Entrevista com animadora de Revue Starlight e Cannon Busters - Franziska van Wulfen

O OtakuPT teve a oportunidade de entrevistar a animadora, artista conceptual e de storyboards alemã, Franziska van Wulfen, que participou recentemente em Cannon Busters e que teve a sua estreia em anime com a sua participação em Revue Starlight o ano passado.

Nesta entrevista ficamos a conhecer mais sobre o seu percurso primeiramente como artista conceptual tradicional até às suas primeiras animações. Também falamos sobre as suas inspirações, projetos futuros e ambições.


Antes de começar, tenho de dizer que as tuas ilustrações são incríveis! (Já agora, eu compraria com certeza um livro de ilustrações teu.)

Desenhar fanarts das coisas que mais gostas sempre te interessou?

  • Sim, eu desenho desde a minha infância. No entanto, não tanto fan art na verdade, até à um par de anos atrás.  Antes disso, desenhava as minhas próprias personagens e ideias.

Retiras inspiração de outros artistas ou já tens o teu estilo bem definido?

  • No momento, acho que encontrei algo como um estilo próprio, no entanto, está em constante mudança e vou sendo influenciada por coisas que atualmente gosto e consumo. Os artistas que provavelmente mais me influenciaram no passado, são provavelmente Lily Hoshino, com suas ilustrações vibrantes e coloridas, também Shigenori Soejima, da franquia Persona, pelas suas composições elegantes e expressivas. Tenho livros de arte de ambos, por isso, sempre que preciso de um pouco de direção, gosto de procurar inspiração neles.

Oh, entendo. Presumo que por algumas das tuas ilustrações mais antigas, começas-te a desenhar através de várias técnicas e ferramentas tradicionais, enquanto também praticando pintura digital e foste gradualmente mudando para pintura digital, certo?

  • Sim, eu ainda gosto muito de desenhar tradicionalmente de tempos em tempos, especialmente por poder desenhar ideias que tenho mais rapidamente, mas para obras de arte mais demoradas, trabalhar digitalmente tem muitas vantagens. Eu posso ser muito impaciente, então eu tendo a cometer muitos erros, especialmente quando se trata de colorir. Na esfera digital, isso não é tão problemático, erros ainda mesmo que grandes podem ser facilmente corrigidos na maioria das vezes. Esta é provavelmente a principal razão pela qual comecei a mudar para desenhos digitais ao longo do tempo, mesmo quando tive problemas, no começo, para me acostumar. A maior desvantagem para mim é provavelmente a perda de textura e materialidade. Em comparação com a maneira como as cores interagem com o meio na arte tradicional, a arte digital às vezes pode parecer um pouco estéril para mim, mesmo quando se adiciona manualmente uma textura.

Como a tua paixão por animação surgiu, foi algo que sempre te interessou e que imaginavas em fazer?

  • O meu meio de entretenimento favorito sempre foi animação, em particular animação em 2D. Eu assistia o “Making Off” da Dreamworks Film Spirit aos oito anos de idade em DVD e percebia que tipo de arte continha um filme de animação. No entanto, eu nunca pensei seriamente em fazer animação até o final da minha adolescência, quando me interessei pela indústria de anime e como ela funciona. Até aquele momento, eu não me considerava uma artista suficientemente boa para ser uma animadora de verdade, mas achei que poderia tentar, foi quando fiz uma curta de animação para a minha inscrição na universidade.

Oh, adoro essa! Especialmente a animação da personagem e os movimentos das mãos… são tão bons. Pensas que a tua experiência anterior no uso de diversas ferramentas e técnicas tradicionais de desenho te ajudou nos teus trabalhos de animação digital?

  • Certamente, o modo como uso a luz e a sombra, por exemplo, ainda é um pouco parecido com o que fazia quando pintava os meus desenhos em aquarelas. Embora, a minha mudança para o digital deu-me o impulso de optar por esquemas de cores mais arrojados, quando antes eu me esquivava por receio de poder arruinar os meus desenhos. Na verdade, notei que isso também se aplica vice-versa, como sempre que tento fazer algo tradicional hoje em dia, o fato de ter feito algo assim antes digitalmente ajuda-me a visualizá-lo mesmo com as ferramentas tradicionais.

Revue Starlight foi o teu primeiro trabalho em anime, como reagiste quando foste contactada? Estavas de todo à espera de tal convite?

  • Oh, na verdade eu não fui contactada. Eu tinha visto um tweet do Kvin sobre o fato de eles estarem à procura de animadores e o Ogasawara-san, um dos produtores do anime, seguiu-me no Twitter por volta da mesma altura, então, eu própria o contactei. O fato de dar certo, no entanto, definitivamente surpreendeu-me. Eu acho que a minha reação foi na mesma linha de… saltar da cadeira, andar inquieta pelo quarto por dez minutos e depois entrar em pânico se eu pudesse fazê-lo.

Woah. Eu sei que a Kinema Citrus está sempre à procura de animadores e a contacta-los, foi por isso que deduzi.

  • Sim, eu tenho estado recentemente a trabalhar novamente em algo relacionado para eles.

Oh, que bom saber isso. A maioria dos animadores apenas têm a oportunidade de fazer layouts na sua primeira experiência, mas tu, na verdade fizeste ambos layouts e animação-chave, certo? Foi algo que pediste para fazer ou simplesmente viste a oportunidade e a aproveitaste?

  • Eu praticamente aproveitei a oportunidade, embora naquele momento eu só tivesse uma ideia muito vaga de como era linha de produção de anime, então cometi muitos erros na minha primeira vez. Eles não rotularam de layout e genga (animação-chave) para mim, mas de roughs e clean up, então eu realmente não inclui o background quando enviei as minhas coisas. Além disso, como eu não fazia ideia de como os layouts costumavam ser, eu sempre tinha visto desenhos de Genga por perto, exagerei e gastei um pouco de tempo no clean up das minhas roughs.

Como eu te entendo, dos animadores com quem falo a grande questão que lhes surge é sempre, “Quão ásperos devem ser os layouts”.

  • Definitivamente, ouvi dizer que praticamente tudo vale desde que o movimento seja claro, mas sair totalmente do modelo parece muito trabalho para deixar ao animador-chave. Com isso em mente, geralmente gosto de seguir o modelo o mais possível, sem deixar totalmente os detalhes, para que eu possa apenas traçar os meus desenhos de LO (layouts) de maneira limpa, enquanto aplico as correções do diretor de animação. Por outro lado, se o diretor de animação fizer algumas correções muito pesadas, também pode parecer que tu dedicaste muito tempo à fase de LO. Não posso dizer que encontrei completamente o equilíbrio certo para mim.

Como consegues conciliar o trabalho em anime com os estudos? É algo que encontras bastantes dificuldades, ou nem por isso?

  • Até agora, tive sorte de ter sido contactada principalmente para trabalhos em anime durante as férias ou quando não tinha muitas aulas, embora eu suspeite que isso possa tornar-se um problema no futuro, pois estou a entrar no supostamente semestre mais stressante da minha escola. No entanto, não estou muito preocupada, pois já tenho uma boa ideia de quanto tempo as coisas geralmente levam a concluir, para que eu me possa programar bem.

Quais são os teus planos para quando terminares os teus estudos? Planeias em tornar-te uma freelancer a tempo inteiro?
Vi na tua ArtStation que tens alguns grandes projetos a caminho, em Sword Art Online: Alicization – War Of Underworld e a tua estreia como diretora de animação em Dropkick on My Devil! 2 na próxima temporada de primavera, certo?

  • Certo, de momento estou a trabalhar em SAO. Quanto ao crédito de Diretora de Animação, eu só estou a auxiliar numa cena, então, não sei se vale apena mencionar… (risos), Fiquei surpresa quando eles me pediram para o fazer, a uma animadora estrangeira com quem eles estavam a trabalhar pela primeira vez. Quanto aos estudos… ainda não tenho certeza. Na verdade, eu gostaria de trabalhar num estúdio por algum tempo, pelo menos, e então, talvez, me torne freelancer. Antes de começar a estudar, estagiei num estúdio 3D e Stop Motion por algum tempo e eu gostava de ter uma equipa por perto quando ia trabalhar todos os dias. Enquanto trabalhava no primeiro, tive a oportunidade de trabalhar num episódio de uma das suas próximas séries de TV, que eu realmente gostei. Então, eu realmente adoraria fazer storyboard a longo prazo.

Ah, entendo. A indústria está bastante estranha no momento, o meu compatriota João do Lago também se estreou como AD em circunstâncias semelhantes.

  • Definitivamente interessante…

Fico feliz por quereres seguir pelos storyboards (está é na verdade a primeira vez que recebo esta resposta), mal posso esperar por ver os teus próximos trabalhos. Obrigado pelo teu tempo, Fran!

  • Sem problema, foi divertido^^

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