
Quando KPop Demon Hunters estreou na Netflix em junho de 2025, ninguém antecipava o que estava prestes a acontecer. Os primeiros números foram medianos. Mas qualquer coisa aconteceu algures entre o sétimo e o décimo dia. As pessoas começaram a rever, a recomendar, a partilhar. Ao fim de 91 dias, o filme tinha-se tornado o maior da história da plataforma, com mais visualizações em 2025 do que qualquer outro título entre 2023 e 2025, segundo a própria Netflix. A banda sonora foi atrás, o single Golden chegou ao número um do Billboard Hot 100, e o álbum subiu ao topo do Billboard 200.
Tudo isso é contexto para perceber o peso do que a Sony Pictures Animation disse esta semana.
Em entrevista ao Hollywood Reporter, os presidentes da Sony Pictures Animation, Kristine Belson e Damien de Froberville foram diretamente confrontados com a questão da sequela. Em novembro de 2025, a Bloomberg tinha avançado que a Netflix e a Sony tinham finalizado os acordos com os realizadores Maggie Kang e Chris Appelhans para uma segunda parte, apontando para 2029 como data de lançamento.
Quando o Hollywood Reporter colocou essa data a Kristine Belson, a resposta foi um gesto, a presidente da Sony Pictures Animation encostou o dedo ao nariz, sinal inequívoco de que 2029 seria precisamente isso: demasiado otimista. Se essa data já é considerada improvável, o realismo aponta para 2030 ou 2031, quando muito.
A razão é mais simples do que parece. Os realizadores ainda estão completamente absorvidos pela temporada de prémios do primeiro filme, os Globos de Ouro de janeiro de 2026 ficaram para a história, e o circuito continua. Belson foi direta quando questionada sobre se Kang e Appelhans já estavam numa sala a delinear a continuação:
“Há muito para gerir em termos da campanha de prémios. Depois de todo o barulho e prémios e grandes festas com grandes pessoas, sim. Vai ser de volta aos dois numa sala”.
Ou seja, a pré-produção real ainda não começou. Em animação, isso é determinante, basta olhar para o intervalo entre Spider-Man: Into the Spider-Verse (2018) e Across the Spider-Verse (2023) para perceber a escala temporal envolvida. Não por acaso, De Froberville foi buscar exatamente essa comparação quando questionado sobre como superar o primeiro filme:
“KPop vai ser a mesma coisa [que o Spider-Verse]. É tal e qual o Spider-Verse. O mundo é tão rico, o mundo dos demónios e o elemento das pop stars, o que aconteceu ao Jinu. Há tanto para expandir”.
O que a Netflix vai fazer entretanto é uma incógnita. O que se sabe é que a plataforma não vai deixar a janela completamente vazia. As cantoras por detrás do grupo fictício HUNTR/X, Ejae, Audrey Nuna e Rei Ami, já tiveram um espaço de destaque na transmissão da NFL no Natal. Os brinquedos com licença da Mattel e da Hasbro chegam ao mercado em 2026. Uma novel baseada no filme está previsto para março de 2026. O universo continua a expandir-se, mesmo sem sequela à vista.
A entrevista ao Hollywood Reporter tocou ainda noutro ponto relevante: a decisão original de enviar o filme para a Netflix em vez de apostar numa estreia nos cinemas. Belson admitiu que a produção não foi considerada “viável para as salas” numa fase inicial, mas que a plataforma acabou por ser uma “tempestade perfeita” para o projeto. De Froberville acrescentou que os números dos primeiros três e dez dias foram apenas “razoáveis”, foi por volta do décimo quarto dia que a executiva da Netflix, Hannah Minghella, ligou a dizer que “algo estava a acontecer aqui”.
“Precisava de tempo, o que não se consegue numa sala de cinema”, disse Belson.









