Análise — Death Parade

Death Parade – Análise

Existe vida após a morte? O que nos espera após o nosso desfecho na terra? Death Parade nos mostra pessoas, após serem mortas, se veem em uma espécie de tribunal que irá julga-las se serão capazes de ir para o céu, ou o inferno – o nada, ou a reencarnação.

– ou Desu Paredo – é uma série de anime criada, escrita e dirigida por não se esqueçam desse nome, ele é responsável pela direção de um dos episódios mais memoráveis de Steins;Gate. Produzida pela e lançada em 2015. Ela tem sua origem após o curta , que foi produzida pela para o Young Animator Training Project, lançado em 2 de março de 2013.

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A série foi transmitida pela Nippon TV no japão entre 9 de Janeiro de 2015 e 27 de março de 2015. A duração dos episódios é de 25 minutos, contando com abertura e encerramento. Ela possui 12 episódios.

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Primeiro Episódio: A sua forma de contar o primeiro episódio e apresentar a ideia da série foi muito bem-feita, principalmente com a cena pós encerramento. O desenvolvimento desses dois personagens que foram para o julgamento foi de certo modo bem-feito. Apesar de a conclusão ter sido bem resolvida, senti que a revelação final da trama pessoal desses dois personagens foi finalizada de uma maneira forçada. Por que forçada? Pois ela simplesmente surge do nada, sem preparação ou com uma preparação superficial e não notória, nem depois quando isso acontece você se toca de algo como: Nossa, realmente, isso foi desenvolvido. Sendo que NÃO, não foi desenvolvido. No fim, foi interessante, principalmente a forma como a série se iniciou. Me cativou e a ideia dele conseguiu captar minha atenção para os próximos episódios.

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Segundo Episódio: Com uma narrativa superior a primeira – seu modo de contar uma história, ele nos mostra o famoso recurso de contar a mesma história sob uma perspectiva diferente, dispersando-se levemente para mostrar o mesmo resultado anterior, com uma camada a mais de informação. Esse episódio serve para dar mais contexto ao telespectador sobre a premissa da série, assim como também, apresentar dois personagens que serão importantes para a trama – pelo menos é isso que eles querem que você pense. Meu único problema com esse episódio foi ele ter desfeito o seu desenvolvimento de personagem anterior, inocentando e tentando trabalhar um drama maior do que já tinha – forçando mais uma vez a resolução do primeiro episódio, e na minha opinião, falha miseravelmente, afinal não consegui me importar com nenhum desses dois personagens.

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Terceiro Episódio: Esse episódio é de longe o melhor da série. Ele não tentou te forçar um desenvolvimento de drama e personagem sério, dessa vez, vemos personagens realmente humanizados – dentro de um estereótipo de personagens de anime, claro – que realmente te predem até o final, e isso é justamente pela falta de informação que você tem sobre eles e o quão ligado você consegue se sentir em relação a eles, existe uma conexão e uma imersão maior. Assim como os personagens vão se conhecendo, o episódio te dá um espaço para você se sentir imersivo e na mesma situação que eles, nenhuma situação extrema é criada e, além deles criarem um vínculo emocional um com o outro aos poucos, você vai criando também um vínculo com eles. A narrativa bem colocada e desenvolvida nesse episódio permitiu essa conexão. Aos poucos o verdadeiro mistério vai sendo resolvido com o decorrer do tempo que suas memórias vão voltando e no final temos uma conclusão feliz, diferente dos dois episódios anteriores. Nada foi forçado ou empurrado para você na tentativa de querer que você esboce uma reação de medo ou desconforto, não parece que o episódio quer te forçar a ter uma emoção, pois o sentimento vem naturalmente. Os personagens se mantiveram até o final sem se contradizerem ou serem quebrados, o ritmo do episódio se manteve fiel até a conclusão, onde quando chegamos no final, temos um único sentimento: Que episódio gostoso de se assistir.

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Quarto Episódio: Não foi tão bom quanto o anterior, mas isso não quer dizer que ele tenha sido ruim. Diferente do primeiro episódio e do terceiro, as tramas não te faziam ficar angustiado – pelo menos, não de forma natural – e com aquele embrulho na garganta, sabe? Pois bem, esse episódio deixa, pois ele naturalmente é desconfortante desde o seu início. Podemos definir esse episódio com uma única palavra: Injustiça. Ele de longe é o episódio mais sombrio da série, pois ele não tenta forçar situações onde os personagens são levados até o extremo com um drama extremamente forçado – vulgo primeiro episódio, muito pelo contrário, a situação desde o começo é peculiar e vai nos prendendo, nos fazendo pensar: Isso está cada vez mais estranho, esses personagens estão aceitando essa situação muito numa boa, pelo menos um deles e não tem como isso ser redirecionado para um desfecho bonito. Ele explora os conceitos menos bem trabalhados na indústria dos animes como o de ter um relacionamento abusivo, mentirosa, injustiças, adolescência fálica, problemas de relacionamento familiar e até mesmo o abuso no maior sentido literal da palavra, cujo se faz presente desde o começo do episódio. O protagonista da série, se é que podemos caracterizá-lo como protagonista, se mostra cada vez mais bem desenvolvido levando as pessoas a loucura nos seus métodos de avaliação e julgamento mostrados nos episódios, trazendo o que há de pior dentro das pessoas que estão sendo julgadas. Seja algo pessoal ou algo que vivenciaram para estarem naquele lugar, ele busca trazer essas dores e reações átona, para compreendê-las e aceitá-las. E esse episódio traz uma das dúvidas mais pertinentes até então: Por que você está nos julgando? Quem te dá o direito de nos julgar? E apesar de a fala vir da boca de uma personagem que você começa odiando ou desgostando para aos poucos simpatizar com sua dor e trauma, você consegue sentir o peso dessas palavras e se contestar da mesma maneira: Por que VOCÊ está nos julgando? No fim, foi um episódio muito marcante. A narrativa está de parabéns pois usou e abusou de recursos flashback para dar contexto ao passado dos personagens na ordem que deveria e soube manter um seguimento muito bom, tendo somente uma cena final que fora forçada, mas que trouxe um questionamento que realmente fica na mente do telespectador.

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Quinto Episódio: Nesse episódio nós temos o início do desenvolvimento da segunda protagonista, até então sem nome – por ela não lembrar. Tivemos a introdução de personagens novos, porém rasos até o momento com uma leve interação e cenas desnecessárias de ação com poderes especiais que, na minha humilde opinião, me tirou completamente da proposta inicial do anime e do que ele parecia querer me mostrar – Os sentimentos humanos levados ao extremo, suas reações e os julgamentos. Não foi um mau episódio, pelo contrário, nas partes que se diz respeito ao relacionamento do Decim – protagonista da série – com a personagem até então sem nome, o desenvolvimento entre eles e do mistério que se iniciou ao redor do passado dessa personagem, te deixa com um sorriso no rosto e uma expectativa do que pode estar por vir. Mas o resto do episódio, foi bem mediano, para não dizer mediocre.

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Sexto Episódio: É o episódio mais divertido da série. A narrativa decidiu ser diferente desta vez. Nos apresentou o processo de julgamento pelos olhos de outro juiz, e isso foi ao mesmo tempo que uma surpresa, interessante. Introduzido no episódio anterior, Ginti consegue nos cativar dessa vez por ser bem trabalhado quando dois personagens são colocados em contraste. O episódio do início ao fim é uma grande piada principalmente a cena pós créditos que vai te fazer rir muito, por ser completamente diferente do que você esperava acontecer, e é justamente essa quebra de ritmo que torna esse episódio tão chamativo: Ele é diferente, ousado e não se leva a sério. O episódio do início ao fim é uma grande quebra de clima. Ele varia com momentos de tensão, mas que logo são quebrados pela comédia que é o grande gênero que domina esse episódio. Ele soube desenvolver bem o relacionamento dos personagens, trabalhar com seus passados – o passado de uma delas, é bem triste, de certo modo. E a outra… ela só foi uma imbecil, e até nisso você consegue dar risada. Como você pode morrer dessa forma? Você… era só olhar pro chão! Foi um bom episódio, não foi melhor que os anteriores mas ele é de longe o episódio mais divertido da série, o que é algo muito bom.

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Sétimo Episódio: É o episódio mais fraco da série. Não vou dizer que ele é péssimo ou bom episódio, ele só é fraco, principalmente por se propor a nos contar uma história que ele julga ser importante. Talvez para o desenvolvimento de alguns personagens, como por exemplo o Decim e como ele se tornou um juiz. O episódio se desenrola de forma lenta e com a narrativa levemente dispersa, mas que só consegue nos cativar por já conhecermos os personagens e estarmos ligados a eles, querendo descobrir mais sobre eles. Porém as histórias contadas mudam de um lance psicológico para como se a narrativa estivesse tomando drinques de álcool e cada vez mais ela começasse a ficar bêbada e sem emoção. O desenvolvimento de personagem é quase nulo, já conhecemos eles e não é mostrado quase nada de novo sobre eles. Apesar de sermos apresentados a uma nova personagem, ela não é bem desenvolvida, simplesmente jogada. Fora a reaparição de outros personagens que, na minha opinião, diminuíram e muito a seriedade da série após eu descobrir que eles ainda não tinham partido e dariam as caras uma hora ou outra.

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Oitavo Episódio: Enfim, voltamos ao que mais me agradou nessa série: O trabalho psicológico dos personagens, a procura dos seus fantasmas e o protagonista ao lado de sua assistente buscando julgá-los enquanto os observa lentamente recobrar suas memórias. Os dois personagens apresentados são trabalhados e humanamente bem desenvolvidos em seus devidos papéis, sem diálogos forçados – ao menos, não para o padrão japonês. Se bem que tudo nesse país é forçado.

Nos é dito que um deles é um assassino, talvez nos dando uma pequena ponte do que deveria ter ocorrido com o personagem antes dele ter chegado a esse cenário. Isso causa uma expectativa muito grande no início, porém lentamente ele já te entrega a resposta não de cara, mas de forma quase escarrada. Mesmo assim, você ainda é colocado para presenciar eventuais cenas que te fazem questionar: Qual deles é o assassino? E isso cativa, isso gera uma expectativa. Mas, eis que vem o ponto negativo desse episódio onde eles quebram essa magia, ignoram uma cena anterior e dizem: Ambos são assassinos. Foi um quebra clima desnecessário. Sabe quando você leva um Spoiler prestes a descobrir o desfecho de algo que você gosta? Pois então, o anime te spoila exatamente na cena pós créditos.

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Nono Episódio: Definitivamente, o pior episódio da série – a meu ver. Eu não consegui acreditar como eles simplesmente, na reta final do episódio, conseguem jogar tantos clichês na sua cara sem se importar com todo o desenvolvimento de enredo e dos personagens tão bons. Quando você pensa que o desfecho vai ser diferente do comum, onde os personagens aceitaram o que fizeram nas suas vidas passadas, eles – quando eu digo ELES, me refiro ao roteirista e estúdio que desenvolveu o anime – simplesmente jogam toda essa bagagem fora para te entregar um desfecho exagerado onde os personagens começam a gritar, um drama forçado acontece, parecendo que o estúdio quer te forçar uma reação com personagens emocionalmente exagerados. Uma das personagens, até então mais legais por ter sido bem desenvolvida, começa a ficar idêntica a diversos outros personagens femininas de anime, em detrimento de um clichê. Dando lição de moral tão fora de lugar e de uma maneira tão clichê, que eu não consegui me importar mais com aquele desfecho. Todos os personagens pareciam rasos e eu senti que o estúdio simplesmente IGNOROU todo o desenvolvimento do episódio passado e do início e meio desse episódio. É inacreditável como uma história TÃO BOA consegue ser estragada de uma forma TÃO RADICAL. E eles simplesmente não explicam o motivo do rapaz estar lá, simplesmente o fazem parecer legal e tentam justificar os erros dele colocando um vilão, que nada mais está, NA MESMA POSIÇÃO QUE ELE.

É o pior episódio da série pois ele conseguiu atingir um prêmio memorável: Estragar um plot bom. E eles ainda tem a coragem de me fazer um encerramento com cenas do flashback do personagem para me forçar uma reação, eles querem me fazer chorar de uma maneira forçada. E a cena pós créditos é ridícula, ela tenta te passar um significado e uma profundidade… que não existe mais. Não depois de tudo que aconteceu e de tudo que foi estragado.

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Décimo Episódio: Com uma narrativa novamente simples, desenvolvimento de personagem natural, voltamos a normalidade da série no maior estilo do terceiro episódio. Dessa vez, Chiyuki – sim, temos agora um nome para a segunda personagem principal – ao lado de uma nova personagem idosa que nos é apresentada e será julgada ao lado dela.

Essa velha, aparecerá em um único episódio e depois nunca mais voltará – é simplesmente a melhor personagem dessa série. Ele não força dramas psicológicos com atuações exageradas, ele volta a retratar relacionamentos e diálogos humanos entre personagens de uma forma simplista e tranquila com uma narrativa igualmente serena. Você embarca no modo dela contar história, lentamente, pois é bem suave e instigante, você nem percebe que o anime está tentando trabalhar uma espécie de antagonista no fundo pois a naturalidade do outro evento está sendo trabalhado de forma tão mais instigante, a ponto que isso fica apagado. No fim, descobrimos o nome da nossa segunda protagonista, já citado ali em cima – nossa querida Chiyuki – e uma parte de seu passado que de fato, estava relacionado as preparações curtas que os episódios anteriores vieram fazendo e deixando pequenos fragmentos ao longo da série. Novamente, assim como o episódio três, você termina com um sorriso no rosto bem satisfatório, suspirando fundo e dizendo: Foi um BOM episódio.

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Décimo Primeiro Episódio: Episódio com desfechos estranhos e um deles voltando a ser clichê, como se o estúdio tivesse perdido a criatividade e desejasse encerrá-lo de uma forma qualquer, novamente com discursos que não fazem sentido, personagens que tentam passar algum tipo de emoção através de palavras cheias de atuação exagerada. Vemos o fim do mistério da personagem Chiyuki sendo revelado. Na verdade, posso dizer que o episódio inteiro é focado em descobrirmos as memórias e o que levou a personagem a estar nesse lugar, descobrindo todo o seu passado. O desfecho é estranho e inesperado, não me chocou e muito menos surpreendeu, mas não me fez desgostar do que estava acontecendo, afinal, eu senti que isso deverá ser explorado no último episódio. Só achei que o nome do episódio acabou me vendendo uma ideia e ele retratou algo quase completamente diferente: Memento Mori.

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Ultimo e Décimo Segundo Episódio: O desfecho da série! O grande final!

Na minha humilde opinião, acabou não sendo o que eu esperava e me decepcionou pois no fim, acabou acontecendo o que eu mais temia. Eles humanizaram um personagem sem sentimentos – Decim – de uma forma que me incomodou pois parece que ele serviu único e exclusivamente para ser uma ancora em detrimento da Chiyuki. Novamente, drama forçado. Chiyuki se contradizendo em diversos momentos. Acabou que no fim, a série foi perdendo sua força em desenvolver os relacionamentos dos personagens de uma forma natural, foi se perdendo cada vez mais e na hora de realizar o desfecho, eles criaram algo aberto – de certa forma – e previsível.

, no fim, é um anime que decepciona com o seu final. Série inconstante, por mais que eventuais quebras de ritmo tivessem sido bem agradáveis e divertidas, a sua narrativa perde a força e o impacto de trabalhar com o psicológico dos personagens.

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Filme: É uma espécie de filler, criada antes dos episódios da série para nos apresentar o conceito do que seria o julgamento daqueles que enfrentam a vida após a morte e devem ser levados para o céu ou o inferno, vulgarmente falando. Ela cumpre seu papel de nos apresentar isso, apesar de cenas com atuações exageradas e desfechos estranhos e um final aberto.

Trilha Sonora: Uma das coisas que mais me deu gás para continuar acompanhando os outros episódios tristes e decepcionantes da série, foi a música de fundo. Trilhas bem encaixadas com composições que foram bem distribuídas ao longo dos episódios e das cenas. Ela consegue cumprir o seu papel de deixar um aroma em volta desse anime, um aroma bom o suficiente que pode até mesmo te fazer a revisitar a série, no futuro. Ela possui uma trilha calma, eventuais momentos de drama ela sobe lentamente porém as grandes partes chamativas vem nas trilhas onde os personagens estão somente conversando, até mesmo as sombrias – por mais que sejam poucas, algumas vezes repetitivas.

O que tiramos de ? É uma boa escolha de anime para se passar o tempo, se você está de férias ou tem tempo para perder ele, com certeza, pode ser o seu companheiro por uns vinte e cinco minutos ou mais, ele tem conteúdo interessante para lhe mostrar, apesar de um desfecho decepcionante e vergonhoso – na minha sincera opinião. Em outras ocasiões, eu não sugiro que você assista .

Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 40 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.