
Uma decisão que devia ser meramente administrativa acabou por se tornar num dos casos mais ruidosos do setor editorial português dos últimos anos. A DNL Convergência, foi notificada pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) de que não terá pavilhão na 96.ª Feira do Livro de Lisboa, que decorre de 27 de maio a 14 de junho no Parque Eduardo VII, depois de cinco anos de presença ininterrupta. A distribuidora representa cerca de 40 editoras independentes, e foi em nome delas que lançou uma petição pública que, em menos de 24 horas, ultrapassou as 2 000 assinaturas. Até esta quarta-feira, 4 de março, o documento conta já com mais de 4 000 signatários, entre os quais mais de 100 profissionais do setor editorial e mais de 250 autores.
Enquanto a APEL justifica a decisão de limitar a participação de editoras com o excesso de pedidos para a quantidade de pavilhões disponíveis, na petição podemos ler que ao excluir estas vozes, a APEL está a:
- Punir o interior do país: Ignorando quem descentraliza a cultura.
- Concentrar o mercado: Favorecendo o gigantismo económico.
- Empobrecer o leitor: Retirando diversidade e debate crítico.
Não é a primeira vez que editoras independentes apontam o dedo à APEL. Em 2025, várias chancelas denunciaram publicamente que os seus pedidos de ampliação de espaço eram recusados ano após ano, enquanto os grandes grupos editoriais continuavam a crescer dentro da feira. A APEL respondeu na altura com “surpresa”, garantindo que sempre pautou a sua atuação pela total transparência e abertura ao diálogo.
A DNL estima que a sua ausência represente a supressão de cerca de 10% de toda a programação cultural do evento, mais de 200 sessões de autógrafos, lançamentos, debates e mesas-redondas. Só em 2025, a distribuidora organizou cerca de 220 sessões de autógrafos e 36 eventos de palco.
Na petição é exigido:
- Transparência Total: Divulgação dos critérios de rateio e das atas que ditaram as exclusões.
- Revisão do Espaço: Reordenamento técnico para garantir que nenhum associado fique de fora.
- Respeito pela Coesão: Reconhecimento do papel das editoras independentes no panorama literário nacional.
A resposta da APEL
Confrontada com a polémica, a APEL veio a público esta quarta-feira rejeitar as acusações de opacidade. Em comunicado citado pelo Público, a associação garante que os critérios de participação são públicos e que o regulamento esteve disponível atempadamente para todos os interessados. Segundo a APEL, a distribuição dos pavilhões assenta em critérios como dados de mercado, referências de livro ativas, iniciativas de promoção da leitura, diversidade e dimensão dos catálogos e histórico de participação. A associação refere ainda que recusa estruturas que cobrem autores pela inclusão de livros ou pela presença em sessões públicas, bem como entidades quem tenha registado incumprimentos regulamentares.









