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    Estúdio de anime aumentou lucros ao proibir trabalho até tarde

    Studio Deen revoluciona a indústria ao limitar horários de trabalho e ver as vendas dispararem após queda inicial

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    Numa indústria conhecida pelos seus prazos impossíveis e cultura de trabalho até à exaustão, o decidiu arriscar tudo. Shinichiro Ikeda, presidente do estúdio responsável por clássicos como Ranma ½, KonoSuba e Urusei Yatsura, implementou uma política que soa quase radical no mundo do anime: obrigar os animadores a saírem do trabalho entre as 18h00 e as 19h00.

    Quando Ikeda assumiu o comando em 2011, deparou-se com uma realidade chocante. O antigo proprietário sugeriu-lhe que visitasse o estúdio entre a uma e as três da madrugada, pois era quando “as melhores pessoas estavam a trabalhar e mais enérgicas”. A reação de Ikeda foi imediata: “Quando ouvi isso, a primeira coisa que quis foi livrar-me desse hábito”.

    Há cerca de sete anos, Ikeda propôs algo simples mas revolucionário: sair às 18h00. A resistência foi feroz. Os executivos temiam o colapso financeiro. Ikeda explicou: “Recebemos forte oposição dos executivos. ‘Não conseguimos fazer trabalho nenhum assim. Se não cumprirmos prazos, não conseguiremos enviar as imagens para as estações de televisão e a empresa vai à falência’, por isso desistimos no início”.

    Mas o CEO manteve-se firme numa decisão corajosa: “Estabelecemos como política sair mais cedo, mesmo que isso significasse vendas mais baixas”. E a previsão dos executivos concretizou-se, as vendas do estúdio caíram durante dois a três anos após a implementação da medida.

    O efeito surpreendente

    Após o período difícil inicial, algo inesperado aconteceu. As vendas não só recuperaram como aumentaram. A explicação de Ikeda é fascinante: “Claro que as vendas caíram durante 2-3 anos após a introdução. Mas depois disso, começaram a subir. Isto acontece porque o cérebro se habituou. Se vais trabalhar às 9h e trabalhas até às 23h, toda a gente pensa em como distribuir a resistência e faz um trabalho descuidado de manhã. Mas se vais para casa às 19h, trabalhas intensamente durante três horas de manhã, fazes uma pausa de uma hora e depois trabalhas com afinco no resto do dia”.

    A filosofia de Ikeda desafia décadas de cultura na indústria do anime, trabalhar horas extraordinárias para obter lucro não é gestão empresarial. Ele defendeu: “O papel de um gestor é obter lucros como empresa e pagar aos empregados um salário justo“.

    Um modelo para a indústria?

    O Studio Deen não está sozinho na sua crítica às condições da indústria. Vários veteranos têm denunciado as práticas laborais, incluindo a animadora Terumi Nishii, que afirmou que os animadores a tempo inteiro eram mais “como escravos” do que empregados. Estúdios como a MAPPA têm sido criticados nos últimos anos por colocarem em risco a saúde mental e física dos funcionários ao forçá-los a permanecer nas instalações para cumprir prazos.

    Enquanto o Studio Deen celebra o seu 50.º aniversário em 2025 com novos projetos como I’m a Noble on the Brink of Ruin, So I Might as Well Try Mastering Magic e Magic Maker: How to Make Magic in Another World, o seu modelo de gestão ergue-se como prova de que é possível priorizar o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho sem sacrificar a qualidade ou os lucros.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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