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    InícioAnimeTOP 10 melhores filmes anime de 2025

    TOP 10 melhores filmes anime de 2025

    2025, foi sem margem para dúvidas, o ano do anime no cinema mundial. Enquanto Hollywood continuava a reciclar fórmulas gastas e a apostar em sequelas de super-heróis que já não entusiasmam ninguém, a indústria japonesa mostrou ao mundo como se fazem filmes que as pessoas realmente querem ver.

    10
    Scarlet

    Scarlet - Anime poster Portugal

    O mais recente trabalho de Mamoru Hosoda no Studio Chizu é o filme mais imperfeito desta lista, mas também um dos mais interessantes. Esta reimaginação de Hamlet acompanha a Princesa Scarlet, assassinada numa tentativa falhada de vingar o pai, que recebe uma segunda oportunidade no submundo. A jornada força-a a questionar constantemente se a vingança vale realmente a pena.

    Os problemas do filme são evidentes. A mensagem é excessivamente didática em vários momentos, martelando temas que funcionariam melhor com subtileza. Algumas personagens sofrem de escrita inconsistente, comportando-se de formas que parecem mais motivadas por necessidades do guião do que por lógica interna. O ritmo é irregular, com certos segmentos a arrastar-se enquanto outros passam demasiado depressa.

    Mas há momentos genuínos de brilhantismo. Visualmente, o filme é impressionante, com o submundo apresentado através de uma estética que mistura elementos do budismo japonês com imaginário gótico ocidental. Quando Scarlet finalmente confronta as suas motivações mais profundas, há cenas de vulnerabilidade emocional que justificam a experiência. Não é Hosoda no seu melhor, mas mesmo um Hosoda menor é mais interessante que a maioria dos filmes de animação. A estreia portuguesa está marcada para o dia 26 de fevereiro de 2026.

    9
    Bâan: The Boundary of Adulthood

    Baan: The Boundary of Adulthood

    A estreia do YouTuber Gigguk na direção foi uma das maiores surpresas do ano. Ninguém esperava que alguém conhecido principalmente por vídeos cómicos sobre anime conseguisse realizar um filme que aborda temas complexos com tanta maturidade. Bâan conta histórias paralelas: Rinrada Ratchamanee, uma cidadã do mundo mágico de Euthania que imigra para a Terra, e Daichi Arai, um humano que procura aventura em Euthania.

    A força do filme está em como captura a solidão da vida independente, especialmente para quem está longe de casa. Não há grandes dramas, não há vilões a combater, apenas o desafio diário de construir uma vida nova num lugar estranho. A experiência de imigração é tratada com uma honestidade refrescante, mostrando tanto as recompensas como os custos emocionais de deixar tudo para trás.

    A produção do Studio Daisy e da GeeXPlus incorpora elementos autênticos da cultura tailandesa, criando um mundo que parece genuíno e vivido. Há uma atenção aos pequenos detalhes culturais que revela pesquisa cuidadosa e respeito pelo material. As cenas mais memoráveis são os momentos quotidianos: uma refeição partilhada, uma conversa tardia, os pequenos rituais que transformam um espaço estranho em casa.

    8
    Virgin Punk: Clockwork Girl

    O regresso de Yasuomi Umetsu (Kite, Mezzo, Girl’s High, Kiss and Cry) trouxe uma homenagem perfeita aos OVAs clássicos dos anos 90, uma era dourada do anime que muitos jovens fãs nunca experienciaram. Produzido pelo estúdio Shaft, o filme é desavergonhadamente pulp: ação frenética, violência estilizada, um tom que nunca leva nada demasiado a sério. Ubu Kamigori é uma caçadora de recompensas mestre que vê a sua vida destruída pelo vilão Mr. Elegance, que a prende num corpo robótico.

    A história é deliberadamente simples, quase um pretexto para as sequências de ação. E que sequências são. A Shaft trouxe toda a sua expertise visual para criar combates que são pura adrenalina, com uma coreografia que prioriza estilo sobre realismo. Há uma energia nos movimentos, uma fluidez nas transições, que torna cada confronto emocionante mesmo quando o resultado é previsível.

    Virgin Punk: Clockwork Girl funciona como prólogo para uma série maior, mas está estruturado de forma a satisfazer como história autónoma. Há um início, meio e fim claros, mesmo que deixe fios narrativos por resolver. Para quem tem nostalgia dos OVAs dos anos 90, este é um must-watch. Para quem nunca experienciou essa era, é uma introdução perfeita a um estilo que influenciou gerações de criadores.

    7
    ChaO

    poster filme anime ChaO

    O Studio 4°C entregou uma das experiências visuais mais únicas do ano sob a direção de Yasuhiro Aoki. Estreado em agosto no Japão e distribuído pela Toei, o filme conta a história improvável entre Stefan, um trabalhador de escritório comum numa empresa de construção naval, e Chao, uma princesa do reino das sereias que o pede em casamento sem aviso prévio.

    A premissa parece saída de uma comédia romântica convencional, mas o filme rapidamente se revela muito mais ambicioso. A animação do Studio 4°C é espetacularmente inventiva, com designs de personagens idiossincrásticos que se afastam completamente dos estereótipos do anime tradicional. Os olhos das personagens têm um espaçamento único que inicialmente pode desconcertar, mas que rapidamente se torna parte do charme visual do filme.

    A produção ganhou o prémio do júri no Festival de Annecy em junho, um dos festivais de animação mais prestigiados do mundo. A história é inspirada tanto em contos clássicos como A Pequena Sereia como em filmes do realizador de Hong Kong Stephen Chow, particularmente The Mermaid de 2016. Há também influências claras de Ponyo de Hayao Miyazaki, embora ChaO opte por protagonistas adultos em vez de crianças.

    O filme funciona como metáfora para relações interculturais e interraciais, explorando como Stefan luta para aceitar Chao publicamente enquanto se preocupa obsessivamente com o que os outros pensam. A narrativa não segue uma estrutura linear convencional, incluindo elementos aparentemente aleatórios como génios robóticos que adicionam camadas de caos controlado à experiência. O resultado é simultaneamente encantador e frustrante, belo e imperfeito.

    Apesar das suas imperfeições narrativas, ChaO conquistou críticos pela sua ousadia visual e pela forma como nunca tem medo de arriscar.

    6
    Mononoke The Movie: The Ashes of Rage

    Mononoke the Movie The Ashes of Rage anime visual

    O segundo filme da trilogia Mononoke representa a franquia no seu auge criativo. A EOTA e a Crew-Cell criaram uma experiência visual única que não se parece com nada no cinema mainstream. A estética combina elementos da arte tradicional japonesa com design gráfico moderno, resultando num visual que é simultaneamente atemporal e radicalmente contemporâneo.

    A história decorre um mês após Phantom in the Rain e acompanha o Vendedor de Medicamentos de regresso ao Ooku durante intrigas pela sucessão imperial. Há um surto misterioso de combustão espontânea, e tudo parece conectado de formas que só se tornam claras gradualmente. A escrita é inteligentemente surreal, brincando com a perceção da realidade de formas que desafiam as expetativas narrativas convencionais.

    O que torna The Ashes of Rage especial é como equilibra horror psicológico com comentário social. Os mistérios sobrenaturais são apenas a superfície; por baixo há críticas afiadas sobre estruturas de poder, género e as máscaras que usamos para sobreviver em sociedade. O filme exige atenção total, mas recompensa-a com uma riqueza narrativa rara no cinema de género.

    5
    100 Meters

    100M pv thumb

    A estreia do novo estúdio Rock ‘n’ Roll Mountain tornou-se numa das revelações mais inesperadas do ano. Dirigido por Kenji Iwaisawa e baseado no mangá de Uoto, o mesmo criador de Orb: On the Movements of the Earth, o filme utiliza rotoscopia para criar sequências de corrida de um realismo visceral que poucos trabalhos de animação alguma vez alcançaram.

    A história acompanha Togashi, um corredor naturalmente talentoso que domina os 100 metros sem esforço aparente desde criança. Tudo muda quando conhece Komiya na sexta classe, um estudante transferido cheio de determinação mas sem qualquer técnica. Ao ensinar-lhe os fundamentos da corrida, Togashi inadvertidamente cria o rival que o desafiará durante anos. O filme explora como esta rivalidade define ambos os corredores, forçando-os a confrontar as suas motivações mais profundas e a descobrir quem realmente são.

    A técnica de rotoscopia, onde a animação é traçada sobre filmagens de ação real, permite que cada movimento tenha um peso e uma fluidez que fazem o espetador sentir fisicamente o esforço dos atletas. Cada passada, cada respiração ofegante, cada músculo tenso é capturado com uma precisão quase documental. A banda sonora de Hiroaki Tsutsumi sincroniza-se perfeitamente com o ritmo visual, criando uma experiência sensorial completa.

    O filme estreou no Festival de Annecy em junho, onde recebeu ovações entusiásticas da audiência. Em setembro teve uma estreia limitada no Japão, seguida de exibições na América do Norte através da GKIDS em outubro, arrecadando 140.000 dólares apesar da promoção mínima.

    100 Meters provou que filmes desportivos em anime podem transcender o género e criar algo universalmente comovente. O filme não é apenas sobre corrida, é sobre propósito, identidade e o custo de perseguir a grandeza.

    4
    Batman Ninja vs. Yakuza League

    Joker e Harley Quinn poster Batman Ninja vs. Yakuza League

    A Kamikaze Douga e a YamatoWorks voltaram a fazer o impossível, criaram uma sequela que é objetivamente melhor que o original em todos os aspetos. Batman Ninja vs. Yakuza League pega na premissa absurda do primeiro filme e amplifica-a até ao limite, apresentando um Batman que regressa do passado para descobrir que a história mudou e Gotham está em guerra com uma Liga da Justiça maligna.

    O filme é gloriosamente ridículo. Batman usa ninjutsu, há robôs gigantes, a ação é completamente over-the-top, e de alguma forma tudo funciona perfeitamente. A genialidade está em nunca trair a sinceridade emocional que sustenta a narrativa. Por mais exageradas que as sequências de ação sejam, os momentos entre Bruce e a sua família adotiva são genuinamente comoventes.

    Visualmente, o filme é uma obra-prima de animação 3D. A Kamikaze Douga desenvolveu um estilo único que mistura elementos tradicionais japoneses com design contemporâneo, criando algo que parece simultaneamente clássico e futurista. As cenas de combate são coreografadas com uma criatividade que faz a maioria dos filmes de super-heróis americanos parecerem preguiçosos em comparação.

    O filme divide opiniões precisamente porque não tem medo de ser diferente. Há fãs de Batman que detestam ver o personagem neste contexto tão afastado do material original. Mas para quem consegue aceitar a premissa, esta pode ser uma das interpretações mais interessantes do Cavaleiro das Trevas dos últimos anos.

    3
    Peleliu: Guernica of Paradise

    Peleliu Guernica of Paradise anime visual

    O estúdio Shin-Ei Animation e a Fugaku uniram-se para trazer ao cinema uma das adaptações de mangá mais corajosas do ano. Dirigido por Gorō Kuji e distribuído pela Toei, o filme estreou no Japão a 5 de dezembro e rapidamente se tornou num dos trabalhos anti-guerra mais comentados da temporada. Com guião de Junji Nishimura e do próprio criador do mangá original, Kazuyoshi Takeda, a produção alcançou um equilíbrio delicado entre beleza visual e horror brutal.

    A narrativa acompanha Tamaru, um jovem soldado japonês que sonha tornar-se artista de mangá, mas vê-se enviado para a ilha de Peleliu durante o verão de 1944. Lá, 10.000 soldados japoneses enfrentam uma força americana de 40.000 homens numa batalha que duraria meses e resultaria em perdas devastadoras de ambos os lados. O filme não romantiza a guerra nem transforma os seus protagonistas em heróis invencíveis. Em vez disso, mostra a realidade crua de jovens enviados para morrer numa ilha paradisíaca que rapidamente se transforma em inferno.

    O contraste entre a beleza natural de Peleliu e a violência que ali se desenrola é devastador. Os recifes de coral e florestas tropicais tornam-se cenários de carnificina, criando uma dissonância visual que amplifica o impacto emocional. A animação captura tanto os momentos de camaradagem entre soldados como o terror absoluto do combate, nunca desviando o olhar das consequências horríveis da guerra.

    Com música de Kenji Kawai e tema principal interpretado por Mone Kamishiraishi, o filme junta-se a obras como Grave of the Fireflies e In This Corner of the World no panteão de filmes anime que exploram o trauma da Segunda Guerra Mundial.

    2
    Demon Slayer: Infinity Castle parte 1

    Demon Slayer Kimetsu no Yaiba – Infinity Castle Part 1 Akaza’s Return poster anime (1)

    Se havia dúvidas sobre a capacidade do anime para competir com as maiores produções de Hollywood, este filme destruiu-as completamente. Com 718 milhões de dólares arrecadados globalmente, tornou-se no sexto filme mais rentável de 2025 e no filme internacional de maior sucesso alguma vez lançado nos Estados Unidos, ultrapassando o recorde que O Tigre e o Dragão mantinha há 25 anos.

    Os números da estreia são impressionantes. No Japão, o filme ganhou 1,64 mil milhões de ienes (cerca de 11 milhões de dólares) no primeiro dia, estabelecendo o recorde de melhor dia de estreia na história do cinema japonês. Em apenas oito dias, ultrapassou os 10 mil milhões de ienes, batendo o marco estabelecido pelo próprio Demon Slayer: Mugen Train. Nos Estados Unidos, a abertura de 70 milhões de dólares fez história como a maior estreia de sempre para um filme internacional e para um filme de animação classificado para maiores de 17 anos.

    A Ufotable, estúdio responsável pela produção, trabalhou neste primeiro capítulo da trilogia durante três anos e meio, começando a pré-produção ainda durante a exibição do arco Entertainment District da série anime. O resultado é visualmente deslumbrante, com sequências de combate que estabelecem novos padrões para o que a animação pode alcançar em termos cinematográficos. A batalha entre Tanjiro, Giyu e Akaza não é apenas tecnicamente perfeita, é emocionalmente devastadora.

    O filme manteve-se em primeiro lugar nas bilheterias japonesas durante mais de oito semanas consecutivas, um feito raro mesmo para produções locais. O trailer oficial, lançado em junho, registou mais de 40 milhões de visualizações nas primeiras 24 horas nas plataformas oficiais, demonstrando o nível de antecipação que rodeava o lançamento.

    1
    Chainsaw Man: The Movie – Reze Arc

    Chainsaw Man – O Filme Reze Arc visual Reze (1)

    Três anos. Foi esse o tempo que os fãs esperaram por uma continuação da primeira temporada, e o estúdio MAPPA fez valer cada segundo dessa espera. O filme estreou em setembro no Japão e rapidamente se tornou num fenómeno que ultrapassou todas as previsões. Com uma receita global de 174,7 milhões de dólares, a produção conseguiu algo raro: agradar tanto aos críticos como ao público geral.

    A história centra-se em Denji, o protagonista que pode transformar partes do corpo em motosserras, e no seu encontro com Reze, uma jovem misteriosa que trabalha num café. O que começa como um romance adolescente inocente rapidamente se transforma numa tragédia sangrenta que explora temas de manipulação, agência e o custo emocional da violência. A química entre os dois personagens funciona precisamente porque o filme não tem medo de os tornar vulneráveis antes de os destruir emocionalmente.

    Tatsuya Yoshihara assumiu a direção após a polémica em torno da primeira temporada, e a mudança resultou. A animação mantém o padrão visual impressionante que caracteriza o trabalho da MAPPA, mas há uma fluidez nas sequências de ação que eleva tudo a outro nível. As batalhas são coreografadas com uma precisão quase cirúrgica, onde cada movimento tem peso e consequência. Não há desperdício, não há excesso, apenas violência brutal apresentada com uma beleza perturbante.

    Nos Estados Unidos, estreou em outubro com 17,3 milhões de dólares no fim de semana de abertura, superando largamente as expetativas. Na Coreia do Sul, liderou as bilheterias durante várias semanas consecutivas, acumulando quase 19 milhões de dólares apenas naquele mercado.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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