Tate no Yuusha no Nariagari – ep 5 a 10 – Do ostracismo ao reconhecimento

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Primeiramente, peço desculpas pelo enorme atraso do artigo. Em segundo, vamos ao que realmente interessa, que é o comentário a respeito desse anime.

Se adaptar em mundo desconhecido tendo o todo o apoio da realeza é fácil. Todavia, viver em quaisquer mundos sem recursos é difícil. Inicialmente, ao invés de melhorar, a vida do nosso herói piorou em relação à vida que ele tinha antes de ser invocado. Conforme o passar dos episódios, os ventos mudaram em favor do protagonista.

De ostracizado ao título de “salvador do deus pássaro”. Naofumi foi obrigado a se virar para sobreviver naquele mundo, e conseguiu isso de forma bem-sucedida. Ele pode ser rejeitado pela corte e pela nobreza, mas no reino há aqueles que não são devidamente assistidos pela realeza ou por alguns dos outros heróis. É nesse contexto que entra em cena o desprezado herói do escudo.

É interessante e curioso ao mesmo tempo, que coube a ele corrigir os efeitos colaterais das ações dos outros heróis. Foi bom a história ter focado nas relações de causas e consequências, afinal, por mais que esse mundo seja parecido com um jogo, os personagens não estão dentro de um jogo, mas sim inseridos dentro de um mundo no qual suas atitudes interferem diretamente nas vidas das pessoas.

Desde de o episódio de estréia, ficou nítido que a função dos heróis da lança, espada e arco era mostrar como protagonista é uma boa pessoa que foi injustiçada. Ao consertar as falhas do demais heróis, fica uma mensagem de como o Naofumi é um herói digno, mesmo que esse tenha um comportamento meio rude em relação aos camponeses no qual ele tem contato. Ele, atualmente, não gosta da ideia de ser chamado de salvador ou coisa parecida, devido à situação traumática que ele viveu ao chegar nesse mundo desconhecido. No início, ele queria ser admirado e respeitado por todos, mas agora nosso herói ainda se comporta de forma ríspida e reativa, achando que as pessoas vão o rejeitar só porque ele é portador do escudo, no qual serviu de motivo para desprezarem ele.

Hoje o Naofumi pode se orgulhar de ter o time que ele desejou ter desde a sua chegada. Agora ele tem a quem proteger e quem o proteja. Além disso, ainda tem o fato da Raphtalia nutrir sentimentos românticos por ele. Sentimentos esses que ele achou que a garota que o traiu poderia ter por ele. Mas no caso da demi-humana (e também no caso da Filo), ele a vê como uma filha ou uma irmã mais nova.

Vale ressaltar o sistema no qual as temidas ondas têm data marcada para aparecerem, o que é algo que interfere na dinâmica da narrativa, pois entre um intervalo e outro, os heróis acabam realizando outras atividades nesse período. As atividades dos heróis não interessam, pois o que foi significativo nesse breve período de paz, foi mostrar o protagonista se adaptando às adversidades, e de quebra sendo exaltado por meio da narrativa e até conseguir novos aliados, que foi fruto das boas ações do herói do escudo.

Naofumi criou um círculo virtuoso que ajudou a superar à sua má fama inicial, o que é positivo, pois mostra desenvolvimento dele como personagem. Entretanto, ele quase botou tudo a perder ao remoer os traumas de um passado muito recente. A suposta morte da Filo foi uma cena chocante, e que deixou o herói do escudo numa situação de desespero e impotência. Tal situação é fundamental para dar mais dinamismo à história devido à tensão gerada devido ao que aconteceu. Mesmo que no final não houve consequências para a Filo, a fúria intensa do protagonista deixou marcas na Raphtalia (o que já está resolvido a essa altura da história). Enfim, a luta contra o dragão zumbi deixa uma pequena reflexão sobre poder. Para ser um herói não basta ter poderes extraordinários, mas sim fazer o que o correto e justo.

O sentimento de impotência que dominou o Naofumi é compreensível até certo ponto, pois quando ele mais precisou de poder de ataque, ele não podia fazer nada, porém, isso não é desculpa para que o mesmo se entregasse ao ódio. Diante de tudo o que foi mostrado, o herói do escudo é mais heroico que os heróis que são ovacionados pela nobreza.

Por mais que o protagonista queira evitar de encontrar àqueles que o fizeram mal, ele acabou entrando em contato com alguém da família real. Para o Naofumi, a Melty (uma simpática garotinha) trazia à tona tudo que ele sofrera. Ao ignora-la por saber sobre sua origem, ele cometeu o mesmo erro de seus algozes, que foi fazer um julgamento prévio se baseando no que a pessoa representa. O Naofumi foi julgado por ser o portador do escudo (que por algum motivo é um herói amaldiçoado). Já a Melty, foi julgada pelo próprio herói do escudo como sendo uma pessoa não confiável só por pertencer à família real que o despreza.

Até o retorno da onda aconteceram várias coisas, e apesar da falta de combates urgentes, a história tem se movimentado na medida do possível.