Entrevista com o staff de The Rising of the Shield Hero

O site ANN (Anime News Network) foi convidado pelo estúdio Kinema Citrus e a produtora Kadokawa para entrevistar o staff por trás da produção do anime The Rising of The Shield Hero, o diretor Takao Abo, o roteirista Keigo Koyanagi e produtor Junichiro Tamura as ideias para a sua adaptação, as suas dificuldades e o que faz Shield Hero ser tão distinto de outras histórias isekai.

Nota: Esta entrevista foi realizada antes da exibição da série, por isso, não se preocupem porque não contém qualquer tipo de spoiler.


Entrevista com o staff de The Rising of the Shield Hero

The Rising of the Shield Hero ou Tate no Yuusha no Nariagari é originalmente uma web novel lançada em 2012 no website Shōsetsuka ni Narō, por Aneko Yusagi (história) e Minami Seira (arte) e posteriormente lançada como novel a partir de 2013 pela Media Factory. Foram lançados 21 volumes até ao momento.

O seu mangá é serializado desde 2014 na revista Monthly Comic Flapper por Aiya Kyu que ilustra e adapta a história de Aneko Yusagi. Foram lançados 13 volumes até ao momento. A obra no Japão conta já com mais de 6.2 milhões de cópias, contanto com ambos novel e mangá).


Entrevista com o staff de The Rising of the Shield Hero

Sr. Abo, você disse que Shield Hero iria ser a sua primeira experiência em dirigir um anime isekai. Quais foram as suas primeiras impressões ao ler a obra original?

Abo: Bem, é um isekai, tem magia e coisas assim. Eu me encontrei imerso na tarefa de como melhor adaptar o cenário e o papel do protagonista no anime.

Sr. Tamura, também é a sua primeira vez a produzir uma série isekai?

Tamura: Eu trabalhei em muitos isekais, mas Narou (“Shōsetsuka ni Narō“, o popular site de web novel em que Shield Hero foi primeiramente publicado)… hmm… eu me pergunto se esta é a primeiro Narou novel em que eu trabalhei.

Você lê Narou novels?

Tamura: Sim, muito regularmente. A nossa companhia (KADOKAWA) lança muitos deles, afinal.

Koyanagi: Eu trabalhei em alguns isekais aqui e ali, mas este o meu primeiro Narou. É diferente de outras obras Narou. As pessoas do mundo de Shield Hero não desejavam a vinda do protagonista em seu mundo. Eles podem ter o invocado, mas para eles Naofumi não era necessário. Esse aspeto pareceu novo.

Tamura: O fato de que ele não começa muito poderoso comparado com outros heróis de outras histórias é também interessante.

Entrevista com o staff de The Rising of the Shield Hero

Esta obra é dita ser mais obscura do que outras do género. Como você tenta transmitir as dificuldades e preciosos de Naofumi?

Abo: Como um herói, ele tem bastantes habilidades. Apenas lhe foi dito para lutar contas as “ondas”, mas ele tem um escudo e não tem tantas habilidades como outros heróis. Quanto à forma de que o anime especificamente transmite as suas dificuldades, a animação mostra Naofumi a derrotar monstros com dificuldade e geralmente a derrubar as expectativas de como um herói deveria lutar. As suas dificuldades são contrastadas com os outros três heróis que têm uma jornada bem mais fácil.

Koyanagi: Todas as dificuldades que estão a acontecer na história podem ser comuns a outras histórias isekai. No entanto, dependendo de como Naofumi percebe a situação, ele pode achar difícil lidar com ela, enquanto os outros heróis não têm dificuldade. Porque ele é um tipo diferente de protagonista, há um clímax diferente. Há problemas que Naofumi enfrenta que são exclusivos a ele como protagonista. Espero que a sua singularidade como protagonista fazer a diferença em comparação com outras histórias isekai.

Tamura: Certo. Desde o inicio, Naofumi tem tido uma personalidade forte. Não importa que coisas terríveis aconteçam com ele, ele irá enfrentá-las. Em uma história isekai mais clichés, o herói é forte desde o início, então eles não precisam enfrentar coisas tão terríveis. Através do trabalho duro, Naofumi supera seus obstáculos. O aspeto sombrio é certamente uma parte da série, por exemplo quando ele ameaça os lojistas, mas Naofumi não é uma pessoa má de coração. Ele é sombrio, mas também é um herói, eu acho.

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Como um anti-hero?

Tamura: Hmm, ele não é como um anti-herói também. A maneira como ele valoriza as coisas em termos de dinheiro o torna diferente de outros personagens. Ele é realista.

Você se sente pessoalmente capaz de se relacionar com os conflitos e crescimento de Naofumi?

Abo: Bem, se as coisas terríveis que aconteceram com Naofumi acontecessem comigo, acho que eu iria me enrolar em uma bola. A maneira como ele olha para frente depois das coisas terríveis que acontecem com ele, a maneira como ele trata seus amigos e a maneira como ele é capaz de se levantar e ganhar forças depois de ser falsamente acusado … Em vez de “relacionar”, eu diria que “admiro” ele.

Koyanagi: Como o diretor mencionou, estou tenho inveja de como, em vez de murchar na face da adversidade, ele enfrenta o desafio. Nesse ponto, ele já é odiado por todos, então ele não se importa mais com o que acontece. Isso é algo que eu admiro nele.

Enquanto lia o romance, sempre pensava: “O que eu faria se todos me odiassem?” O que você acha, Sr. Tamura?

Tamura: Exato. Mentalmente, ele é muito forte. Se eu estivesse em uma situação em que todos no país me chamasse de má pessoa e eu não poderia comprar nada em lugar algum, eu provavelmente começaria a odiar a humanidade. Vê-lo crescer mais forte e manter-se firme nas suas crenças me faz lembrar do protagonista de um filme antigo que vi.

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Admirando em vez de se relacionar, certo?

Abo: Hmm… certo. Mesmo que haja aspetos com os quais me identifico, não vou longe o suficiente para dizer que me relaciono. Mas quero mostrar às pessoas esse tipo de protagonista. Eu quero que as pessoas pensem que uma pessoa como Naofumi não é tão má.

Qual você pensa que é o aspeto mais singular de The Rising of The Shield Hero?

Abo: Eu suponho que o aspeto mais original da história é o fato de ter um protagonista que não usa uma arma ofensiva.

Koyanagi: Há menos interesses amorosos. (risos)

Tamura: Hmm… Quando você pensa em heróis com escudos, não há muitos que vêm à mente além do Capitão América. Com uma arma defensiva como essa, o herói tem que usar a cabeça para fazer as coisas de outra forma. Eu acho que é isso que torna esta série única.

Então, em que tipo de coisas você se concentra para tornar as cenas de ação mais empolgantes, especialmente quando o protagonista só pode usar um escudo?

Abo: Ele tem que se juntar com os outros. A heroína Raphtalia é uma parceira importante para ele, e isso pode ser mostrado visualmente também. Por exemplo, com a combinação de espada e escudo. Eu posso me concentrar na composição de cada cena para tornar as coisas empolgantes.

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No PV, tem uma cena em que tem uma rotação de câmera.

Abo: Sim, coisas assim. Esse é um dos aspetos representativos do anime.

Koyanagi: Falando de coisas que tornam a ação emocionante, a localização das batalhas é importante. Eles nem sempre lutam em terreno perfeitamente nivelado. O terreno também é um fator. Além disso, quando se empunha um escudo, é fácil esperar que o inimigo venha até você e então contra-ataque.

Tamura: Além do que foi mencionado antes, o escudo tem várias habilidades anexadas a ele. Normalmente, tudo que o herói pode fazer é defender, mas usando as habilidades, ele pode apoiar os outros. Ele pode fazer coisas como armadilhas. O fato de que o escudo pode se transformar e usar todos os tipos de habilidades torna as batalhas interessantes.

Houve alguma dificuldade em incorporar os elementos de jogos no anime?

Abo: Pelo contrário, os elementos de jogos foram uma oportunidade para fazer o anime se destacar, tanto visualmente quanto através da história. O staff ao meu redor está acostumado a jogos, então desenvolvemos juntos. Quanto aos problemas específicos que tivemos…

Quando você faz uma adaptação visual de um livro, surgem vários problemas, certo?

Abo: Certo, sempre há dificuldades em transformar algo que é apenas escrito em palavras em algo visual.

Koyanagi: Quando as pessoas derrotam os inimigos, elas ganham EXP e níveis. Nós nos perguntamos se deveríamos mostrar os números que aparecem na tela. Quem deve poder ver esses números? Quanto devemos mostrar?

Tamura: Não sabíamos a melhor maneira de transmitir a mágica do status, como quando um herói ganha novas habilidades. Mas estou feliz por termos feito isso visível. A interface de um jogo é diferente de um anime, mas há coisas que podem funcionar em ambos os meios, e é nisso que o staff se concentra quando se trata da questão do que incluir.

Koyanagi: Nós também queríamos enfatizar que Naofumi estava inserindo qualquer coisa que ele pudesse no seu escudo. Se você olhar de perto a tela, poderá ver os componentes que ele coloca.

Tamura: Ele coloca as partes dos monstros que ele derrotou no escudo.

Koyanagi: Quando o menu de status aparece, às vezes há novas habilidades. Se você estiver se perguntando: “Quando é que essa habilidade apareceu lá?”, você deve olhar atentamente para o visual das cenas anteriores e você vai encontrá-lo.

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Sempre que Naofumi ganha uma nova habilidade, há uma explicação de como isso funciona. Como você adapta isso visualmente?

Abo: Damos uma aparência conforme descrito na obra original (novel) e manifestamos pelo menos uma vez. Você deve ser capaz de descobrir que tipo de habilidade é pela aparência, mesmo que essa parte não esteja escrita na novel. Bem, também foi muito trabalhoso incorporar essas habilidades, e tivemos que ter cuidado para não cometer erros, caso haja momentos em que você analise de perto e seja diferente do que a novel descreve. (risos)
A ideia é que você deve ser capaz de ver os frutos do trabalho duro de Naofumi.

Por que você acha que a trilha sonora de Kevin Penkin se adequou bem na série?

Abo: Primeiro de tudo, estou feliz que você pense que a trilha sonora dele foi uma boa escolha. Eu também fiquei muito satisfeito com o seu trabalho. Eu acho que Kevin tem um maravilhoso senso musical. Quanto a como a música se encaixou, o produtor musical e eu lemos a obra original cuidadosamente e fizemos anotações detalhadas.

Tamura: Kevin é australiano, mas fala muito bem em japonês. Nós pudemos ter reuniões com ele em japonês. Ele esteve em comunicação connosco através do Skype, então o diretor foi capaz de transmitir ordens a ele sobre como ele queria que a música soasse. Apesar de sermos de países diferentes e a sua língua nativa é o inglês, conseguimos transmitir as nossas ideias uns aos outros.

Ele costuma vir ao Japão?

Abo: Ele vem às vezes.

O que você acha de sua música?

Koyanagi: Ele e ótimo. Mesmo fora das cenas de batalha, a sua música para as cenas da vida quotidiana deixa uma forte impressão. Isso faz você pensar: “Uau, eu estou realmente em outro mundo!”

Abo: Sim, isso é definitivamente algo que eu queria que a música representasse.

Tamura: É outro mundo, então você não sabe qual país deveria representar. Sua música é realmente boa em transmitir essa atmosfera. É uma boa opção para Melromarc, o país em que Naofumi é convocado.

Entrevista com o staff de The Rising of the Shield Hero

The Rising of The Shield Hero é localizado em um mundo tipo europeu, certo?

Tamura: Essa é base.

Abo: Sim, embora cada área do mundo tenha suas próprias diferenças regionais. Isso é algo que nós colocamos muito cuidado em retratar.

Se você pudesse escolher ser um dos quatro heróis, qual arma você usaria?

Tamura:  Qual delas devo escolher? Qual é a mais forte? Isto é difícil! Bem, entre a espada e o escudo, o escudo perderia.

Koyanagi: Eu prefiro um arco porque eu gosto de ataques de longa distância.

Abo: Eu escolheria uma lança. Poderia funcionar tanto de perto como de longe.

Koyanagi: Ninguém escolheria o escudo. (risos)

Tamura: Então eu escolheria um escudo. (risos)

Mas quando você assiste ao anime, você não pensa: “Uau, o escudo é tão bacano!” (Risos)

Koyanagi: Nós estamos a fazer o anime da forma em que as pessoas possam dizer: “Eu vou escolher o escudo!” (Risos)

Você tem uma mensagem para fãs estrangeiros?

Abo: Pessoalmente, eu não fiz o anime para uma audiência em particular. Não para japoneses, nem para os fãs do exterior, nem homens, nem mulheres, nem qualquer faixa etária em particular. Eu só espero que quem assiste encontre algo interessante.

Koyanagi: Por favor, observe o estilo de vida de Naofumi. (risos)

Tamura: Eu acho que as histórias de isekai podem ser desfrutadas por pessoas de diferentes países, porque estão em outro mundo. Cada parte do outro mundo parece um país diferente em nosso mundo. A novel tem sido muito popular na América do Norte. Estamos a tentar não dececionar nenhum leitor recente, então espero que todos possam disfrutar a história.