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    Dragon Ball e Pokémon ganham novos episódios criados por IA chinesa

    Seedance 2.0 da ByteDance está a viralizar nas redes sociais pela capacidade de animar painéis de mangá em segundos

    screenshot IA chinesa cria novos episódios de Dragon Ball

    A inteligência artificial aplicada à criação de vídeo tem evoluído a um ritmo vertiginoso, mas o Seedance 2.0 pode estar num campeonato totalmente diferente. Desenvolvida pela ByteDance, empresa-mãe do TikTok, esta ferramenta está a tomar a internet de assalto pela sua capacidade de transformar painéis de mangá em episódios completos de anime.

    A aplicação é capaz de pegar em painéis de mangá e animá-los totalmente, resultando em novos episódios de séries como o arco de Moro de Dragon Ball Super, um arco que só recentemente foi confirmado para adaptação oficial. Nas redes sociais, utilizadores têm partilhado resultados impressionantes que rapidamente se tornaram virais.

    Num dos exemplos mais partilhados, um utilizador animou um painel do mangá de Dragon Ball Super focado no arco de Moro. “Acabei de animar um painel completamente novo de mangá de Dragon Ball que ainda não foi animado por nenhum humano, e o resultado é claramente INSANO”, escreveu. O clip mostrava Goku, na sua forma de Ultra Instinct, em batalha com Moro. Apesar de algumas indicações óbvias de que foi extraído do mangá, como texto a aparecer no ecrã, o resultado é extremamente impressionante.

    Outro utilizador criou uma cena clássica do Torneio Mundial de Artes Marciais de Dragon Ball com Goku a lutar contra um oponente inusitado: Doraemon. O vídeo, que já foi visto mais de 2,3 milhões de vezes, foi criado com um prompt simples: “Personagem da Figura 1 a lutar contra personagem da Figura 2 no Torneio Mundial de Artes Marciais. Imagem de entrada adicional”. A sequência apresentava múltiplos ângulos de câmara e animação fluida.

    Num exemplo ainda mais elaborado, alguém criou uma cena de batalha entre Bulma e Beerus que dura mais de 90 segundos. Quem diria que Bulma conseguiria enfrentar um Deus da Destruição desta forma?

    O Seedance 2.0 foi oficialmente lançado a 9 de fevereiro de 2026 e representa um salto significativo em relação aos modelos anteriores. A ferramenta utiliza uma arquitetura Dual-Branch Diffusion Transformer que gera vídeo e áudio de forma simultânea, não como um passo de pós-processamento, mas como parte integral do pipeline de geração.

    Os utilizadores podem inserir texto ou carregar imagens e, em menos de 60 segundos, o modelo produz sequências com múltiplos planos em resolução 2K. A capacidade de gerar conteúdo coerente com várias cenas a partir de um único prompt, mantendo representação consistente das personagens, é uma das características mais impressionantes da ferramenta.

    Pokémon também não escapou à onda de criatividade. Vários vídeos com mais de 600 mil visualizações retratam batalhas Pokémon que parecem retiradas diretamente do anime. Noutros casos, utilizadores geraram vídeos dos Jogos Olímpicos e outras modalidades desportivas com prompts simples.

    Um exemplo particularmente notável mostra uma competição de snowboard big air feminino nos Jogos Olímpicos. A criadora do vídeo, Justine Moore, comentou: “Literalmente a primeira coisa que gerei no Seedance 2. Nunca adivinharia que isto era IA se estivesse a fazer scroll num feed”.

    No entanto, a ferramenta não está isenta de controvérsia. A ByteDance suspendeu uma funcionalidade que conseguia gerar características vocais pessoais altamente precisas usando apenas imagens faciais, mesmo sem autorização do utilizador. Embora a funcionalidade demonstrasse capacidades técnicas impressionantes, levantou sérias preocupações de privacidade e ética.

    Um crítico de tecnologia descobriu que o modelo conseguia “alucinar” a parte de trás de edifícios que nunca tinha visto com precisão surpreendente, e conseguia clonar a sua voz perfeitamente baseando-se apenas numa fotografia facial. Isto levou a especulações de que a ByteDance pode ter usado grandes quantidades de dados de utilizadores armazenados na nuvem para treinar o modelo.

    Na segunda-feira, os operadores da plataforma Jimeng (o nome da aplicação no mercado chinês) anunciaram: “Para manter um ambiente criativo saudável e sustentável, estamos a fazer alterações urgentes com base no feedback dos utilizadores e não permitiremos que fotografias ou vídeos semelhantes a humanos reais sejam usados como sujeitos de referência”.

    Simultaneamente, as aplicações Jimeng e Doubao da ByteDance introduziram uma etapa de verificação ao vivo, exigindo que os utilizadores gravem a sua própria imagem e voz antes de criar um avatar digital. A ByteDance sublinhou que estes ajustes são concebidos para manter a linha de responsabilidade enquanto equilibram inovação com conformidade regulamentar.

    O jornal South China Morning Post revelou que o lançamento do modelo beta e o subsequente buzz colocaram os preços das ações de empresas chinesas de IA em alta.

    O Seedance 2.0 ainda está na sua infância, mas dados os resultados até agora, é difícil imaginar quão avançado estará quando a versão 3.0 for lançada. A ferramenta aceita até 12 ficheiros de referência por geração, incluindo até 9 imagens, 3 clips de vídeo (totalizando até 15 segundos) e 3 ficheiros de áudio.

    A aplicação está disponível através da Dreamina, a plataforma de criação de conteúdo da ByteDance, e também foi integrada no CapCut, a aplicação de edição de vídeo da empresa usada por mais de mil milhões de utilizadores. O plano Seedance 2.0 Pro custa 45 dólares por mês, permitindo gerar aproximadamente 130 a 140 vídeos com uso regular.

    A capacidade da ferramenta de criar conteúdo de anime de qualidade profissional levanta questões importantes sobre o futuro da animação e dos direitos de autor. Embora os resultados sejam tecnicamente impressionantes, a facilidade com que se podem recriar personagens protegidas por propriedade intelectual tem gerado debate na indústria.

    Dragon Ball Super regressa com novo anime e vilão Moro

    Para Dragon Ball, a questão é particularmente interessante dado que o arco de Moro foi oficialmente anunciado para adaptação em anime durante o evento Dragon Ball Genkidamatsuri a 25 de janeiro de 2026. A nova série, intitulada Dragon Ball Super: The Galactic Patrol, está oficialmente em produção pela Toei Animation, com previsão de estreia em 2027.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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