Retronime – Dragon Ball: Saikyou e no Michi

Retronime - Dragon Ball: Saikyou e no Michi

Artigo por Bruno Reis.

Desta vez o Retronime, dá-te a conhecer uma obra que passou tão despercebida nos radares de tanta gente, mesmo tendo passando cá no nosso país durante a ressaca Dragon Ball que tivemos no inicio deste milénio.

Dragon Ball: Saikyou e no Michi, ou se preferirem Dragon Ball: O Caminho para o poder / Dragon Ball: A Lei do Mais Forte, foi produzido e teve estreia nos cinemas no Japão em 1996, de forma a comemorar o 10º aniversário desta série em formato Anime. Novamente volta a mostrar-nos o Goku, mas não pensem que se trata do Goku adulto de Dragon Ball Z, ou do Goku que mirrou no GT, trata-se sim do Goku criança que tão bem conhecemos na primeira série. Tal como o primeiro filme Dragon Ball, Dragon Ball: A Lenda de Shenron, volta a relatar de uma forma alternativa, como o menino com rabo de macaco, conheceu Bulma e o resto dos seus amigos. No entanto este filme consegue de uma maneira mais limpa e concisa, unir os pontos entre a obra original Manga, a adaptação animada de 1986, e a atualidade que vivíamos na presente época.

O início do filme é basicamente igual ao que conhecemos e amamos, Goku é um rapazito órfão que vive isolado da sociedade nas montanhas Paozu. Certo dia depois de uma valente pescaria, é abordado por Bulma, uma doce e inteligente rapariga de 16 anos, que quase atropelou o nosso amigo! Depois de algum senso comum entregue ao rapaz, Bulma revela-lhe o porquê de viajar a tal zona inóspita. Esta procura as Dragon Balls, pequenas esferas com estrelas consoante o seu número, existem da uma, a sétima estrela, e quem reuni-las devido aos seus esforços o Deus Dragão, Shenron, surge e realiza um desejo, seja ele qual for. Na verdade, Goku já possui a quarta Dragon Ball, um presente que foi deixado pelo seu avô. A rapariga ainda tenta usar a sua sensualidade e encantos femininos para que Goku, entregue-lhe o seu bem mais valioso, porém sem efeito. Como o rapaz demonstra ter uma enorme força física e domínio nas artes marciais, Bulma decide que este seja seu guarda-costas sob o pretexto que o seu avô desejava que Goku fosse simpático para as raparigas. Este será o primeiro de muito encontros que Goku e Bulma terão na sua viagem em redor de todo o planeta.

Como já devem ter constato o início deste filme é uma cópia a papel vegetal, do que tão bem conhecemos, no entanto, a partir desta pequena reunião, o rumo dos acontecimentos torna-se bem diferente. Sim, Goku e Bulma, voltam a encontrar Oolong, Yamcha e Puar (quase tudo ao mesmo tempo), a grande diferença aqui são os vilões que não se tratam do trio liderado pelo Imperador Pilaf, mas sim a cruel organização subjugadora do mundo, Red Ribbon, ou se preferirem, Legião Vermelha, que também procura as Dragon Balls. Este desvio não só apresentou a grande aventura de Goku de uma maneira mais concisa, como uma visão diferente, misturando quase elementos de todos os arcos de Dragon Ball, criando assim um efeito de tributo que penso que foi a principal mensagem que este filme realmente quis ver passada. Embora a Legião Vermelha, fosse o vilão principal deste filme, o assassino Tao Pai Pai infelizmente ficou ausente e só mesmo o General Blue, é que causou mais problemas ao grupo de Goku, felizmente o inocente e amável Androide #8, apareceu e teve um peso considerável do fluir desta maravilhosa história. Para finalizar Goku teve um buff tremendo neste filme quando comparado com a versão original, o Kamehameha que este aprende do Tartaruga Genial é bem mais poderoso! Ao invés da pequena descarga que o Goku em 1986 disparava inicialmente, talvez, e como já devem ter notado por Goku, vestir a sua indumentária de Dragon Ball GT. Gi no torço azul, cinto branco, calças amarelas, e ter uma tonalidade mais negra, sendo semelhante ao Goku de Dragon Ball GT, o qual gosto de chamar Goku mexicano. Caso não saibam este filme foi exibido em meados da transmissão original de Dragon Ball GT, o que pode tem ainda mais destaque no que veremos mais abaixo, antes apenas quero deixar a indicação que Bulma pela primeira vez preserva a sua cor de cabelo original que é o roxo, ao invés do verde azulado nas versões animadas.

Dragon Ball: Saikyou e no Michi, foi um filme produzido pela Toei Animation e realizado por Shigeyasu Yamauchi, sendo que no seu currículo podemos encontrar além de alguns filmes anteriores de Dragon Ball Z, Blood+, Xenosaga The Animation, os filmes Digimon e a série Digimon Tamers. Este efeito fez-se notar não só nos planos de câmara, mas como o este filme teve um clima mais sério e adulto quando comparado com a sua obra original. Quanto a arte e animação, Dragon Ball: Saikyou e no Michi, está uns pontos acima da maioria de qualquer obra Dragon Ball, animação fluida, um jogo de cores e sombras bem interessante e arte fantástica, realmente até iria mais longe e diria que +e de certa forma a melhor adaptação animada que vi até hoje em Dragon Ball. Lembram-se de dizer que esta obra retira muito de Dragon Ball GT, umas linhas acima? Então o que dizer da banda-sonora, que em parte é a que conhecemos de Dragon Ball GT, até mesmo os temas entre Goku e Bulma são versões ligeiramente mais suaves do primeiro e nostálgico encerramento de Dragon Ball GT, Hitori Janai. A grande novidade aqui são diversas faixas ambientadas em tons chineses, enaltecendo mais as raízes do nosso amigo.

Este filme passou em Portugal, mas muito, muito despercebido, além de ser produto de um canal da concorrência, a TVI, a maioria dos seus atores não voltaram, só mesmo Cristina Cavalinhos e Ricardo Spínola, regressaram, desconheço as razões e podem crer foi estranho ouvir o Goku criança com uma voz diferente da que a do nosso Henrique Feist.

Em suma Dragon Ball: Saikyou e no Michi, é uma obra que merece ser vista ou revisitada, para quem não conhece verá um novo olhar das aventuras iniciais de Goku, para quem já conhece poderá novamente descobrir o que fez de Dragon Ball, um fenómeno.