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Steel Ball Run foi quase impossível de adaptar, revela diretor de JoJo

Steel Ball Run foi quase impossível de adaptar para anime, com o diretor de JoJo a admitir que a primeira tentativa correu muito mal.

Jojo’s Bizarre Adventure Parte 7 Steel Ball Run anime visual

Quando JoJo’s Bizarre Adventure: Steel Ball Run foi anunciado como a próxima adaptação de JoJo’s Bizarre Adventure, a reação dos fãs foi de entusiasmo imediato, mas também de uma preocupação muito específica, como é que alguém anima aquilo? A Parte 7 do mangá de Hirohiko Araki é, em grande medida, uma história sobre uma corrida de cavalos transcontinental, com dezenas de participantes a cavalo durante centenas de capítulos. A resposta honesta, segundo o próprio diretor, é que durante algum tempo não sabiam muito bem.

O “1st Stage” da série estreou a 19 de março de 2026 na Netflix, com um episódio de 47 minutos que rapidamente se tornou o anime mais bem avaliado de todos os tempos no MyAnimeList, destronando Frieren: Beyond Journey’s End e Fullmetal Metal Alchemist. Mas o entusiasmo dos fãs foi temperado quase de imediato por uma incerteza familiar, ninguém sabe quando chega o segundo episódio.

A primeira tentativa falhou

Em declarações publicadas na JoJo Magazine 2026 Spring, o director da série Toshiyuki Kato descreveu os bastidores de uma experiência que, nas suas próprias palavras, correu muito mal. Segundo Kato, logo após o final de Stone Ocean, o anime anterior da franquia, concluído em 2022, a equipa tentou perceber se Steel Ball Run era sequer animável.

“Pegámos em cenas de corrida de Steel Ball Run e em cenas com cavalos e transformámo-las em storyboards. Em vez de as construir como uma história completa, focámo-nos principalmente no movimento. Por exemplo, analisámos que tipos de planos gerais as cenas de corrida poderiam precisar: planos médios fechados de Johnny Joestar e dos outros, planos das patas dos cavalos, e cavalos a correr em determinadas trajectórias nos planos gerais. Selecionámos várias coisas assim e fizemos uma versão experimental interna há cerca de três anos para ver como poderiam funcionar em animação. O resultado foi: ‘isto está mau'”.

A conclusão foi directa: “Simplesmente exigiu demasiado trabalho e a produtividade era fraca. Por isso descartámos essa abordagem de tentativa e erro e passámos para um método que pudesse ser adaptado ao formato de série de anime actual”.

Kato tinha também identificado o problema desde o princípio: “Para começar, acho que toda a gente que leu o mangá original deve ter pensado: ‘isto provavelmente vai ser difícil de animar’. Simplesmente porque há demasiados cavalos. Se estivéssemos a fazê-lo nos tempos de Phantom Blood, Battle Tendency ou Stardust Crusaders, acho que não teria sido possível. Só nos últimos três ou quatro anos é que começámos a ver uma direcção onde pensámos que talvez conseguíssemos fazer isto”.

A solução: um sistema construído para durar

A resposta encontrada passa por uma combinação de animação tradicional e CG. Numa entrevista à Anime Trending, o director Yasuhiro Kimura revelou que entre Golden Wind e Steel Ball Run se dedicou a aprender 3DCGI em profundidade, chegando a produzir alguns planos por conta própria. Parte desse processo passou por técnicas testadas noutros projectos, incluindo uma série de voleibol onde aprendeu a animar objectos esféricos em movimento, conhecimento que acabou por aplicar às bolas de aço de Gyro.

Segundo o director, ao longo de toda a série estão previstas mais de 5000 cenas de animação apenas de cavalos, um número que torna inviável recorrer exclusivamente à animação desenhada à mão. “Calculámos os custos e os recursos humanos, e desenhámos o sistema para manter a qualidade tanto quanto possível”. O próprio Kimura experimentou equitação para perceber melhor o que estava a tentar representar: “O dorso de um cavalo é surpreendentemente triangular, e o ponto de vista é bastante alto e instável. Pensei: ‘É uma loucura atravessar a América em cima disto!'”.

A abordagem adotada não tenta reproduzir cavalos com realismo fotográfico. A equipa estudou como os cavalos se movem, mas concluiu que quanto mais pesquisavam, mais complexo se tornava. Optaram por simplificar os elementos e criar um estilo de movimento pensado especificamente para Steel Ball Run.

O episódio 2 e a sombra de Stone Ocean

O entusiasmo com o arranque da série é real, mas a incerteza sobre o episódio seguinte é igualmente real. Kimura foi directo quando questionado sobre o assunto: “Também quero vê-lo em breve! Quando vai ser? Não sei. Demora muito tempo a fazer um único episódio, mas a produção está a correr bem, e estou tão ansioso por ver o episódio acabado como vocês”.

A David Production tem outros projectos em curso, incluindo Fire Force temporada 3 e Firefly Wedding, e a Netflix ainda não confirmou qualquer calendário de emissão para os episódios seguintes. O precedente de Stone Ocean, cujos episódios foram lançados em lotes irregulares ao longo de meses, preocupa muitos fãs que temem uma repetição da mesma situação.

Os olhos estão agora postos no palco especial de Steel Ball Run na AnimeJapan 2026, marcado para 28 de março, onde poderão surgir novidades sobre o calendário de emissão da série.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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