sensei. Foi você quem decidiu desenhá-lo assim, não foi?”.
Esta história humaniza o autor caótico que, segundo relatos, chegou mesmo a desenhar ilustrações alternativas com finais felizes para processar as suas próprias emoções após ver o filme.
Em Portugal o filme anime Chainsaw Man – O Filme: Reze Arc ganhou mais de 250 mil euros.
O legado de uma maldição bem-sucedida
A estratégia narrativa de Fujimoto, por mais dolorosa que seja, provou ser eficaz. Reze tornou-se uma das personagens mais memoráveis do mangá precisamente porque representa um amor não correspondido, uma possibilidade perdida que assombra tanto Denji como os leitores. E agora, aparentemente, também o próprio criador.
Como Fujimoto admitiu: “Para todos os que viram o Reze Arc, ficaria contente se a presença de Reze permanecesse nas vossas mentes como uma maldição persistente”. Missão cumprida, talvez até demasiado bem cumprida.









