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    O verdadeiro Luffy do crime no Japão é condenado a prisão perpétua

    Toshiya Fujita dirigia os crimes à distância, sem nunca sujar as mãos, o tribunal de Tóquio considerou-o peça central de uma rede que matou uma idosa de 90 anos.

    police screenshot Japão preso

    Há algo de cinematográfico na história do grupo Luffy, e não apenas pelo nome, retirado do protagonista do mangá One Piece. Durante meses, os líderes da organização coordenaram assaltos a residências em todo o Japão sem sair das Filipinas, recrutando executores através das redes sociais e dando instruções por telefone, em completo anonimato.

    Na segunda-feira, 16 de fevereiro, o Tribunal Distrital de Tóquio encerrou mais um capítulo deste caso. Toshiya Fujita, 41 anos, foi condenado à prisão perpétua por um conjunto de crimes que inclui roubo com resultado em morte. A pena correspondeu exatamente ao que o Ministério Público tinha pedido.

    Fujita é o segundo dos quatro líderes indiciados a receber sentença, o primeiro foi Tomonobu Kojima, condenado a 20 anos de prisão em julho de 2025. Os restantes, incluindo Kiyoto Imamura, ainda não têm datas de julgamento marcadas.

    Segundo o Japan Times, Fujita esteve envolvido em sete casos de roubo em Tóquio e noutras três prefeituras entre outubro de 2022 e janeiro de 2023. O mais grave ocorreu em Komae, Tóquio: uma mulher de 90 anos foi assaltada por homens disfarçados de estafetas e morreu em consequência do trauma físico sofrido durante a invasão da sua casa.

    O juiz Sakon Togari descreveu o conjunto de crimes como “um novo tipo pioneiro de crime: roubos em série, organizados, de grande escala geográfica, orquestrados remotamente com total anonimato”. A definição não é retórica, é também um sinal de que os tribunais japoneses estão a adaptar a sua linguagem a uma realidade criminal que os legisladores não tinham previsto.

    A defesa tentou argumentar que Fujita “apenas prestou assistência às custas de outros líderes do grupo” e que “constituía meramente um cúmplice”, pedindo uma pena mais pequena. O argumento não convenceu. Togari rejeitou-o diretamente, notando que Fujita “desempenhou um papel importante ao dar instruções detalhadas e precisas aos perpetradores, encorajando-os e elogiando-os, e levando-os a cometer os crimes, mesmo sem os conhecer pessoalmente”.

    O grupo Luffy, cujo nome os membros usavam como pseudónimo, em referência ao capitão de piratas de One Piece, especializou-se naquilo que no Japão se chama tokushu sagi, fraudes específicas realizadas por telefone em que quem telefona se faz passar por uma autoridade ou por um familiar da vítima. Com o tempo, o esquema evoluiu para assaltos físicos a residências, com os executores recrutados através de ofertas de emprego com salários elevados publicadas nas redes sociais, os chamados “biscates às escuras”, como ficaram conhecidos no Japão.

    Fujita coordenava tudo a partir das Filipinas, onde o risco de detenção era consideravelmente menor. O juiz Togari foi direto: “Deu instruções para cometer roubos sem sujar as mãos, a partir do estrangeiro, onde o risco de detenção era baixo, e continuou a cometer crimes sem qualquer sentido de realidade ou resistência”. Acrescentou ainda: “A sua obsessão em obter dinheiro e objetos de valor levou-o a desrespeitar a vida humana e a escalar os seus crimes, pelo que uma crítica severa é apropriada”.

    O caso chegou ao domínio público em 2023, quando as autoridades filipinas deportaram Fujita e Kiyoto Imamura para o Japão a 7 de fevereiro, seguidos de Yuki Watanabe e Tomonobu Saito no dia seguinte. A deportação aconteceu depois de um processo judicial nas Filipinas ter sido encerrado, processo esse que as autoridades nipónicas suspeitavam ter sido fabricado para atrasar a extradição.

    O grupo é estimado ter estado por trás de mais de 50 crimes, roubos, furtos e outras infrações, em 14 prefeituras desde o verão de 2021.

    O fenómeno do tokushu sagi não é novo no Japão, mas tem crescido de forma preocupante. Só na primeira metade de 2025, as perdas associadas a este tipo de fraude atingiram 72,1 mil milhões de ienes (cerca de 480 milhões de dólares), com um aumento alarmante de vítimas mais jovens, sinal de que o modelo criminal se está a sofisticar.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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