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Feira do Livro de Lisboa 2026: Editoras excluídas e uma petição com mais de 4 mil assinaturas

A APEL vetou a participação de dezenas de pequenas chancelas na 96.ª edição do evento, alegando excesso de pedidos. Os visados falam em ameaça à diversidade literária.

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Uma decisão que devia ser meramente administrativa acabou por se tornar num dos casos mais ruidosos do setor editorial português dos últimos anos. A DNL Convergência, foi notificada pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) de que não terá pavilhão na 96.ª Feira do Livro de Lisboa, que decorre de 27 de maio a 14 de junho no Parque Eduardo VII, depois de cinco anos de presença ininterrupta. A distribuidora representa cerca de 40 editoras independentes, e foi em nome delas que lançou uma petição pública que, em menos de 24 horas, ultrapassou as 2 000 assinaturas. Até esta quarta-feira, 4 de março, o documento conta já com mais de 4 000 signatários, entre os quais mais de 100 profissionais do setor editorial e mais de 250 autores.

Enquanto a APEL justifica a decisão de limitar a participação de editoras com o excesso de pedidos para a quantidade de pavilhões disponíveis, na petição podemos ler que ao excluir estas vozes, a APEL está a:

  • Punir o interior do país: Ignorando quem descentraliza a cultura.
  • Concentrar o mercado: Favorecendo o gigantismo económico.
  • Empobrecer o leitor: Retirando diversidade e debate crítico.

Não é a primeira vez que editoras independentes apontam o dedo à APEL. Em 2025, várias chancelas denunciaram publicamente que os seus pedidos de ampliação de espaço eram recusados ano após ano, enquanto os grandes grupos editoriais continuavam a crescer dentro da feira. A APEL respondeu na altura com “surpresa”, garantindo que sempre pautou a sua atuação pela total transparência e abertura ao diálogo.

A DNL estima que a sua ausência represente a supressão de cerca de 10% de toda a programação cultural do evento, mais de 200 sessões de autógrafos, lançamentos, debates e mesas-redondas. Só em 2025, a distribuidora organizou cerca de 220 sessões de autógrafos e 36 eventos de palco.

Na petição é exigido:

  1. Transparência Total: Divulgação dos critérios de rateio e das atas que ditaram as exclusões.
  2. Revisão do Espaço: Reordenamento técnico para garantir que nenhum associado fique de fora.
  3. Respeito pela Coesão: Reconhecimento do papel das editoras independentes no panorama literário nacional.

A resposta da APEL

Confrontada com a polémica, a APEL veio a público esta quarta-feira rejeitar as acusações de opacidade. Em comunicado citado pelo Público, a associação garante que os critérios de participação são públicos e que o regulamento esteve disponível atempadamente para todos os interessados. Segundo a APEL, a distribuição dos pavilhões assenta em critérios como dados de mercado, referências de livro ativas, iniciativas de promoção da leitura, diversidade e dimensão dos catálogos e histórico de participação. A associação refere ainda que recusa estruturas que cobrem autores pela inclusão de livros ou pela presença em sessões públicas, bem como entidades quem tenha registado incumprimentos regulamentares.

SourcePúblico
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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