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    Hiromu Arakawa tinha lista de regras proibidas no anime Fullmetal Alchemist de 2003

    Hiromu Arakawa estabeleceu diretrizes claras como "não voar com alquimia" e Square Enix supervisionou toda a produção

    A adaptação de 2003 de Fullmetal Alchemist pelo estúdio Bones tornou-se um caso de estudo sobre como adaptar mangá para anime quando o material original ainda está em curso. Passados quase 23 anos desde o fim da série, um guionista envolvido na produção revelou detalhes surpreendentes sobre como Hiromu Arakawa, criadora do mangá, estabeleceu regras específicas para proteger a visão do seu universo.

    Sho Aikawa, veterano da indústria que serviu como argumentista principal do anime de 2003, decidiu esclarecer rumores persistentes sobre alegados conflitos entre a criadora e a equipa de produção. As declarações foram partilhadas no X (twitter) em resposta a uma publicação de um fã da série.

    O utilizador Tane (@mugichanka20022) compilou num extenso artigo de blog entrevistas antigas e informações sobre a produção do Fullmetal Alchemist de 2003, desmentindo teorias de que o estúdio alterou a história por conta própria e que Arakawa ficou furiosa com a forma como a adaptação foi gerida. O texto cita inclusivamente um artigo no volume 4 do fanbook oficial do anime que confirma que Arakawa pediu explicitamente para a adaptação ter um final diferente do mangá.

    “Para adicionar os meus dois cêntimos, a autora original deu-nos diretrizes claras sobre o que evitar. Por exemplo, coisas como ‘não voar com alquimia’ ou ‘não colocar os protagonistas numa mota'”, detalhou Aikawa no seu comentário.

    O processo de escrita decorreu sob supervisão apertada da Square Enix, editora original do mangá. Aikawa esclareceu que a editora e a equipa editorial do mangá estiveram presentes em todas as reuniões de argumentistas sem exceção. Em algumas ocasiões, contactavam diretamente Arakawa para obter aconselhamento sobre elementos específicos da história.

    A necessidade de criar um enredo original surgiu das circunstâncias do calendário de produção. O mangá Fullmetal Alchemist começou a ser serializado na revista Monthly Shonen Gangan em agosto de 2001, enquanto o anime estreou em 2003. Isto significava que o mangá estava ainda numa fase muito inicial quando a produção do anime foi aprovada.

    Como o anime eventualmente ultrapassaria o material original em termos de narrativa, e seria redundante revelar pontos importantes da história antes da obra original, o estúdio Bones optou por recontextualizar completamente a história. Esta decisão, segundo Aikawa e o artigo de blog mencionado, foi tomada com a supervisão tanto dos editores da Square Enix como, em determinados momentos, da própria mangaká.

    As diretrizes estabelecidas por Arakawa não se limitavam apenas a proibições. A autora queria garantir que o universo de Fullmetal Alchemist mantivesse a sua coerência interna, mesmo quando a história seguisse caminhos diferentes. As regras sobre não usar alquimia para voar ou não colocar personagens principais em motas faziam parte de um conjunto maior de princípios que definiam os limites do que a alquimia podia ou não fazer naquele mundo.

    A primeira adaptação de Fullmetal Alchemist acabou por ter 51 episódios e seguiu uma direção narrativa completamente diferente da obra original, explorando temas mais sombrios e uma conclusão independente. Em 2009, o estúdio Bones produziu Fullmetal Alchemist Brotherhood, uma nova adaptação que seguia fielmente o mangá desde o início, permitindo aos fãs experienciar as duas visões da história.

    O debate sobre qual versão é superior continua entre os fãs da série. Enquanto Brotherhood é frequentemente elogiada pela sua fidelidade ao material original e pelo desenvolvimento completo da narrativa de Arakawa, a versão de 2003 mantém uma base de admiradores que aprecia a sua abordagem mais madura e psicologicamente densa.

    O mangá Fullmetal Alchemist concluiu a sua serialização em 2010, totalizando 27 volumes que venderam mais de 80 milhões de cópias em todo o mundo. A série tornou-se uma das obras mais influentes do género shonen, explorando temas filosóficos profundos sobre equivalência, sacrifício e a natureza da humanidade através da lente da alquimia fantástica.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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